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Tsipras acusa FMI e Schäuble de "brincarem com o fogo"
Primeiro-ministro grego confiante, mesmo assim, de que será encontrado um acordo com os credores.
REUTERS/Michalis Karagiannis
Primeiro-ministro grego confiante, mesmo assim, de que será encontrado um acordo com os credores.
O
primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, apelou hoje ao FMI e ao
ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, para que parem de
"brincar com o fogo", culpando-os pelo impasse nas negociações entre a
Grécia e os credores.
Na abertura de
uma reunião do seu partido, o Syriza (de esquerda), e um dia depois da
reunião inconclusiva em Bruxelas, o primeiro-ministro mostrou-se no
entanto confiante de que, no final, será encontrado um acordo entre a
Grécia e os credores.
Tsipras
condicionou um regresso a Atenas dos representantes dos credores a uma
mudança no Fundo Monetário Internacional (FMI): "Esperamos que o FMI
reveja as suas previsões o mais depressa possível (...) para que as
discussões possam continuar a nível técnico".
O
governante grego também referiu à chanceler alemã, Angela Merkel,
pedindo-lhe para "encorajar o seu ministro das Finanças a pôr fim à sua
agressividade permanente" em relação à Grécia.
Tsipras
falava um dia depois da reunião em Bruxelas que pretendia relançar as
negociações para manter o país sobre-endividado sob assistência
financeira, numa altura em que o receio de uma nova crise da dívida
grega é alimentado pela falta de entendimentos entre a zona euro e o
FMI.
O FMI exige um alívio substancial
da dívida grega, uma opção que Berlim afasta, e medidas suplementares de
austeridade, que Atenas rejeita, para alcançar o objetivo ambicioso de
conseguir um excedente orçamental.
Depois
da reunião de sexta-feira em Bruxelas, o presidente do Eurogrupo,
Jeroen Dijsselbloem, disse que a Grécia, os seus credores europeus e o
Fundo Monetário Internacional (FMI) avançaram quanto aos requisitos para
permitir um regresso da missão de supervisão a Atenas na próxima
semana.
"Hoje fizemos progressos
substanciais e estamos perto de um entendimento para que a missão (da
Comissão Europeia, do Banco Central Europeu, do Mecanismo Europeu de
Estabilidade e do FMI) regresse a Atenas na próxima semana", informou
Dijsselbloem no final de uma reunião destinada a alcançar um acordo que
permita encerrar a avaliação que decorre no âmbito do resgate financeiro
ao país.
A Grécia fez-se representar na reunião pelo ministro das Finanças, Euclides Tsakalotos.
A
segunda missão de avaliação do cumprimento das condições do resgate por
parte de Atenas continua pendente dado que os credores europeus e o FMI
não chegaram a acordo sobre as reformas e a trajetória orçamental para o
país a partir de 2018.
Num relatório
divulgado esta semana, o FMI considera a dívida grega "insustentável" e
"explosiva" e lança dúvidas sobre a capacidade de a Grécia alcançar um
excedente primário de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de
2018, um objetivo fixado pelos parceiros europeus ao país, que tem
estado sob assistência financeira internacional desde 2010.
O
FMI condiciona a sua participação financeira no resgate concedido pelos
europeus à Grécia em 2015 à adoção de mais reformas no país,
nomeadamente no sistema de pensões e a um compromisso da zona euro no
sentido de aliviar a dívida grega para a colocar a um nível
"sustentável".
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