Putin consegue vitória esmagadora e permanecerá no poder até 2024
SPUTNIK/AFP / Alexey DRUZHININVladimir Putin visita a sede de sua campanha em Moscou em 18 de março
Vladimir Putin foi reeleito no domingo presidente da Rússia com 76,7% dos votos, de acordo com resultados praticamente definitivos, uma vitória esmagadora que reforça sua posição na crise com os países ocidentais e que garante sua permanência no poder até 2024.
Putin, que desde 1999 está à frente da Rússia, como presidente ou como primeiro-ministro, deixará o cargo em 2024, quando completará 72 anos.
Ao ser questionado se voltaria a disputar eleições, Putin respondeu: "Ficar aqui até 100 anos? Não".
Putin conquistou uma vitória sem precedentes em seu 18 anos de poder, em uma eleição que registrou uma taxa de participação superior a do pleito de 2012.
A oposição e várias ONGs denunciaram milhares irregularidades, como urnas preenchidas com antecedência ou o transporte de trabalhadores em ônibus até locais de votação, pressionados por seus chefes.
A Rússia voltou ao centro do cenário internacional ao custo de um clima de tensão com os países ocidentais, algo que não era registrado desde o fim da Guerra Fria.
O conflito na Síria, a crise ucraniana ou as acusações de interferência russa na eleição de Donald Trump nos Estados Unidos alimentam o confronto Leste-Oeste, que aumentou na semana passada quando Londres acusou Moscou de ter envenenado um ex-espião russo no Reino Unido.
No domingo, em sua primeira entrevista coletiva após a vitória, Putin afirmou que acusar a Rússia por este caso não faz nenhum sentido, mas acrescentou que Moscou está "disposto a cooperar" com Londres na investigação.
Para alguns analistas, esta crise, que provocou a expulsão recíproca de diplomatas, fortaleceu Putin, cuja popularidade é cada vez mais baseada na política externa, enquanto o nível de vida dos russos prossegue em queda.
"Temos que agradecer ao Reino Unido porque mais uma vez não entenderam a maneira de pensar russa. Mais uma vez nos pressionaram justamente no momento em que precisávamos de mobilização", disse Andrey Kondrashov, porta-voz da campanha de Putin, citado pelo jornal Kommersant.
""Diabolizar' Putin no Ocidente teve o efeito inverso na Rússia, um apoio sem precedentes de sua figura", afirmou o senador russo Alexei Pushkov.
A eleição aconteceu, de modo simbólico, no quarto aniversário da ratificação da anexação da Crimeia pela Rússia.
- "Sócio difícil" -
Com 99,8% das urnas apuradas, Putin recebeu 76,67% dos votos, muito mais que os 63,6% da votação de 2012, segundo a Comissão Eleitoral.
O candidato do Partido Comunista, Pavel Grudinin, recebeu 11,79% dos votos, o ultranacionalista Vladimir Zhirinovski 5,66% e a jornalista vinculada à oposição liberal Ksenia Sobtchak 1,67%.
O presidente chinês Xi Jinping felicitou Putin e afirmou que a relação entre os dois países está em seu melhor momento. O venezuelano Nicolás Maduro e o boliviano Evo Morales também enviaram parabéns.
A Alemanha foi o primeiro país europeu a falar sobre o resultado e, segundo o ministro das Relações Exteriores do país, Heiko Mass, a Rússia continuará sendo um "sócio difícil" após a reeleição de Putin, mas necessário.
"Precisamos da Rússia para encontrar soluções aos grandes problemas internacionais e, por isto, queremos continuar o diálogo", declarou Maas.
A participação, levemente superior a de 2012 (65%), se explica em parte pelos esforços do Kremlin para mobilizar os eleitores em uma votação sem qualquer suspense.
A oposição russa, liderada pelo principal rival de Putin, Alexei Navalny, impedido de disputar eleições até 2024 por uma condenação judicial eu que pediu o boicote da votação de domingo, acusa as autoridades de falsificar o índice de participação recorrendo a fraudes como preencher urnas ou organizar o transporte de eleitores.
