O Ministério Público Federal (MPF/MG) exonerou, na terça-feira (24),
uma servidora apontada como a responsável por elaborar questões com viés
ideológico para uma prova do processo seletivo para formação de
cadastro de reserva para estagiários de nível superior da Procuradoria
da República em Minas Gerais, aplicada no último domingo (22).
As questões referentes à prova de português para as áreas de Administração e Biblioteconomia, duas de Ciências Contábeis e Direito e quatro da prova de Comunicação Social foram anuladas.
Uma das participante do processo seletivo, Juliana Passos, conta que após o término da prova várias pessoas comentaram sobre o caráter parcial das questões.
"Fiquei indignada. Estava claramente com um viés ideológico. Todo mundo comentou na saída. Os meus professores também ficaram horrorizados. Não condiz com a posição do MPF", reclama a estudante do oitavo período de Direito.
Veja como eram as questões
Em uma das questões que levantaram questionamentos, os alunos deveriam analisar os erros de grafia de frases como "Os golpistas ficaram prostrados com a reação que se viu nas ruas em defesa da democracia."; "O juiz infringiu a legislação ao divulgar o conteúdo de interceptações telefônicas.", "O tráfico de influência é uma das práticas mais comuns na Câmara dos Deputados." e "O analfabetismo político é um mal cada vez mais comum em quem assiste ao Jornal Nacional.".
Para Passos, a exoneração da servidora ainda não é suficiente para explicar o ocorrido. "Eu acredito que deveria ser mais investigado isso, para saber se só uma pessoa é responsável pelo concurso. Será que só ela teve acesso a essas questões?", questiona. Segundo o MPF, uma sindicância foi instaurada para apurar os fatos, uma vez que as opiniões externadas não refletem a visão da instituição.
Ainda de acordo com o Ministério Público Federal (MPF/MG), o órgão "reafirma seu compromisso com a atuação apartidária e impessoal em defesa da ordem jurídica e dos direitos e garantias fundamentais, bem como com os valores da transparência, da ética, da moralidade, da independência funcional e da unidade".
A redação
Outra reclamação da estudante de direito é com relação a redação do processo seletivo. "Não bastasse isso, na prova discursiva foi pedido aos estudantes que analisassem o discurso do Deputado Federal Jair Bolsonaro quando de seu voto a favor da instalação do processo de impeachment, ao mencionar o Coronel Carlos Alberto Ustra (torturador na ditadura) e que se fizesse um comparativo com a liberdade de expressão e o referido discurso", disse.
"O candidato deveria dissertar sobre a necessidade de definição dos limites deste caro direito constitucional que é a liberdade de expressão. Fiquei muito decepcionada com a posição do MP, por sempre achar que se tratava de órgão independente, que busca a justiça e a paz social", completa Passos.
O Ministério Público Federal informou à reportagem de O TEMPO não ver motivos para anular a questão. No entendimento do órgão, o "discurso é sobre liberdade de expressão e foi usado apenas como exemplo da situação atual".
Juliana Passos conta que após a prova enviou denúncias para as ouvidorias da Câmara dos Deputados, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para o próprio MPF. Ainda de acordo com o a estudante, só obteve retorno da Câmara, que comunicou que a denúncia seria encaminhada para os deputados do seu Estado.
Atualizada às 19h11.
copiado http://www.otempo.com.br/
As questões referentes à prova de português para as áreas de Administração e Biblioteconomia, duas de Ciências Contábeis e Direito e quatro da prova de Comunicação Social foram anuladas.
Uma das participante do processo seletivo, Juliana Passos, conta que após o término da prova várias pessoas comentaram sobre o caráter parcial das questões.
"Fiquei indignada. Estava claramente com um viés ideológico. Todo mundo comentou na saída. Os meus professores também ficaram horrorizados. Não condiz com a posição do MPF", reclama a estudante do oitavo período de Direito.
Veja como eram as questões
Em uma das questões que levantaram questionamentos, os alunos deveriam analisar os erros de grafia de frases como "Os golpistas ficaram prostrados com a reação que se viu nas ruas em defesa da democracia."; "O juiz infringiu a legislação ao divulgar o conteúdo de interceptações telefônicas.", "O tráfico de influência é uma das práticas mais comuns na Câmara dos Deputados." e "O analfabetismo político é um mal cada vez mais comum em quem assiste ao Jornal Nacional.".
Para Passos, a exoneração da servidora ainda não é suficiente para explicar o ocorrido. "Eu acredito que deveria ser mais investigado isso, para saber se só uma pessoa é responsável pelo concurso. Será que só ela teve acesso a essas questões?", questiona. Segundo o MPF, uma sindicância foi instaurada para apurar os fatos, uma vez que as opiniões externadas não refletem a visão da instituição.
Ainda de acordo com o Ministério Público Federal (MPF/MG), o órgão "reafirma seu compromisso com a atuação apartidária e impessoal em defesa da ordem jurídica e dos direitos e garantias fundamentais, bem como com os valores da transparência, da ética, da moralidade, da independência funcional e da unidade".
A redação
Outra reclamação da estudante de direito é com relação a redação do processo seletivo. "Não bastasse isso, na prova discursiva foi pedido aos estudantes que analisassem o discurso do Deputado Federal Jair Bolsonaro quando de seu voto a favor da instalação do processo de impeachment, ao mencionar o Coronel Carlos Alberto Ustra (torturador na ditadura) e que se fizesse um comparativo com a liberdade de expressão e o referido discurso", disse.
"O candidato deveria dissertar sobre a necessidade de definição dos limites deste caro direito constitucional que é a liberdade de expressão. Fiquei muito decepcionada com a posição do MP, por sempre achar que se tratava de órgão independente, que busca a justiça e a paz social", completa Passos.
O Ministério Público Federal informou à reportagem de O TEMPO não ver motivos para anular a questão. No entendimento do órgão, o "discurso é sobre liberdade de expressão e foi usado apenas como exemplo da situação atual".
Juliana Passos conta que após a prova enviou denúncias para as ouvidorias da Câmara dos Deputados, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e para o próprio MPF. Ainda de acordo com o a estudante, só obteve retorno da Câmara, que comunicou que a denúncia seria encaminhada para os deputados do seu Estado.
Atualizada às 19h11.
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