Cunha chantageou para aprovar o golpe?
Por Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania
Os efeitos que o
afastamento de Cunha pelo STF irá gerar ainda não foram totalmente
digeridos ou analisados. A atuação dele desde que chegou à Presidência
da Câmara, em fevereiro do ano passado, foi marcada pelo uso do cargo
para atingir objetivos próprios e isso conspurca uma miríade de atos por
ele praticados ao longo desse um ano e pouco.
A denúncia do
procurador-geral da República contra Cunha elenca onze razões para seu
afastamento da Presidência da Câmara e de seu mandato como deputado
federal. Essas 11 razões incluem um hábito muito comum de Cunha que é
chantagear pessoas para chegar aos seus objetivos.
Recentemente, o próprio
jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment da
presidente Dilma Roussef, afirmou que o deputado Eduardo Cunha praticou
“chantagem explícita” no âmbito da abertura do processo na Câmara,
segundo informações do jornal “O Estado de São Paulo”.
A chantagem foi
amplamente usada por Cunha. E para variados fins. Além de chantagear o
PT com o impeachment de Dilma para que o partido não votasse pela
abertura de seu processo de cassação na Câmara, o agora ex-presidente da
Casa chantageou parlamentares de outros partidos, como deputado do PRB
de São Paulo Fausto Pinato e mais 9 parlamentares.
Confira reportagem do jornal O Globo sobre os métodos de Cunha.
Segundo informações
obtidas pelo Blog junto a fontes do STF, a Corte tende a não se
sensibilizar com questões de mérito sobre o impeachment ou mesmo pela
ação do deputado Paulo Teixeira (PT-SP) impetrada na sexta-feira, que
questiona a imposição de partidos que obrigaram seus deputados a votarem
pelo impeachment sob ameaça de expulsão. Mas há uma questão sobre o
impeachment que pode sensibilizar a Corte.
Há uma enormidade de atos
de Cunha que turvaram o processo político durante seu mandato como
presidente da Câmara. Atos para impedir as investigações contra si ou
para retaliar quem não reza por sua cartilha. Atos que a Câmara,
majoritariamente favorável a Cunha, não deverá anular assim como manteve
paralisado o processo contra ele no Conselho de Ética.
Como a maioria da Câmara
não parecia disposta a agir contra Cunha por conivência ou “rabo preso”,
o STF afastou o parlamentar da Presidência da Casa e do próprio
mandato. E pode, agora, suspender atos variados de Cunha que
prevaleceram ao custo de chantagem, intimidação e até via subornos.
O questionamento dos atos
de Cunha no STF permite, portanto, que aquela Corte anule todos os atos
do ex-presidente da Câmara que possam ter prevalecido ao custo de
estratégias como chantagem, intimidação, suborno e outros meios ilícitos
de levar parlamentares a votarem como ele queria.
Para as fontes
consultadas pelo Blog, se o STF for provocado a suspender atos suspeitos
de Cunha durante sua Presidência da Câmara, a possibilidade de sucesso é
bastante alta. Entre esses atos suspeitos, figura o impeachment.
Haveria deputados dispostos a denunciar que foram pressionados pelo
ex-presidente daquela Casa.
A ver.
copiado http://www.brasil247.com/pt/
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