A CCJ (Comissão de Constituição e
Justiça) do Senado instalada nesta quinta-feira (9) tem entre seus
membros 10 senadores alvos de investigações ligadas à Operação Lava
Jato. Além disso, o relator também foi citado em acordos de delação
premiada.
É esta comissão que será responsável pela sabatina do
ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, indicado pelo
presidente Michel Temer a uma vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).
Por terem foro privilegiado, inquéritos contra os senadores são
julgados pelo Supremo. Lá, o relator das ações da Lava Jato é o ministro
Edson Fachin.
Após a sabatina pela CCJ, o plenário do Senado
vota a aprovação de Moraes para a vaga, onde ele precisa do apoio de ao
menos 41 dos 81 senadores.
Se o nome de Moraes for aprovado pelo Senado, ele será o revisor no
plenário dos processos relativos à operação. Ou seja, o relator nesses
casos também será Fachin, mas Moraes poderá opinar sobre o relatório do
julgamento, que é o texto que elenca fatos e provas do processo antes
dos ministros votarem sobre a condenação.
No plenário são
julgados processos contra o presidente da República e os presidentes da
Câmara e do Senado. Os demais ficam na 2ªTurma. Caso se torne ministro,
Moraes provavelmente ficará na 1ª Turma do STF.
Alan Marques - 25.abr.2016/Folhapress
Os senadores Humberto Costa e Gleisi Hoffmann também são citados
A CCJ possui 54 membros. São 27 senadores titulares e 27 suplentes.
A sabatina de Moraes ainda não tem data para ser realizada. Há a
expectativa –de lideranças do PMDB—de que ela possa ocorrer ainda este
mês.
Quem está na CCJ e é citado na Lava Jato
Entre os membros titulares da CCJ, são alvo de investigações da Lava Jato os senadores
Edison Lobão (PMDB-MA), presidente da comissão,
Jader Barbalho (PMDB-PA),
Valdir Raupp (PMDB-RO) e
Benedito de Lira (PP-AL).
O senador
Aécio Neves (PSDB-MG),
também titular da CCJ, é investigado em dois inquéritos no STF que não
fazem parte das apurações da Lava Jato, mas tiveram origem em fatos
descobertos pela investigação. O relator dos inquéritos é o ministro
Gilmar Mendes.
Entre os suplentes da CCJ, são investigados os senadores
Fernando Collor (PTC-AL),
Renan Calheiros (PMDB-AL),
Romero Jucá (PMDB-RR),
Gleisi Hoffmann (PT-PR) e
Humberto Costa (PT-PE).
A
senadora Gleisi se tornou ré na Lava Jato após a 2ª Turma do STF decidir abrir processo contra ela por suspeita de ter recebido doações ilegais de campanha.
A Polícia Federal pediu o arquivamento do inquérito contra Humberto
Costa, por não ter encontrado provas de que o senador estivesse
envolvido em irregularidades, mas ainda não há decisão do STF sobre o
pedido da PF.
O processo de Moraes na CCJ será relatado pelo senador
Eduardo Braga (PMDB-AM),
que não responde a inquérito mas foi citado por delatores da
empreiteira Andrade Gutierrez. Dois executivos da empresa relataram
terem pago propina a Braga quando ele era governador do Amazonas.
O senador nega a participação em irregularidade e afirmou, na época que
os depoimentos vieram a público, que a denúncia contra ele seria
"absurda".
Outro lado
Os senadores investigados têm
dito em manifestações pública não ter envolvimento com irregularidades.
Ainda não há condenações judiciais no Supremo a nenhum dos citados.
Ao ser indicado para o comando da CCJ, Edison Lobão afirmou que as
investigações são uma forma de provar a inocência dos citados. "A
investigação não deve causar constrangimento a ninguém. Ela é uma forma
inclusive de o alegado poder mostrar que não é responsável por tais
alegações caluniosas", disse o senador.
Jader Barbalho, ao
comentar um pedido de abertura de inquérito, disse "estar tranquilo" em
relação às investigações. "Já me manifestei sobre as acusações na
Comissão de Constituição e Justiça do Senado e disse que, se alguém usou
meu nome, está me devendo", disse o senador, à época.
Renan
Calheiros tem afirmado que suas relações com as empresas públicas "nunca
ultrapassaram os limites institucionais" e que "nunca autorizou,
credenciou ou consentiu" que seu nome fosse utilizado por terceiros.
O senador Fernando Collor também nega sua participação no esquema de
corrupção e afirma ser alvo de perseguição do Ministério Público.
Ao comentar o oferecimento de denúncia contra a senadora no âmbito da
Lava Jato, a defesa de Gleisi Hoffmann disse manifestar "inconformismo"
com a denúncia e afirmou que "todas as provas que constam no inquérito
comprovam que não houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum
valor por parte da senadora", diz texto divulgado na época.
Valdir Raupp já chegou a classificar as acusação contra ele feita por
delatores de "destemperada, mentirosa e grotesca", afirmou. "Essa
delação beira o ridículo por carecer de qualquer indício de veracidade. É
um enredo totalmente fantasioso e que não se sustentará por muito
tempo", disse o senador.
O senador Benedito de Lira tem afirmado
sobre as investigações contra ele que todas as doações que recebeu
foram legais, aprovadas pela Justiça, e acrescentou que já apresentou
sua defesa e confia no Judiciário.
Romero Jucá também tem afirmado não ter envolvimento com atos irregulares.
Aécio Neves afirmou que sua inocência será provada pelas investigações,
abertas a partir da delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral
(sem partido-MS). Em nota divulgada à época, o senador afirmou que
"renova sua absoluta convicção de que os esclarecimentos a serem
prestados demonstrarão de forma definitiva a improcedência e o absurdo
de mais essa citação feita ao seu nome pelo ex-senador Delcídio", diz o
texto.
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'Caju', 'Santo', 'Missa': políticos citados na delação que foram às ruas contra a corrupção12 fotos
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Apelidado
de "Mineirinho", o senador tucano Aécio Neves teria recebido R$ 15
milhões da Odebrecht, segundo delação do ex-executivo da construtora
Cláudio Melo Filho. Na foto, ele participa de manifestação contra a
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