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Após denúncias de estupro, Medicina USP suspende festas
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Festa para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
1 / 13Nessa época do ano, é comum que alunos veteranos preparem a "recepção" dos novos colegas em faculdades e universidades. Do tradicional corte de cabelo aos banhos de tinta, os trotes costumam ser apenas uma brincadeira saudável. No entanto, são frequentes os casos de trotes violentos em todo o país. Um dos mais trágicos foi o que levou à morte do estudante Edison Tsung Chi Hsueh, em 1999. Calouro da Faculdade de Medicina da USP, ele foi encontrado morto dentro de uma piscina após um churrasco de recepção. Quatro pessoas chegaram a ser acusadas por sua morte, mas o caso foi arquivado em 2006. Veja outros Leia mais César Rodrigues/FolhapressMedicina da USP suspende festas no campus após denúncias
Em São Paulo
Compartilhe48211Imprimir Comunicar erroA direção da FMUSP (Faculdade de Medicina da USP) emitiu nesta terça-feira (18) uma resolução que suspende as festas realizadas pelo Centro Acadêmico no campus da universidade. A medida foi adotada após a denúncia de duas alunas da USP de estupros em confraternizações da faculdade.
A decisão da direção foi tomada emergencialmente, pois nesta quarta estava marcada a festa Quarta Insana, que reuniria estudantes da Medicina, Nutrição e Enfermagem. Segundo a direção da Faculdade, a suspensão foi tomada em conjunto para evitar qualquer tipo de situação que possa resultar em infrações.
O cancelamento das festas dentro da faculdade será válido até o dia 26 de novembro, na próxima quarta-feira, quando a Congregação da Faculdade de Medicina fará uma reunião extraordinária para discutir as denúncias de estupro. A direção vai discutir quais medidas podem ser adotadas para regular as festas dos estudantes ou até mesmo suspender as confraternizações no interior da universidade.
A AAAOC (Associação Atlética Acadêmica) recebeu a notificação e cancelou o evento desta quarta, que já tinha mais de 500 convidados confirmados. A reportagem entrou em contato com o CAOC, que preferiu não se manifestar.
Denúncias
Festa para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
11 / 13Em fevereiro de 2013, um trote organizado por veteranos da USP (Universidade de São Paulo) em São Carlos terminou em baixaria. Alguns alunos chegaram a ficar pelados e fizeram gestos obscenos para hostilizar um grupo de feministas que protestava contra o "Miss Bixete", espécie de concurso de beleza a que as calouras são submetidas Leia mais Divulgação/Frente FeministaFesta para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
8 / 13Outra cena de selvageria em um trote universitário foi registrada na Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco), quando calouros foram amarrados uns aos outros e veteranos atiraram baldes com fezes de animais contra eles Leia mais Leandro Moraes/UOLFesta para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
5 / 13Outro trote abusivo em uma cidade do interior de São Paulo ocorreu em Fernandópolis (554km de São Paulo), no mesmo mês de 2010, quando um calouro de 18 anos foi obrigado a beber etanol. O caso também envolveu agressões físicas e psicológicas durante oito horas Leia mais Isadora Brant/FolhapressFesta para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
4 / 13Em fevereiro de 2010, sete estudantes da Unifeub (Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos) foram alvo de um trote violento. Veteranos jogaram criolina nos calouros, provocando queimaduras. As lesões posteriormente foram consideradas leves e o caso foi arquivado após as duas vítimas que haviam registrado ocorrência retirarem as queixas Leia mais Silva Júnior/FolhapressFesta para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
3 / 13Em fevereiro de 2009, o estudante Bruno César Ferreira, na época com 21 anos, entrou em coma alcoólico depois de ser obrigado a ingerir grandes quantidades de bebida durante um trote em Leme, no interior de São Paulo. O calouro acabou sendo espancado por diversos estudantes e ficou bastante machucado Leia mais ReproduçãoFesta para calouros, trotes têm histórico de violência; reveja casos13 fotos
2 / 13Em 1998, o estudante Rodrigo Favoretto Peccini foi vítima de um trote violento, quando era calouro da Faculdade de Medicina da PUC de Sorocaba. Três veteranos atearam fogo em seu corpo após um ritual de bebedeira. Leandro Oliveira Pinho, Marcelo Tiezzi e Rodrigo Bornstein Martinelli chegaram a ter seu julgamento marcado em um júri popular por tentativa de homicídio, mas a acusação foi reduzida para lesão corporal pela Justiça de São Paulo. Atualmente, o caso aguarda análise de um recurso do Ministério Público pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) Leia mais Evelson de Freitas/Folhapress
Há uma semana, duas alunas da USP relataram publicamente estupros sofridos em festas promovidas por alunos da instituição na capital. Os depoimentos foram realizados em audiência pública na Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo). Uma estudante do 4º ano, de 24 anos, disse que sofreu dois estupros em 2011 em festas da associação.Leonardo Soares/UOL Eu procurava as pessoas para saber se testemunhariam, e eu sentia que eles se mostravam receosos e esquivos. Todo mundo falava que eu tinha que deixar isso para trás, que tinha que tocar a minha vida para a frente. Chegavam a falar que eu não ia conseguir provar Rosa, estudante de medicina da USP, vítima de estupro em 2011
Outra estudante, também sem identificação, contou que foi violentada sexualmente na festa Cervejada, em 2013, organizada pelos estudantes de Medicina. Ela disse ter sido abordada por dois alunos, do 4º e do 5º ano, que a chamaram para beber no carro de um deles. Quando a jovem foi até o local, alegou ter sido abusada. "Passaram a mão nas minhas partes íntimas. Eu gritei para que parassem e continuaram".
O Ministério Público abriu inquérito no final de agosto para apurar o caso. Nesta quarta, uma comissão da FMUSP vai prestar depoimento no MP sobre oito denúncias de violência sexual. Segundo os promotores que investigam o caso, as vítimas afirmam que "não houve suporte" da diretoria da faculdade na apuração dos casos.
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