O regime de Pyongyang procura obter bens de diferente natureza e os
mais diversos materiais e componentes eletrónicos, tecnológicos e
industriais negociando com Estados e empresas em África, no Médio
Oriente e na Ásia. Nesta parte do mundo, a Malásia - onde a 13 de
fevereiro foi assassinado Kim Jong--nam, meio-irmão do atual líder
do regime, Kim Jong-un - tem funcionado como um importante
entreposto, onde empresas e particulares de diferentes países
realizam contactos e negócios com empresas de fachada, na realidade
extensões de diferentes ministérios e agências da Coreia do Norte.
A morte de Kim Jong-nam e o evidente envolvimento de elementos
norte-coreanos pode comprometer o papel involuntário da Malásia
como plataforma para Pyongyang contornar as sanções. Mas Kim
Jong-un - que parece inspirar-se cada vez mais no exemplo do avô e
fundador do regime, Kim Il-sung, na forma como dirige o país - tem
outros aliados.
No documento da ONU, Moscovo e Pequim são mencionadas como cidades
onde norte-coreanos estão ativos em contactos e negócios com
nacionais chineses e russos, além de outras nacionalidades. Com
resultados práticos: a recuperação de destroços do míssil
lançado em fevereiro de 2016 permitiram estabelecer que este se
encontrava equipado com tecnologia estrangeira, disponível
comercialmente.
Pyongyang tem aumentado as vendas de equipamento militar a países
como o Sudão e a Namíbia, onde construiu recentemente uma fábrica
de munições. Este país da África Austral torna-se assim, num
continente de conflitualidade recorrente, uma plataforma para a venda
de armas de baixa tecnologia para que não faltarão clientes a
pagarem em moeda forte. Pyongyang exporta ainda minerais e trabalho
escravo. Este último tem rendido o equivalente a mais de mil milhões
de euros por ano, segundo um relatório da ONU, de 2015.
Aliado de longa data
Uma descoberta no final de 2016 veio recordar a longa cumplicidade
entre Pyongyang e Teerão, que data da época da fundação da
República Islâmica do Irão. Imagens de satélite mostram um silo
de mísseis em Geumchang-ri, Noroeste da Coreia do Norte, com
características quase idênticas ao situado em Tabriz, no Irão.
No início de 2016, um antigo responsável do U.S. Army War College,
major-general Robert Scales, declarava à Fox News que técnicos
iranianos estiveram presentes no teste nuclear de 2013 e "estão
a ajudar os norte-coreanos a miniaturizar as suas ogivas nucleares".
Um fator essencial para o avanço do programa de Pyongyang,
considerou o oficial americano.
A cooperação iniciou-se durante a guerra Irão-Iraque (1980-1988)
quando Teerão se encontrava isolado internacionalmente, tendo
Pyongyang vendido diverso equipamento militar. E tem como ponto alto
o acordo científico e tecnológico de 2012, com diferentes analistas
a considerarem que no centro deste está o trabalho de
desenvolvimento em comum dos "programas nuclear e de mísseis
balísticos", escrevia Ilan Berman no National Interest, em
agosto de 2015.
Em agosto de 2014, um relatório do centro de investigação em
segurança informática da HP notava que, na guerra no ciberespaço,
Pyongyang tem cinco
Regime
de Kim Jong-un está a contornar sanções com sucesso. Intensifica o
seu programa nuclear, obtém divisas e reforça poderio militar. E
ainda exporta trabalho escravo
Um
país sujeito a sanções há décadas e isolado internacionalmente
desenvolve um ambicioso programa nuclear militar. É possível? Sim.
A Coreia do Norte recorre a um complexo esquema de intermediários e
de empresas de fachada para obter divisas, ouro, armas e materiais
para o seu programa nuclear.
"A
República Democrática Popular da Coreia do Norte [designação
oficial do regime] tem ridicularizado as sanções comercializando
bens abrangidos por estas, com recurso a técnicas cada vez mais
sofisticadas", lê-se num relatório de um painel da ONU que
vigia a aplicação do disposto na Resolução 1718 do Conselho de
Segurança. A resolução, que impõe sanções nas áreas económicas
e comerciais, foi adotada por unanimidade em outubro de 2006, após
Pyongyang ter anunciado o primeiro ensaio nuclear.
O
documento, não divulgado mas cujo conteúdo foi visto pela CBS News
e pelo The Straits Times, revela que a Coreia do Norte está a
acelerar a construção de novas instalações no complexo de
Punggye-ri.
"potenciais aliados": China, Cuba, Irão, Rússia e Síria,
e que o terceiro país em questão estaria a colaborar ativamente com
a Coreia do Norte na matéria. No que respeita à Síria, a central
nuclear neste país destruída por Israel, num ataque aéreo em 2007,
era tecnologia norte-coreana.
A relação apresenta ainda vantagens noutros planos, como a troca de
petróleo de Teerão por armas e munições de Pyongyang, a serem
canalizadas para a Síria ou para o Hezbollah libanês e para o
Hamas. Além de que a dimensão do mercado iraniano (80 milhões de
habitantes) é um destino apetecível para a produção
norte-coreana, com escassas opções devido às sanções.
Outro aliado relevante é o Paquistão, país com que Pyongyang
mantém relações diplomáticas desde os anos 70. Além da vertente
comercial, foi do "pai" do nuclear paquistanês, Abdul
Qadeer Khan, que a Coreia do Norte obteve informação importante
para desenvolver o processo de enriquecimento de urânio.
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