Ministro Ricardo Lewandowski, revisor do processo. Foto:STF/Divulgação
joao paulo cunha
Não surpreendeu, ontem, e à luz das provas, o voto do revisor Lewandowski pela condenação de Pizzolato, Marcos Valério e seus dois sócios publicitários. Foram outras as surpresas, quer dentro quer fora dos autos do Mensalão.
 
A primeira surpresa ficou por conta da indefinição sobre Peluso antecipar todo o seu voto. A respeito, houve um balão de ensaio solto no final da semana passada pelo presidente Ayres Britto. E provocou, pela teratologia, agitação até nos cemitérios onde estão sepultados alguns ministros processualistas que brilharam ao passar pela Corte suprema.
 
Apesar da grande repercussão e expectativas geradas, Britto não reafirmou que Peluso poderia votar como quisesse. Peluso entrou mudo na sessão e saiu calado.
 
O revisor Lewandowski aproveitou para dizer, no início do seu voto, que não sairia um milímetro das imputações cuidadas por Barbosa e isto para não virar relator. Em outras palavras, deu a entender que Peluso viraria relator caso se antecipasse a Barbosa.
 
Outra deliberação de Lewandowski, além da surpresa, gerou especulações e reanimou os envolvidos na campanha de João Paulo Cunha à prefeitura de Osasco.
 
É que na primeira fatia do Mensalão o relator Barbosa apreciou as condutas criminosas imputadas ao deputado João Paulo Cunha e coautores.  A segunda fatia versou sobre as condutas de Pizzolato, Valério e os dois supracitados sócios.
 
Pois bem, Lewandowski começou, surpreendentemente, pela segunda fatia já cortada por Barbosa. E acompanhou Barbosa nas conclusões condenatórias. Mas, atenção, acompanhou Barbosa por motivos diversos.
 
Como dias antes Lewandowski  traiu-se ao anunciar que faria contraponto ao voto do relator Barbosa, e começou pela segunda fatia, muita gente saiu a falar que o contraponto começará hoje, com a absolvição de João Paulo Cunha por insuficiência de prova. 
 
A surpresa fora dos autos está relacionada a uma fundamental questão de cidadania e refere-se à falta de fiscalização e à má escolha de Pizzolato para exercitar, pelo enquadramento do Código Penal, função pública.
 
Pelos votos de Barbosa e Lewandowski, Pizzolato é um corrupto que ocupou o elevado posto de diretor de marketing e propaganda do Banco do Brasil e desviou uma fortuna. E Pizzolato chegou a trabalhar na administração financeira da campanha vitoriosa de Lula. 
 
 
Prezado leitor deste modesto blog, depois dos votos do relator e do revisor, você confiaria a Pizzolato numerário para a compra de ingresso para próximo Palmeiras x Corinthians?  
 
Wálter Fanganiello Maierovitch
 COPIADO : http://www.jb.com.br