A barca de Morais balançava com Moraes e os imorais
Luís Costa Pinto, que sabe tudo e mais um pouco das mumunhas de Brasília seleciona no Facebook oito notas publicadas pelo Drive, newsletter do site Poder360, de Fernando Rodrigues: A campanha para entrar no STF...
A barca de Morais balançava com Moraes e os imorais
Luís Costa Pinto, que sabe tudo e mais um pouco das mumunhas de Brasília seleciona no Facebook oito notas publicadas pelo Drive, newsletter do site Poder360, de Fernando Rodrigues:
- A campanha para entrar no STF é intensa. Terminou nas primeiras horas desta 4ª feira o jantar oferecido pelo senador Wilder Morais (PP-GO) a Alexandre de Moraes. A reunião foi no barco do político, ancorado no Lago Paranoá, em Brasília.
- 8 senadores, 8 votos – Além do anfitrião, O Drive apurou que estiveram no jantar mais outros 7 senadores: Benedito de Lira (PP-AL), Cidinho Santos (PR-MT), Davi Alcolumbre (DEM-AP), Ivo Cassol (PP-RO), José Medeiros (PSD-MT), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Zezé Perrella (PMDB-MG). Todos devem aprovar Moraes no STF.
- A favor da prisão em 2ª instância – O possível futuro ministro do Supremo foi quase sempre evasivo na maioria das respostas. Mas todos saíram com a impressão de que Alexandre de Moraes é a favor de manter o atual entendimento do STF sobre prender quem é condenado em 2ª instância.
- Cobrança – Coube a Benedito de Lira fazer uma cobrança: “O sr., depois de indicado, vai nos tratar como desconhecidos, como fazem alguns outros ministros do Supremo? Tem alguns que vieram pedir votos e depois só querem nos receber no salão branco [lobby do STF] e nunca no gabinete”. Alexandre de Moraes respondeu que não vê problemas em marcar audiências em seu eventual futuro gabinete.
- Sofredor – Num momento de descontração, José Medeiros perguntou qual é o time de futebol de Moraes. Ele respondeu que torce para o Corinthians. “Então temos 1 problema. Não está cumprida a exigência de reputação ilibada”, disse Medeiros. Todos riram.
- Sertaneja- O candidato ao STF chegou por volta das 22h30. O barco de Wilder Morais estava atracado a 1 píer no Lago Sul, região nobre de Brasília. Passou pelo local uma cantora sertaneja, amiga do dono do píer. O prato principal foi pasta. De sobremesa, figo desidratado e 1 doce de chocolate.
E aí acrescenta a sua observação de conhecedor: “um candidato a ministro da Suprema Corte não poderia se dar ao desbunde de pastar embarcado no iate de tamanha má fama. Até as carcaças de tratores e os troncos de ipê afundados no Paranoá sabem o que se faz naquele barco. E o relato das conversas é tenebroso.”.
O barco em questão é o “Love Boat”, descrito pela jornalista Eliane Trindade, na Folha, em abril passado: “Na atual legislatura, as festas mais famosas acontecem em um barco de um senador goiano, apelidado de “love boat”. O senador também costuma emprestar o “barco do amor”, que conta com uma única e luxuosa suíte, para amigos.
Wilder Morais é assumiu como suplente de Demóstenes Torres, a quem financiou parte da campanha e teria, segundo gravações feitas na época, sido indicado para o posto pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
É este cidadão que aparece aí na foto numa das festas que costuma promover, fantasiado de oficial da PM. As moças presentes, que não têm nada com isso, tiveram seus rostos cobertos.
Até porque a moral sexual de cada um a si só pertence.
Mas Luís Costa Pinto tem toda a razão em chamar de indecorosa a incursão de Alexandre de Moraes ao iate, nem tanto pelas moças que lá não estavam mas pelas conversa que Brasília inteira ali ocorrem. E que ele, com toda a arapongagem que tem, não pode desconhecer.
Ah, e não custa lembrar, enquanto as marolas do Lago Paranoá balançavam a cabala de votos pelo ainda Ministro da Segurança Pública, a grande Vitória ardia no caos da crise de policiamento.
Decoro é isso aí.
