Afastamento Chance de reversão do ex-presidente da Câmara é baixa Juristas afirmam que defesa de Cunha não conseguirá reverter decisão do STF; Rogério Rosso (PSD-DF) é cotado para assumir a vaga Nos bastidores Ministros do STF discutiram prisão de Eduardo Cunha



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Juristas afirmam que defesa de Cunha não conseguirá reverter decisão do STF; Rogério Rosso (PSD-DF) é cotado para assumir a vaga

O dia seguinte ao afastamento do deputado Eduardo Campos (PMDB-RJ) do cargo de deputado federal e, consequentemente, da presidência da Câmara, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) foi de muitas dúvidas. A Câmara ainda não decidiu, por exemplo, se Cunha continuará a receber o salário de R$ 33.763, a cota mensal de R$ 92.053,20 para o pagamento de assessores e o chamado “cotão” de R$ 32,5 mil para despesas com material de escritório, transporte e alimentação. Também não foi definido se ele poderá continuar usando a residência oficial em Brasília até que saia a decisão final sobre seu mandato.
Para retomar o mandato, Cunha teria que reverter a decisão do STF. O deputado já anunciou que vai recorrer, mas juristas consideram que ele não conseguirá revertê-la. “Ele não tem chance nenhuma”, diz o presidente da Comissão de Estudos Constitucionais da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG), Mário Lúcio Quintão. “A chance de o STF mudar uma decisão tomada por unanimidade é zero”, concorda o professor de ciências políticas da UNB, David Fleischer.
O outro caminho seria a absolvição de Eduardo Cunha nos processos que responde no STF, no âmbito da operação Lava Jato. Um dos motivos do afastamento do peemedebista pelo STF foi o fato de ele não poder assumir a Presidência da República por ser réu no STF. Caso Dilma Rousseff seja afastada na semana que vem, Cunha assumiria o cargo na ausência do vice Michel Temer.
Colegiado. Já a perda definitiva do mandato está nas mãos da Câmara, que analisa o pedido de cassação desde dezembro de 2015. A Casa garante, porém, que o processo continuará caminhando na Comissão de Ética.

Câmara discute se mantém Maranhão ou se terá eleições

Brasília. Diante do afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), líderes partidários discutiram na noite de anteontem a possibilidade de se realizar uma nova eleição para a presidência da Casa. O encontro, no entanto, não foi conclusivo e os parlamentares devem se reunir novamente na próxima terça-feira.

A oposição pressiona os demais parlamentares para essa solução porque considera que a decisão do STF determina a vacância do cargo por tempo indeterminado.

As demais forças políticas da Casa entendem, no entanto, que o vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), tem legitimidade para assumir o comando da Câmara até fevereiro do próximo ano, quando os deputados escolherão um novo presidente.

Para o líder do PSD, Rogério Rosso (DF), os deputados precisam decidir conjuntamente qual interpretação vão dar para a decisão do STF. “A Casa precisa ter sua funcionalidade mantida e precisamos de todos juntos para enfrentar este momento. O regimento diz que o primeiro vice-presidente assume a presidência. Ele tem legitimidade para continuar”, disse.

Rosso é um dos cotados para assumir a presidência da Câmara caso haja novas eleições por dialogar tanto com a oposição quanto com a base aliada do governo e também com o grupo de Cunha.
Trancamento
Pauta. Aliados de Cunha vão pedir na próxima reunião do Conselho de Ética, na terça-feira, o trancamento do processo de cassação sob o argumento de que ele está afastado do mandato.
Regalias
R$ 92.053 é o valor da cota mensal para pagar os assessores.
R$ 32.500 para material de escritório, transporte e alimentação.
Seis meses já dura o processo na Comissão de Ética.

Por semana, gasto com frutas e verduras é de cerca de R$ 3.200

Brasília. Eduardo Cunha recebeu ontem, em casa, dois deputados: Rogério Rosso (PSD-DF) e André Moura (PSC-SE). Apenas Rosso ficou para o almoço.
No fim da manhã, chegaram à casa de Cunha quatro caixas de frutas e verduras. A entrega, que custou cerca de R$ 500, foi feita por funcionários de uma das lojas da Ceasa e paga através de boleto bancário.

