Durante os oito anos de reinado de Geraldo Brindeiro na
Procuradoria-Geral da República, por seu hábito de engavetar
investigações, ele foi alvo de críticas aqui fora e entre seus colegas
no ministério público.
Andrei Meireles- Em um restaurante em Brasília, oito procuradores se reuniam toda
sexta-feira para falar mal do chefe Brindeiro. Eles se batizaram como a
Confraria do Tuiuiú, uma desengonçada ave pantaneira com dificuldade de
voar.
Alguns deles estavam na fila para suceder Brindeiro. Quando achavam
que ia dar certo, Fernando Henrique reconduzia Brindeiro outra vez.
Ninguém conseguia alçar voo.
No centro da mesa no restaurante Intervalo, ali na Rua dos
Restaurantes, era sempre colocado um tuiuiú esculpido em ferro, pintado
em branco, amarelo e preto. Em casa ou no gabinete, cada um deles também
tinha uma chícara com a imagem da ave.
Os procuradores tinham apurado gosto. Escolheram o Intervalo, de
cozinha com pegada caseira, porque às sextas-feiras era servido ali um
cupim supimpa. Depois de 40 horas na vinha d´alho, a carne era cozida no
leite e, em seguida, dourada no forno.
O tempo passou, o vento mudou de rumo, e os tuiuiús chegaram ao
poder. Dos oito confrades, quatro se tornaram chefes do Ministério
Público nos últimos 14 anos: Cláudio Fontelles, Antonio Fernando,
Roberto Gurgel e Rodrigo Janot.
Outro quase chegou lá, o procurador Wagner Gonçalves, hoje
aposentado. Tem um que ainda está na fila, Carlos Frederico Santos. Ele
está em campanha para ter seu nome na lista tríplice, a ser eleita pelos
colegas, e encaminhada ao presidente Michel Temer.
Aliás, a tal lista tríplice foi uma ideia tuiuiú para barrar a turma
de Brindeiro, que tinha forte influência na cúpula política e pouco voto
na categoria. Eles sabiam disso porque comandavam a Comissão de
Concursos, onde eram anfitriões de todos os novos procuradores. Esse
controle da porta de entrada sempre rendeu votos.
Hoje, os tuiuiús estão em pé de guerra. Tem pena voando para todos os lados.
Motivo: a suposta intenção de Rodrigo Janot se candidatar a um terceiro mandato.
O que alguns tuiuiús dizem é que, nas sextas-feiras no Intervalo, os
confrades chegaram a um consenso. Quem conseguisse alçar voo e chegar lá
poderia cumprir no máximo dois mandatos como procurador-geral.
Cláudio Fontelles nem tentou o segundo. Antonio Fernando e Roberto
Gurgel optaram pelos dois mandatos. Ambos não escondem a contrariedade
com a possibilidade de Rodrigo Janot, que tem mandato até setembro,
entrar na briga pelo terceiro.
O que está em jogo é simplesmente o comando das investigações da Operação Lava Jato.
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