"A vitória de Putin com mais de 70% foi decidida de antemão", disse Navalny à imprensa.
Ele disse que prosseguirá com os pedidos de manifestações, "a única forma de ter uma luta política na Rússia".
A ONG Golos, especializada em supervisionar eleições, disponibilizou um mapa das fraudes em seu site na internet, no qual denuncia mais de 2.900 irregularidades.
Edward Snowden, ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana, refugiado na Rússia desde suas revelações sobre o gigantesco sistema de vigilância dos Estados Unidos, divulgou no Twitter um vídeo que mostra o que considera o preenchimento de uma urna.
"Exijam justiça. Exijam leis e tribunais que façam sentido", escreveu.
A presidente da Comissão Eleitoral, Ella Pamfilova, considerou, no entanto, que as irregularidades foram "relativamente baixas" e acrescentou que a votação foi transparente.
Grupo norueguês reconhece que contaminou rio no Norte do Brasil
dpa/AFP/Arquivos / Roland Weihrauch(Arquivo) O CEO da Norsk Hydro, Svein Richard Brandtzaeg, visita uma unidade da Hydro em Grevenbroich, oeste da Alemanha
O grupo norueguês Norsk Hydro reconheceu nesta segunda-feira (19) que sua fábrica brasileira de alumínio Hydro Alunorte, a maior do mundo, verteu água não tratada no rio Pará.
"Vertemos água de chuva e de superfície não tratada no rio Pará", afirmou o CEO da empresa, Svein Richard Brandtzaeg, em um comunicado.
"É totalmente inaceitável e rompe com o que a Hydro representa. Em nome da empresa me desculpo pessoalmente com as comunidades, as autoridades e a sociedade", completou.
As autoridades brasileiras suspeitam de que a empresa tenha contaminado a água no município de Barcarena, onde se encontra a fábrica, com resíduos de bauxita que teriam transbordado do depósito da fábrica após as fortes chuvas de 16 e 17 de fevereiro.
O grupo norueguês recebeu duas multas de R$ 20 milhões cada, a primeira por "atividades potencialmente contaminantes sem licença ambiental válida", e a segunda, por "operar uma tubulação de drenagem também sem licença".
Um juiz do estado do Pará também obrigou a empresa a reduzir em 50% a produção de sua fábrica de alumínio.
De acordo com o Instituto Evandro Chagas, a "lama vermelha" registrada após as chuvas pode representar riscos para pescadores e outras comunidades próximas à fábrica, com níveis elevados de alumínio e metais tóxicos na água.
De acordo com a empresa, o vazamento não está relacionado com as tempestades de fevereiro.
"Toda a água da chuva e de superfície da refinaria da Alunorte deveria ter sido levada para o sistema de tratamento de água", afirmou o grupo norueguês.
A Norsk Hydro contratou uma auditoria independente da empresa de consultoria SGW Services para esclarecer o caso e, na sexta-feira (16), anunciou um investimento de 500 milhões de coroas (US$ 64 milhões).
A Hydro Alunorte, que pertence em 92,1% à Norsk Hydro, produz 5,8 milhões de toneladas de alumina ao ano. A alumina, extraída da bauxita, é a principal matéria-prima para a produção do alumínio.
As ações da Norsk Hydro perderam 15,82% de seu valor no último mês.
A gestão dos rejeitos de mineração é um tema sensível no Brasil, que registrou, em 2015, a pior tragédia ambiental de sua história: o rompimento de uma barragem com quase 40 milhões de metros cúbicos de resíduos de mineração em Mariana, Minas Gerais.
O tsunami de lama matou 19 pessoas, destruiu várias cidades e percorreu mais de 600 quilômetros pelo rio Doce até o Oceano Atlântico, devastando fauna e vegetação em sua passagem.
copiado https://www.afp.com/

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