Uma empresa que tem como sócio o lobista Fernando Soares, que se
entregou nesta terça-feira (18) à Polícia Federal em Curitiba, tem
contratos de R$ 71,2 milhões com a Petrobras, segundo documentos obtidos
pela Folha.
Conhecido como Fernando Baiano, ele é apontado como o elo entre os
desvios da estatal investigados pela Operação Lava Jato, que apura
fraudes em licitações e propina a políticos, e o PMDB.
Baiano teve a sua prisão decretada pelo juiz Sergio Moro sob suspeita de
intermediar o pagamento de propina para peemedebistas. O PMDB refuta
ter qualquer relação com o lobista.
Um dos delatores da Operação Lava Jato, o empresário Julio Camargo, do
grupo Toyo Setal, relatou a procuradores que Baiano recebeu propina de
US$ 8 milhões para que a sua empresa conseguisse fechar um contrato de
sondas com a Petrobras.
A empresa da qual Baiano é sócio, a Petroenge Petróleo e Engenharia,
presta serviços de manutenção e de apoio para as plataformas marítimas
de extração de petróleo da estatal, segundo consta dos contratos
assinados.
A Petroenge fica em Macaé, no Rio de Janeiro, onde estão localizadas as empresas que atuam na bacia de Campos.
A empresa tem três filiais no Espírito Santo e uma na Bahia, todas em
cidades em que a Petrobras tem unidades: Vitória (ES), Anchieta (ES),
Linhares (ES) e São Sebastião do Passe (BA).
Desde 2007, quando a Petroenge fechou o primeiro negócio com a estatal, a
Petrobras assinou 86 contratos com a empresa, num total de R$ 131,6
milhões, segundo dados da própria estatal, disponibilizados em seu site.
NEGÓCIOS
Baiano virou sócio da Petroenge por meio de outra empresa de que ele também é sócio, a Hawk Eyes Administração de Bens.
A Hawk Eyes detém 18% do capital da Petroenge, segundo a ficha
registrada na Junta Comercial do Rio. Ou seja: Baiano investiu R$ 748,8
mil numa empresa que tem capital de R$ 4,16 milhões, ainda de acordo com
a ficha cadastral da empresa.
O sócio majoritário da Petroenge, Guilherme Mendes Spitzman Jordan, foi
secretário da Prefeitura de Macaé quando o prefeito da cidade era do
PMDB.
Segundo o empresário, Baiano apenas investiu no negócio e não tem qualquer ingerência nos contratos (leia texto ao lado).
Na terça-feira (18), o juiz federal Sergio Moro determinou que o sigilo da empresa seja quebrado.
A Hawk Eeyes, por sua vez, é controlada por uma empresa que tem sede em Londres, no Reino Unido, a Falcon Equity Limited.
DEPOIMENTO
Baiano é sócio de outra empresa que deve ter o sigilo bancário quebrado
por determinação da Justiça Federal do Paraná: Technis Planejamento e
Gestão.
Até o ano passado ele tinha participação na Academia da Praia, um
tradicional centro de ginástica na Barra da Tijuca, na zona sul do Rio.
O negócio foi vendido para o grupo Bodytech, que tem entre seus sócios os empresários Alexandre Accioly e João Paulo Diniz.
O lobista está preso na carceragem da Polícia Federal em Curitiba, sede
das investigações da Lava Jato, e deve prestar depoimento nesta
sexta-feira (21).
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Editoria de arte/Folhapress |
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| COPIADO http://www1.folha.uol.com.br/ |
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