Jovens Leiam - Anos de chumbo no Brasil Dez razões para não ter saudades da ditadura Golpe militar e suas consequências

 

Dez razões para não ter saudades da ditadura

Carlos Madeiro
Do UOL, em Maceió
Compartilhe1,1 mil69,4 mil
Imprimir Comunicar erro
Ampliar

Veja fotos históricas do golpe de 1964 e da ditadura militar (1964-1985)15 fotos

9 / 15
O general e presidente do Brasil Ernesto Geisel (Arena) recebe cumprimentos em forma de continência de militar, no Rio de Janeiro. Geisel, que governou de 1974 a 1979, assumiu a presidência prometendo um retorno à democracia por meio de um processo "gradual e seguro" Leia mais Manoel Pires/Folhapress

José Nascimento/Folhapress

1. Tortura e ausência de direitos humanos

As torturas e assassinatos foram a marca mais violenta do período da ditadura. Pensar em direitos humanos era apenas um sonho. Havia até um manual de como os militares deveriam  torturar para extrair confissões, com práticas como choques, afogamentos e sufocamentos.
Os direitos humanos não prosperavam, já que tudo ocorria nos porões das unidades do Exército.
"As restrições às liberdades e à participação política reduziram a capacidade cidadã de atuar na esfera pública e empobreceram a circulação de ideias no país", diz o diretor-executivo da Anistia Internacional Brasil, Atila Roque.
Sem os direitos humanos, as torturas contra os opositores ao regime prosperaram. Até hoje a Comissão Nacional de Verdade busca dados e números exatos de vítimas do regime.
"Os agentes da ditadura perpetraram crimes contra a humanidade --tortura, estupro, assassinato, desaparecimento-- que vitimaram opositores do regime e implantaram um clima de terror que marcou profundamente a geração que viveu o período mais duro do regime militar", afirma.
Para Roque, o Brasil ainda convive com um legado de "violência e impunidade" deixado pela militarização. "Isso persiste em algumas esferas do Estado, muito especialmente nos campos da justiça e da segurança pública, onde tortura e execuções ainda fazem parte dos problemas graves que enfrentamos", complementa.

Acervo UH/Folhapress

2. Censura e ataque à imprensa

Uma das marcas mais conhecidas da ditadura foi a censura. Ela atingiu a produção artística e controlou com pulso firme a imprensa.
Os militares criaram o "Conselho Superior de Censura", que fiscalizava e enviava ao Tribunal da Censura os jornalistas e meios de comunicação que burlassem as regras. Os que não seguissem as regras e ousassem fazer críticas ao país, sofriam retaliação --cunhou-se até o slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o."
Não são raras histórias de jornalistas que viveram problemas no período. "Numa visita do presidente (Ernesto) Geisel a Alagoas, achamos de colocar as manchetes no jornalismo da TV: 'Geisel chega a Maceió; Ratos invadem a Pajuçara'. Telefonaram da polícia para o Pedro Collor [então diretor do grupo] e ele nos chamou na sala dele e tivemos que engolir o afastamento do jornalista Joaquim Alves, que havia feito a matéria dos ratos", conta o jornalista Iremar Marinho, citando que as redações eram visitadas quase que diariamente por policiais federais.
Para cercear o direito dos jornalistas, foi criada, em 1967, a Lei de Imprensa. Ela previa multas pesadas e até fechamento de veículos e prisão para os profissionais. A lei só foi revogada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em 2009.
Muitos jornalistas sofreram processos com base na lei mesmo após a redemocratização. "Fui processado em 1999 porque publiquei declaração de Fulano contra Beltrano. A Lei de Imprensa da Ditadura permitia isso: punir o mensageiro, que é o jornalista", conta o jornalista e blogueiro do UOL, Mário Magalhães.

