Tensão aumenta no Cairo a poucos dias das eleições

24/11/2011 - 09h52

Tensão aumenta no Cairo a poucos dias das eleições

DA BBC BRASIL
 Faltando menos de uma semana para as eleições parlamentares no Egito, o clima de revolta contra o governo aumenta em várias cidades, em especial na capital Cairo. Desde sábado, manifestantes pedem a renúncia da junta militar que controla o país e de seu líder, marechal Mohamed Hussein Tantawi.
Desde o último dia 19, quando as forças de segurança tentaram remover dezenas de manifestantes acampados na praça Tahrir, no centro do Cairo, ativistas e simpatizantes de partidos políticos diversos compareceram em peso para ocupar o local.
Os confrontos entre manifestantes e polícia, que agora estão no sexto dia, já deixaram mais de 35 mortos e mais de 3.000 feridos.
Em pronunciamento na TV, dois dos generais que comandam o país pediram desculpas à população pelas mortes de civis nos confrontos. Esta foi a primeira vez desde o início dos confrontos que integrantes da junta militar se desculpam pela violência usada na repressão dos protestos.
Nas ruas, a população continua desconfiada dos militares e já não confia na instituição que, até a revolução que tirou Hosni Mubarak do poder, era admirada e respeitada pelos egípcios.
Em cafés e locais de concentração de de pessoas para um momento de lazer, os rumores frequentes são de que os militares manterão seu domínio sobre o país, mesmo após a eleição de um novo governo civil.

Mohammed Abu Zaid/Associated Press
Manifestantes egípcios se protegem atrás de barricada montada na praça Tahrir, no Cairo
Manifestantes egípcios se protegem atrás de barricada montada na praça Tahrir, no Cairo

Após rumores de que o pleito do dia 28 de novembro seria cancelado, o Conselho Supremo das Forças Armadas, que assumiu o controle do Egito após a queda do ex-ditador Hosni Mubarak em fevereiro deste ano, confirmou a realização das eleições na data marcada.
REGIME CONTINUA
No centro do Cairo, Hashem Saad vende máscaras para manifestantes que se dirigem à praça Tahrir. De voz calam e sorridente, ele avisa aos clientes que há todo tipo de máscaras para diversos propósitos.
"Se vocês querem apenas acompanhar as manifestações, tenho máscaras baratas. Mas se querem ir combater a polícia, tenho um tipo de melhor qualidade", salienta ele.
Perguntado pela BBC Brasil sua opinião sobre a junta militar, Saad logo responde que depois da revolução do início do ano, os egípcios foram se dando conta de que somente tiraram do poder a cabeça do antigo regime.
"Estes que estão no poder, tanto o governo civil interino quanto os militares são parte do antigo regime. Nós queremos acabar o que começamos no início do ano", disse Saad.
Sobre a crescente tensão, ele admite que a violência pode fugir ao controle e que os egípcios cansaram de tantas mortes.
"Mas estamos cientes de que só a força do povo nas ruas vai mudar a situação no país. Nestes meses pós-Mubarak, não vimos nada de concreto sendo feito, somente os militares fazendo manobras para garantir que mantenham poder e autonomia em relação ao governo civil".
MAIS EXPERIENTES
Em outros bairros do Cairo, como Zamalek, Dokki e Mohandisen, a vida segue normal. Para um desavisado, a impressão é de que as pessoas nao se interessam pelo que ocorre na praça Tahrir, símbolo da revolução que derrubou Mubarak.
Mas nas conversas em cafés e restaurantes, o assunto é o futuro político do país e os confrontos entre jovens e polícia nas imediações da Tahrir.
O advogado Mohamed el Bakri esclarece que a diferença desta "nova revolução" em relação à anterior é que os egípcios ficaram m ais experientes.
"Na outra, o país parou porque a população ficou incrédula, não sabia o que fazer e como lidar com as adversidades quando o Egito parou por conta de protestos, confrontos e mortes. Muitos se sentiram incomodados porque a vida não corria normalmente".
Segndo el Bakri, desta vez os egípcios lidam melhor com a situação, levando a vida normalmente enquanto na Tahrir está sendo decidido o futuro do país.
"Não que a gente não se importe. Pelo contrário, eu e outros estamos do lado dos manifestantes. Mas o país precisa continuar com sua vida normal, para que a economia e o cotidiano não parem como da outra vez"
Copiado : http://www1.folha.uol.com.br/mundo

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