As entregas à residência oficial da presidência da Câmara costumam ser diárias. Na segunda-feira é a compra “pesada”, de cerca de R$ 2.000. Nos outros dias, a média varia entre R$ 200 e R$ 600. O custo semanal com os pedidos, considerando o menor valor de cada dia, fica em cerca de R$ 3.200.

Nos bastidores

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) chegaram a discutir, nos bastidores, se seria possível determinar a prisão do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) como alternativa ao afastamento do mandato e da presidência da Câmara.
A medida foi levada ao ministro Teori Zavaski, relator da Lava Jato, por pelo menos dois colegas. Nas conversas, esses ministros teriam indicado que os elementos eram robustos de que Cunha utilizou o cargo para práticas criminosas.
Segundo a reportagem apurou, esses ministros disseram que Cunha atrapalhava as investigações contra ele na Lava Jato e no Conselho de Ética da Câmara e, por isso, esses motivos justificariam uma medida mais radical. A proposta foi rejeitada por Teori.
No pedido para a suspensão do peemedebista apresentado ao STF em dezembro de 2015, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também rejeitou a prisão preventiva.
"Exatamente como forma de não lançar mão, num primeiro momento, de medida extrema [prisão cautelar], há se utilizar de outra menos gravosa. A medida cautelar requerida –que, por ora, não é a mais grave [prisão preventiva] –tem a finalidade de garantir a efetividade e a eficácia da aplicação das leis, sobretudo a penal, e garantir a ordem pública, devendo portanto ser este o norte a guiar a interpretação dos dispositivos constitucionais envolvidos", escreveu o procurador.
Durante a sessão que confirmou a decisão de Teori para afastar Cunha, o ministro Edson Fachin afirmou que o STF precisa enfrentar ainda a questão da restrição de prisão em flagrante para congressistas, como prevê a Constituição.
"Diria apenas en passant, senhor presidente, do ponto de vista da adequação quiçá em oportunidade diversa poderemos verticalizar até mesmo o espectro do parágrafo II, artigo 53, no que diz respeito à imunidade parlamentar para também examinar hipótese de cabimento de prisão preventiva, mas o que está sobre a mesa é a medida cautelar que implica na respectiva suspensão. Na declaração de voto que vou juntar vejo presente todos esses requisitos e segundo as conclusões do ministro Teori Zavascki referendo a liminar", disse.
O presidente do STF, Ricardo Lewandowski, classificou a decisão de Teori pela suspensão de "comedida, adequada e tempestiva" diante de outras medidas, como a prisão preventiva.
O afastamento de Cunha foi aprovado por unanimidade no STF. Com a decisão, Cunha não perde o mandato, mas também não pode exercer a atividade parlamentar. Ele ainda continuará com foro privilegiado, sendo investigado pelo STF, onde já foi transformado em réu pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro na Lava Jato.
O peemedebista também é alvo de denúncia que o acusa de receber propina em contas secretas na Suíça, responde a três inquéritos e tem mais três pedidos de investigação da Procuradoria para apurar supostos crimes no exercício do mandato.
Cunha pode recorrer ao próprio STF contra a decisão. Não há prazo para a duração do afastamento. O substituto de Cunha na Câmara será Waldir Maranhão (PP-MA), também investigado na Lava Jato.
Para os ministros, Cunha usou o mandato e a presidência para tentar atrapalhar as investigações contra ele no esquema de corrupção na Petrobras e seu processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara.
Integrantes do tribunal também citaram que "fatos graves" indicam que Cunha utilizou o mandato para cometer supostas práticas criminosas, que deixaram insustentável seu exercício do mandato. Os ministros apontaram ainda que o cenário na corte não é favorável para o peemedebista, diante dos elementos apontando o envolvimento do deputado com os desvios na estatal.
copiado  http://www.otempo.com.br/

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