Janot denuncia Gleisi Hoffmann e Paulo Bernardo na Lava Jato
Ricardo Brito
Investigação aponta R$ 1 mi de propina ao casal de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás
"As referências ao ex-ministro Paulo Bernardo na denúncia
baseiam-se em declarações contraditórias e inverossímeis. Não houve
qualquer envolvimento dele com os fatos narrados na denúncia.
Demonstraremos isso com veemência e acreditamos que a denúncia não pode
ser recebida".
Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo
07 Maio 2016 | 11h 55 - Atualizado: 07 Maio 2016 | 12h 55
Investigação aponta que os dois receberam R$ 1 milhão de propina de contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás
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Senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)
BRASÍLIA - O procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, ofereceu nesta sexta-feira, 6, ao Supremo Tribunal Federal (STF)
denúncia contra a senadora e ex-ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann
(PT-PR) e o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento e Comunicações no
governo Lula), no âmbito da Operação Lava Jato.
A denúncia da PGR ocorre 37 dias depois de o casal ter sido
indiciado pela Polícia Federal por corrupção passiva. O inquérito
policial concluiu que os dois receberam R$ 1 milhão de propina de
contratos firmados entre empreiteiras e a Petrobrás. O valor foi
utilizado para custear as despesas da eleição dela ao Senado em 2010. O
empresário Ernesto Kugler Rodrigues, de Curitiba, também indiciado no
inquérito, é igualmente denunciado pela PGR.
Segundo a PF, o ex-ministro Paulo Bernardo teria solicitado a
quantia ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa.
A operação foi feita pelo doleiro Alberto Youssef. Para a PF, Paulo
Bernardo tinha conhecimento de que os valores eram ilícitos, caso
contrário não os teria solicitado a Paulo Roberto Costa.
Responsáveis pelas defesas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR)
e do ex-ministro Paulo Bernardo, os advogados Rodrigo Mudrovitsch e
Verônica Sterman rebateram em nota divulgada a denúncia oferecida pelo
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal
Federal contra os dois.
Em nota em relação à senadora, a dupla diz ter recebido com
"inconformismo" a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal.
"Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não
houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da
Senadora. A denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido.
Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se
espera de uma acusação penal", diz a nota.
No caso de Paulo Bernardo, os advogados afirmam que a acusação
criminal se baseia em "declarações contraditórias e inverossímeis".
(Ricardo Brito)
Leia a íntegra das notas:
Nota da defesa de Gleisi Hoffmann:
É com inconformismo que recebemos a notícia de que o PGR apresentou denúncia em desfavor da senadora Gleisi Hoffmann.
Todas as provas que constam no inquérito comprovam que não
houve solicitação, entrega ou recebimento de nenhum valor por parte da
Senadora. A denúncia sequer aponta qualquer ato concreto cometido.
Baseia-se apenas em especulações que não são compatíveis com o que se
espera de uma acusação penal.
São inúmeras as contradições nos depoimentos dos delatores que
embasam a denúncia, as quais tiram toda a credibilidade das supostas
delações. Um deles apresentou, nada mais, nada menos, do que seis
versões diferentes para esses fatos, o que comprova ainda mais que eles
não existiram.
Ao apagar das luzes, depois de um ano e meio da abertura do
inquérito, uma terceira pessoa aparece disposta a dizer que teria
realizado a suposta entrega de valores, numa nova versão que foge de
qualquer raciocínio lógico. Vale lembrar que esta pessoa é amigo/sócio/
funcionário de Alberto Youssef, o que comprova ainda mais a fragilidade
das provas e se vale do mesmo advogado de Alberto Youssef para fazer sua
delação."
Rodrigo Mudrovitsch e Veronica Abdala Sterman
Nota da defesa de Paulo Bernardo:
copiado estadão
copiado estadão
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