Golpe militar e suas consequências

Escrito po: Neemias Rodrigues, secretário de Comunicação da CUT/MG

20/03/2014

Esse é o momento de trabalharmos cada vez mais na consolidação da democracia

Na próxima semana o golpe civil militar que abalou o Brasil completa 50 anos. No dia 1º de abril, tropas saídas de Juiz de Fora chegaram ao Rio de Janeiro e decretaram que o governo de João Goulart, eleito democraticamente, tinha chegado ao fim.
As elites econômicas sempre tiveram dificuldade em aceitar a democracia: assim era em 1964. Havia uma efervescência social, sindical e cultural. As manifestações, greves, protestos, agitos culturais eram constantes. E isso incomodava muito a elite e os militares. O comunismo assustava essa elite também, que usou e abusou de uma pretensa ameaça de tomada do poder pelos comunistas. E qualquer um que não pensasse como a elite, era considerado, naquele momento, comunista.
Não é possível imaginar uma democracia onde não haja o conflito de ideias, as manifestações, o povo na rua. Esses elementos são o fundamento da democracia. Sem eles, ela não existe.
Esse ambiente democrático, junto a um governo que dialogava com os movimentos sociais e que falava em reformas de base era a justificativa principal para o golpe. E não podemos dizer que foi apenas um golpe militar, porque empresários, mídia e parte da classe média apoiou o golpe. Por isso falar em golpe civil militar é o mais correto.
Golpe significa, entre outras coisas, ruptura. Foram rompidos todos os laços de associativismo, as experiências democráticas de participação popular, os diversos acúmulos de organização social no campo e na cidade. Isso gerou um retrocesso enorme na luta dos trabalhadores e das trabalhadoras e obrigou que as novas gerações começassem do zero a reconstrução desses laços. As consequências são enormes para as organizações, mas, pior que isso, para a própria democracia e para a sociedade como um todo.
Após o golpe, o Brasil passou a viver um dos piores momentos de sua história. Com intervenção nas entidades sindicais, censura,  fim das liberdades de expressão, de reunião, cassação de mandatos de parlamentares – vivendo um simulacro de parlamento, até seu fechamento em 1968, por intermédio do AI-5 -, mortes, exílio e vários outros tipos de sofrimento físico e mental. Até o fim da ditadura, esse era o cenário enfrentado pela esquerda em geral, e o movimento sindical em particular.
Mas os trabalhadores e as trabalhadoras vergaram, mas não quebraram. Em 1968, aconteceu a greve em Contagem, quando os trabalhadores e trabalhadoras ocupam fábricas e obrigaram os patrões,  amparados pela ditadura, a negociar. Durante a década de 70 se constrói o novo sindicalismo a partir do ABC, que foi fundamental para o fim da ditadura e a volta da democracia.  
A luta pelas “Diretas Já” marcou o início dos anos 80, e a luta dos movimentos sindicais e sociais por mais democracia permaneceu até os anos 90. Nesse meio tempo, foi elaborada a Constituição da República, promulgada em outubro de 1988. Não foi a constituição dos sonhos, mas a pressão exercida pelas ruas fez sair uma carta magna diferente daquela desejada pelas elites. Que tanto quiseram piorá-la durante a década de 90. E conseguiram artifícios para impedir maiores avanços. Cito dois exemplos: a não regulamentação do Artigo 192, que trata do Sistema Financeiro Nacional (SFN). Não por acaso o setor mais rico e poderoso do país. Até hoje esse artigo não foi regulamentado, o que deixa banqueiros muito à vontade, inclusive tendo o Banco Central a seu serviço, legislando através de resoluções a favor de banqueiros.
Outro exemplo é a não regulamentação dos Artigos 221, 222, 224, que tratam das comunicações. Não por coincidência esses artigos estão até hoje sem regulamentação. Sabemos do poder que essas empresas possuem e porque impedem a regulamentação. São contra a verdadeira liberdade de expressão e não querem dar voz às trabalhadoras e aos trabalhadores.
Esses dois exemplos mostram que a nossa democracia ainda está inconclusa. Precisamos ter um SFN mais democrático, com a participação da sociedade civil no Conselho Monetário Nacional e nas decisões do BC. É urgente uma mídia mais plural, com liberdade de expressão, com mais conteúdo nacional e das diversas regiões do país, sem monopólio, sem propriedade cruzada e que dê voz a todas e todos. Precisamos ampliar os espaços de democracia direta e de democracia participativa na vida pública. E precisamos ampliar a democracia dentro dos locais de trabalho também. Ainda temos muito a construir.
Apesar da nossa democracia ainda estar em construção, é inadmissível imaginar a quebra dela. Saudosos da ditadura voltam a defender o terror, a tortura, as mortes, a dor, a censura tudo isso travestido de ordem. Mas é pra frente é que se anda. Esse é o momento de trabalharmos cada vez mais na consolidação da democracia.
 

Anos de chumbo no Brasil

Os Anos de Chumbo foram o período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, estendendo-se basicamente do fim de 1968, com a edição do AI-5 em 13 de dezembro daquele ano, até o final do governo Médici, em março de 1974. Alguns, reservam a expressão "anos de chumbo" especificamente para o governo Médici.2 O período se destaca pelo feroz combate entre a extrema-esquerda versus extrema-direita, de um lado, e de outro, o aparelho repressivo policial-militar do Estado, eventualmente apoiado por organizações paramilitares e grandes empresas, tendo como pano de fundo, o contexto da Guerra Fria.[carece de fontes]
Durante esse período, houve o desaparecimento e morte de centenas de militantes civis e ativistas envolvidos em atividades consideradas subversivas pelo governo militar ditatorial. Outros desses militantes foram obrigados a viver na clandestinidade ou pedir asilo político em outros países. Nessa época, a liberdade de imprensa, de expressão e manifestação foram cerceadas. Alguns veículos, como a Rede Globo e a editora Manchete, são acusados de terem compactuado com o governo, na tentativa de transmitir a imagem de que uma revolução não estava em curso —enquanto a imprensa que se opunha ao militarismo tinha de driblar a Censura para fazer uma crítica velada ao governo em veículos como o jornal Pasquim, entre outros.
Os "Anos de Chumbo" foram também os anos do chamado milagre econômico brasileiro, período de intenso crescimento econômico e de posterior endividamento. De 1968 a 1973 o PIB do Brasil cresceu acima de 10% ao ano, em média, apesar da inflação, que oscilou entre 15% e 20% ao ano, e da grande concentração de renda, com redução dos salários reais, acentuação da desigualdade social e aumento da pobreza, com cerceamento às liberdades individuais associado à repressão política.[c

 copiado https://www.google.com.br/







Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...