"Situação no Egito é caótica", afirma correspondente da Folha no país

3/11/2011 - 16h15

"Situação no Egito é caótica", afirma correspondente da Folha no país

DE SÃO PAULO
O clima na praça Tahir, no centro do Cairo, está tenso e há muita movimentação de ambulâncias levando os feridos dos confrontos, informa o correspondente da Folha, Marcelo Ninio no após sua chegada ao local.
"Tem muita gente na praça e muita correria, pois a toda hora tem boatos que o exército vai entrar na praça", relata.

Mahmud Hams/France Presse
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Nem mesmo a promessa de antecipar a eleição presidencial para o primeiro semestre de 2012 e de realizar um referendo sobre a transferência imediata do poder provisório para os civis não foi suficiente para acalmar as centenas de milhares de manifestantes que ocupam o local, no centro do Cairo, há quatro dias.
Milhares de pessoas permanecem no local para exigir a saída dos militares do governo, apesar da promessa do marechal Hussein Tantaui de entregar o poder a um presidente eleito em 2012.
"O exército é considerado um traidor da revolução", relata Ninio.
A junta militar assumiu o poder no Egito em 11 de fevereiro, substituindo o presidente Hosni Mubarak, deposto após uma rebelião popular que teve como epicentro a praça Tahrir, no Cairo.
Sob intensa pressão de protestos nas ruas, o chefe da junta militar egípcia prometeu na noite de terça-feira transferir até julho o poder a um presidente civil, e fez uma oferta condicional para um fim imediato do regime militar.

Amr Nabil/Associated Press
Milhares de egípcios são vistos na praça de Tahrir durante protestos por mais democracia no país
Milhares de egípcios são vistos na praça de Tahrir durante protestos por mais democracia no país

IMPASSE
Nas últimas semanas, manifestantes, em sua maioria islamitas e jovens ativistas, vêm protestando contra um projeto de Constituição que, segundo eles, permitiria que os militares mantivessem muito poder. Segundo o projeto, os militares e seu orçamento não ficariam sujeitos a uma supervisão civil.
Na sexta-feira, mais de 50 mil egípcios compareceram à praça Tahrir para pressionar a junta militar a apressar a transferência do poder para um governo civil, depois de o gabinete interino apresentar uma proposta constitucional que reafirma o poder das Forças Armadas.
Os islamitas egípcios, que convocaram a manifestação, querem protestar contra o projeto proposto pelas autoridades, estimando que a prerrogativa corresponde ao futuro Parlamento que deve ser constituído a partir de eleições que começam em 28 de novembro.
A crise tem derrubado os mercados egípcios. O índice de referência da bolsa local caiu 11 por cento desde quinta-feira, chegando ao seu menor nível desde março de 2009. A libra egípcia registrou sua menor cotação frente ao dólar desde janeiro de 2005.
  COPIADO : http://www1.folha.uol.com.br/mundo

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