Líder do "centrão" parlamentar Rosso é candidato a suceder Maia na presidência da Câmara
Rosso entra na disputa pela sucessão de Maia
Josias de Souza
Em carta dirigida aos 512 colegas, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), do centrão, expôs a plataforma que pretende defender na sua campanha à presidência da Câmara para o biênio 2017-2018. Ele se oferece como um nome capaz de promover a “união” entre os partidos.
Rosso elogia na carta a “maestria e o equilíbrio” com que Rodrigo Maia (DEM) vem presidindo a Câmara. Em seguida, anota: “Sabemos que os próximos anos serão ainda mais desafiadores. Precisamos de ainda mais firmeza e união para ajudar a reequilibrar o país e para mostrar à população que a classe política está ao seu lado e que somos seus aliados.”
Em viagem a Lisboa, Rosso conversou com o blog por telefone. Confirmou que a carta é o ato inaugural de sua candidatura. “Tenho a disposição de construir um consenso que una os partidos de centro, os outros partidos que apoiam o governo e toda a Casa”, disse.
A sucessão de Rodrigo Maia só ocorrerá em fevereiro de 2017. Mas as articulações fervem nos subterrâneos de Brasília há semanas. O próprio Maia move-se para permanecer no cargo. Terá de superar dúvidas legais sobre a possibilidade de concorrer depois de ter completado o mandato de Eduardo Cunha. Os tucanos Antonio Imbassahy (BA) e Carlos Sampaio (SP) também ambicionam o posto. Mas Rosso é o primeiro a admitir suas prentensões.
Rosso já havia concorrido ao cargo após a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso em Curitiba há duas semanas. Perdeu para Rodrigo Maia. “Da outra vez, meu nome também foi colocado. Mas não me entusiasmava a ideia de cumprir um mandato-tampão”, afirmou Rosso. “Dessa vez, estou disposto a enfrentar uma campanha. Mas quero trabalhar pelo consenso.”
O Planalto está feliz com a gestão de Rodrigo Maia. Mas não esboçou, por ora, nenhuma predileção. Receia promover a discórdia entre seus aliados num instante em que precisa de unidade para aprovar reformas como a da Previdência.
Liderança emergente do partido do ministro Gilberto Kassab (Comunicações), Rosso entoa um discurso que orna com as preocupações do governo: “2017 será o ano das reformas. Além da previdenciária, há a reforma política. E a reforma dos tributos, tão importante quanto as outras. Se não tivermos uma base muito unida, integrada, haverá muita dificuldade. Teremos de compor toda a Mesa Diretora da Câmara e as comissões. Temos que evitar a atmosfera de disputa.”
Abaixo, uma cópia da carta emdereçada por Rogério Rosso aos colegas.
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