Corrupção Perdas da Petrobrás com desvios podem chegar a R$ 21 bi, diz banco americano - Crise afeta nota de risco da Mendes Júnior e OAS; analistas projetam 'encolhimento' - Prisões de ex-diretor da Petrobrás e de cinco empreiteiros são mantidas; onze são soltos - Atual diretor da estatal fez contratos de R$ 2,6 bilhões com empresas do chamado 'clube' da propina
O Morgan Stanley fez suas estimativas com base na informação dada pelo
ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto da Costa de que as propinas
representaram 3% do que foi investido pela empresa nos últimos anos.
Levando em conta uma margem de erro, o banco considerou perdas de 1% a
5%, o que significariam baixas contábeis entre R$ 5 bilhões e R$ 21
bilhões.
Neste último caso, se o registro das perdas na contabilidade for feito
todo neste ano, não haverá pagamento de dividendos para os detentores
das chamadas ações ordinárias (com direito a voto nas principais
decisões das empresas).
Os bancos estão fazendo as contas depois que a própria Petrobrás admitiu
que terá de reduzir o valor de seus ativos caso sejam confirmadas as
denúncias de corrupção. Além disso, vários analistas financeiros alertam
os investidores para a redução no pagamento de dividendos este ano e
retiram a recomendação para a compra das ações da Petrobrás.
Os analistas do banco Safra que até ontem acreditavam que as ações da
Petrobrás teriam desempenho melhor do que outras ações, sugerindo
oportunidade de compra, rebaixaram a ação para "neutro", ou seja, nem
comprar, nem vender.
O Itaú BBA disse em relatório assinado por seus analistas que a cada R$ 1
bilhão de registro de baixa contábil que a Petrobrás tenha de fazer, os
detentores de ações com direito a voto, que deveriam receber R$ 0,37
por ação, vão receber R$ 0,02 menos. Na prática, se o rombo for de R$ 10
bilhões, o dividendo a ser pago cairá pela metade. Contas públicas. Um dos maiores prejudicados seria o
próprio governo federal que é dono de mais de 50% dessas ações e espera
fechar as contas com esses dividendos. O BNDES tem outros 10%. Já os
investidores estrangeiros, que possuem a ação negociada em Nova York,
têm quase 20%. Os investidores que têm ações preferenciais serão menos
afetados porque, pela lei, a Petrobrás é obrigada a pagar dividendo
mínimo, mesmo que tenha prejuízo.
Os relatórios dos analistas se mostram cautelosos, mas alertam para o
potencial de a situação da Petrobrás se agravar caso permaneça por um
longo período sob investigação a ponto de impedir que os auditores
avalizem seu balanço até meados do próximo ano. Se o balanço anual não
for auditado e publicado até lá, a empresa não terá como refinanciar sua
dívida que vence em 2015 e poderá ser forçada a pagar antecipadamente,
de uma só vez, US$ 57 bilhões em empréstimos, segundo dados do Morgan.
Quando a empresa faz um empréstimo, ela se compromete a manter margens
financeiras do seu negócio, que servem como garantia de solvência, e
também prestar informações atualizadas. Entre essas informações, estão
os balanços auditados por empresas independentes. Na semana passada, a
PricewaterhouseCoopers se negou a assinar o balanço trimestral antes do
fim da investigação que está sendo feita para apurar as perdas com os
desvios nas refinarias Abreu e Lima e Comperj. COPIADOhttp://economia.estadao.com.br/noticias/geral,perda-da-petrobras-com-desvios-pode-chegar-a-r-21-bi-diz-morgan-stanley-imp-,1594820
Nenhum comentário:
Postar um comentário