A “indignação” dos que que puseram eles lá
Os colunistas do mundo conservador fingem-se furiosos. Miriam Leitão diz que o PMDB “confronta as forças de combate à corrupção no país”. Merval Pereira reclama da “leniência” do PMDB e diz que a nomeação de Edson Lobão para...
Os colunistas do mundo conservador fingem-se furiosos.
Miriam Leitão diz que o PMDB “confronta as forças de combate à corrupção no país”.
Merval Pereira reclama da “leniência” do PMDB e diz que a nomeação de Edson Lobão para a Comissão de Constituição e Justiça, que faz o Senado andar ou parar, é um “escárnio”.
Escárnio também diz Ricardo Noblat, que até mês e pouco atrás achava “até bonito” Michel Temer e chama a decisão da dupla Temer-Renan de – tome fôlego antes de ler – “chacota, escarnecimento, ironia, gozação, troça e zombaria” e ainda “exorbitância, desacato, desplante, sem-vergonhez, descaramento, ultraje, afronta, desfaçatez, cinismo, prepotência, atrevimento e arrogância”.
Mas, se mal pergunto, esperavam o que elevando esta turma ao Governo?
Como ser cronista político sem saber o que são, de verdade, os protagonistas deste jogo.
Seria melhor, em lugar da surpresa e indignação, confessar ignorância, que seria a alternativa mais honrosa para classificar o que foi e é cumplicidade ideológica.
Muito melhor faz que lê os que não se prestam a sabujice e podem, com toda a crueza, mostrar que este é o jogo que se joga, a peça que se encena, a tragédia que tudo isso representa, como faz o ótimo José Roberto de Toledo, no Estadão.
Transcrevo um trecho, coisa de fazer os três corarem de vergonha na sua moralidade hipócrita:
(…))A classe política, acuada que foi pelas investigações da Lava Jato e pela pressão das ruas, está, passo a passo, retomando o controle do espetáculo, cuja cena havia sido roubada pelo Judiciário e pelo Ministério Público. Foi apenas um intervalo, e ele parece estar acabando. A campainha já soou mais de uma vez, os protagonistas estão mostrando aos coadjuvantes o seu lugar.
No meio da temporada, houve ator que precisasse fugir do oficial de Justiça, ignorar sentenças ou fazer de conta que não entendeu o que o juiz mandou. Mas, quase sempre, acrobacias jurídicas distraíram os espectadores pelo tempo necessário até que instância superior restabelecesse a ordem no camarim.
Foi necessário realizar a morte cênica de alguns personagens menos quistos pela opinião pública, é verdade. Não foi doloroso para o elenco, porém. Eram pouco simpáticos ao resto da trupe. Ovacionados, deixaram-se levar pelos aplausos da plateia. Emergentes, pensavam ter aprendido todos os truques da profissão. Desdenharam os colegas de palco, afetando superioridade. Na primeira vaia, perderam seus papéis.
Contando ter satisfeito o público irrequieto, os veteranos começaram a reescrever o roteiro. Da coxia, onde costumam atuar, alguns viraram foco dos holofotes. Desacostumados à luz, que sempre lhes parece em excesso, às vezes tropeçam em cena. Quando esquecem as falas, improvisam um monólogo no qual trocam próclises por ênclises e mesóclises, na esperança de a forma pernóstica superar as lacunas de conteúdo. Tem funcionado.
Entre perplexa e resignada, a audiência não sabe se ri ou se chora. Mais importante para os protagonistas, nem sequer se emociona. Melhor assim, pois se não aplaude, o público tampouco apupa. Apáticas, as panelas permanecem na cozinha, junto com os tomates e os ovos. E os velhos atores vão tomando conta da cena, nomeando um ministro aqui, um juiz acolá, todos da trupe.
A direita brasileira bem que gostaria de ainda ter uns Fernando Henrique Cardoso no armário, para usar agora e no futuro. Não tem, exceto talvez pelo personagem que Toledo descreve como aquele que “faz qualquer papel, de playboy a lixeiro. Com sorriso plastificado, dente facetado, cabelo plantado e jeito vaselinado”:
(…)o ex-figurante se torna a cara da companhia. Faz sucesso, mas dura pouco.
Mas este ainda não é pra já. Pra já é o “pinguela”, o “é o que temos” e, em homenagem aos Carnaval que vem aí o “é com esse que eu vou samabar até cair no chão”.
copiado http://www.tijolaco.com.br/blog/
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