Greve na Argentina tem confronto entre manifestantes e polícia Vias estão bloqueadas em Buenos Aires. Sindicatos desafiam Kirchner com greve geral Paralisação na Argentina cancela parte dos voos que saem do Brasil

Greve na Argentina tem confronto entre manifestantes e polícia (Victor R. Caivano/AP)
Greve na Argentina tem confronto entre manifestantes e polícia
Vias estão bloqueadas em Buenos Aires.

10/04/2014 10h26 - Atualizado em 10/04/2014 12h04

Confronto em dia de greve geral deixa feridos na Argentina

Transportes e servidores públicos aderiram a greve geral no país.
Eles reivindicam reajuste de salários e redução de impostos.

Do G1, em São Paulo
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Manifestante encara a barreira de policiais com fogo ao fundo em rodovia de acesso a Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)Manifestante encara a barreira de policiais com fogo ao fundo em rodovia de acesso a Buenos Aires (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
Piquetes realizados em vias de Buenos Aires na Argentina, terminaram em confronto entre manifestantes de esquerda e policiais que tentavam dispersá-los nesta quinta-feira (10), dia em que as centrais sindicais convocaram uma greve geral no país, desafiando a presidente Cristina Kirchner.
Desde a madrugada grupos de esquerda radical formaram piquetes nas principais rotas de acesso a Buenos Aires.
Segundo o jornal argentino Clarín, a rota Panamericana, que dá acesso à capital federal,  amanheceu bloqueada nesta manhã. Policiais foram para o local e houve um confronto. Os policiais dispararam balas de borracha, enquanto alguns manifestantes responderam jogando pedras.
Pelo menos uma pessoa foi detida. Segundo o jornal La Nación, pelo menos duas pessoas ficaram feridas - um manifestante e um policial. Ambos foram socorridos. Após o momento de tensão, a situação se acalmou na região.
A greve começou no primeiro minuto desta quinta com o cessar das atividades nos postos de combustível e transporte público, setor-chave para que a ação sindical tenha êxito neste país de 40 milhões de habitantes.
Em entrevista coletiva, o chefe de gabinete do governo argentino, Jorge Capitanich, afirmou que os organizadores da greve "pretendem sitiar os grandes centros urbanos com um grande piquete nacional", em referência aos 40 cortes e bloqueios de vias estabelecidos em todo o país.
"Essa é uma antiga metodologia medieval. Na Idade Média, os senhores feudais impediam o acesso à população. Não há lugar para a barbárie nem para medidas que conspiram contra o livre direito de greve dos trabalhadores", disse Capitanich.
"O direito a greve é um direito consagrado na Constituição e me parece completamente legítimo seu uso", argumentou o chefe de Gabinete, embora "o que não se pode fazer é impedir o livre exercício desse direito", acrescentou.
"Há trabalhadores que não estão de acordo e não podem ir para seus lugares de trabalho", denunciou.

Voos cancelados
As companhias aéreas Aerolíneas Argentinas, Austral, LAN e outras empresas privadas paralisaram suas operações, confirmou o titular da Associação de Técnicos Aeronáuticos (APTA), Ricardo Cirielli, à rádio Continental.
Veja acima relato do correspondente da GloboNews em Buenos Aires, Ariel Palacios
A chilena LAN, que conta com quase 30% do mercado doméstico argentino, "se viu na obrigação de cancelar todos os voos dentro da Argentina e alguns internacionais devido à greve", explicou a empresa.
O protesto, ao qual aderiram os sindicatos dos transportes públicos e importantes associações de caminhoneiros e servidores públicos, reivindica um reajuste dos salários e uma redução dos altos impostos que incidem sobre a renda, após uma desvalorização do peso argentino de 35% em 12 meses.
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Grevista se posiciona em frente a policiais durante bloqueio a avenida em greve geral na Argentina (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)Grevista se posiciona em frente a policiais durante bloqueio a avenida em greve geral na Argentina (Foto: Enrique Marcarian/Reuters)
O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, um dos organizadores da greve, disse que a presidente se comporta com "orgulho" e pediu que ela ouça às queixas.
"A paralisação é para ratificar que haja articulações (negociações salariais) livres", disse Moyano, que também pediu um aumento salarial "de emergência" aos aposentados e medidas governamentais para conter a crescente violência urbana.
Moyano, também líder dos caminhoneiros, comanda um sindicato do qual dependem desde o transporte de jornais, combustíveis e valores até a coleta de lixo e a provisão de comida para as companhias aéreas.
Uma das razões da greve é a reivindicação de uma atualização, devido à inflação, do imposto incidente sobre os lucros, que se aplica aos salários.
A Argentina sofre com uma das maiores taxas de inflação do mundo enquanto a economia dá sinais de esgotamento após quase uma década de forte crescimento.
A tabela salarial sobre a qual incide o imposto foi atualizada apenas em anos recentes e acabou defasada por causa dos ajustes salariais em decorrência da elevada inflação, que supera os 30% anuais.
Policiais da tropa de choque da Argentina se posicionam em frente a um cartaz da seleção de futebol para observar os manifestantes em dia de greve geral no país (Foto: Victor R. Caivano/AP)Policiais da tropa de choque da Argentina se posicionam em frente a um cartaz da seleção de futebol para observar os manifestantes em dia de greve geral no país (Foto: Victor R. Caivano/AP)
A tabela do imposto não se atualiza automaticamente em relação ao custo de vida e depende somente da decisão da presidente.
O governo afirmou que o protesto tem motivos políticos e não sindicais, ao acusar os sindicalistas de estarem alinhados com o líder opositor Sergio Massa, um peronista que abandonou o governo e agrupa atrás de si as forças de oposição, visando as eleições presidenciais no fim de 2015.
A greve, que se prolonga por toda a quinta, vai afetar a principal região agroexportadora no momento em que a colheita de soja, principal plantação do país, está no auge.
A Argentina é o maior exportador mundial de óleo e farinha de soja e o terceiro de milho.
A alta instabilidade social da Argentina, onde são frequentes o bloqueio de ruas e as manifestações sociais, deve se intensificar durante a realização das negociações salariais anuais, que acabam de começar entre os sindicatos e as organizações patronais.
Polícia faz barreira contra manifestantes em Buenos Aires no dia de greve geral na Argentina (Foto: Victor R. Caivano/AP)Polícia faz barreira contra manifestantes em Buenos Aires no dia de greve geral na Argentina (Foto: Victor R. Caivano/AP)
Manifestantes protestam em rodovia de acesso a Buenos Aires nesta quinta-feira (10) (Foto: Victor R. Caivano/AP)Manifestantes protestam em rodovia de acesso a Buenos Aires nesta quinta-feira (10) (Foto: Victor R. Caivano/AP)
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 COPIADO http://g1.globo.com/mundo

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