22/12/2011 - 17h28
Em meio à crise política, ataques matam ao menos 67 no Iraque
DA FRANCE PRESSE, EM BAGDÁ
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Dois novos atentados ocorreram nesta quinta-feira em Bagdá e em um posto do Exército em Mossul (norte), que foi atacado por disparos, elevando os mortos a 67, segundo fontes médicas e de segurança.
Depois de mais de uma dezena de atentados em Bagdá, cometidos durante a manhã, na hora de maior tráfego de veículos, três pessoas morreram em dois novos ataques na noite, um em um café e outro em um mercado. Em um ataque coordenado, cerca de dez bombas explodiram no início da manhã, em diferentes bairros da capital, majoritariamente xiitas.
| Saad Shalash/Reuters | ||
| Militares observam carro queimado em ataque com bombas realizado na região central de Bagdá |
As ações violentas são as primeiras a ocorrer desde o início da crise política que ameaça a trégua entre as diferentes forças do país, e fazem temer um retorno da violência religiosa, poucos dias depois da retirada das tropas americanas.
Os atentados foram realizados nos bairros de Bab al Muatham, Karrada e Allaui, no centro da capital, em Adhamiyah, Shuala e Shaab (norte), em Jadriyah, no leste, e em Al Amil, no sul, segundo as autoridades.
"Não eram dirigidos contra instituições ou postos de segurança", mas principalmente contra "escolas, trabalhadores, e a agência anticorrupção", disse à AFP o general Qasim Atta, porta-voz do sistema de segurança de Bagdá.
SÉRIE DE ATAQUES
O atentado mais grave foi realizado por um suicida ao volante de um carro-bomba que explodiu em frente aos escritórios da agência anticorrupção, matando 23 pessoas, entre elas cinco investigadores, informou um funcionário do Ministério do Interior.
| Ali Abu Shish/Reuters | ||
| Mulheres choram durante funeral de vítima de ataque em Najaf, 160 quilômetros ao sul de Bagdá |
Outras duas bombas colocadas em uma estrada e um carro-bomba no bairro de Alaowi, do centro de Bagdá, deixaram 16 mortos, na maioria operários da construção.
Os locais onde ocorreram as explosões foram cercados pela polícia com o apoio de helicópteros, enquanto o reforço dos controles nos postos de segurança deixava o trânsito mais caótico que o normal, constataram jornalistas da AFP.
O enviado especial da ONU em Bagdá, Martin Kobler, deplorou os ataques "horríveis". A embaixada americana declarou ser "particularmente importante durante este período crítico que os líderes políticos do Iraque resolvam suas diferenças pacificamente".
O premiê iraquiano, o xiita Nouri al Maliki, fez um chamado a "todas as forças nacionais de boa vontade (...) a permanecer ao lado das forças de segurança".
Nos últimos cinco dias, foi emitido um mandado de prisão contra o vice-presidente sunita Tarek al-Hashemi, o chefe de governo pediu a renúncia do vice-primeiro-ministro sunita e o bloco parlamentar Al-Iraqiya, apoiado pelos sunitas, decidiu boicotar a Assembleia e o governo.
CRÍTICAS AO GOVERNO
O Al-Iraqiya, segundo maior grupo parlamentar, atrás da coalizão xiita Aliança Nacional, denunciou a "ditadura" do primeiro-ministro.
Um de seus membros, o vice-primeiro-ministro Saleh Mutlak, classificou Maliki de "ditador pior que Saddam Hussein".
| Ali Abbas/Efe | ||
| Prédio fica destruído após ser atingido por explosão de carro-bomba em Bagdá |
Maliki convocou as autoridades da região autônoma do Curdistão (norte) a entregar à justiça o vice-presidente Hashemi e ameaçou substituir os ministros pertencentes ao Al-Iraqiya se continuarem boicotando o governo de união nacional.
O vice-presidente é suspeito de ter financiado e apoiado atentados realizados por seus guarda-costas.
Hashemi negou com veemência as acusações e afirmou que estava disposto a ser submetido a julgamento, com a condição de que o processo seja realizado na região autônoma curda, onde encontra-se atualmente.
O vice-presidente acrescentou que as aparentes confissões transmitidas pela televisão oficial, vinculando-o a ataques, eram "falsas" e estavam "politizadas".
Maliki e outros líderes convocaram reuniões para resolver a crise, mas o porta-voz do primeiro-ministro disse à AFP que não aceitará nenhuma mediação nas acusações contra Hashemi.
A violência encontra-se atualmente em um nível inferior à registrada em 2006 e 2007, mas os ataques continuam sendo comuns. Em novembro morreram 187 pessoas, de acordo com dados oficiais.
RETIRADA DO IRAQUE
A Casa Branca expressou sua preocupação com a atual crise política no Iraque, dias depois de encerrar em uma cerimônia oficial a guerra da qual participou no país. O porta-voz da Presidência americana, Jay Carney, afirmou que os Estados Unidos estavam "inquietos" em relação à crise iraquiana, iniciada após a partida dos últimos soldados americanos.
Os EUA entregaram na sexta-feira (16) às forças armadas iraquianas a última das 505 bases militares de que dispunham no país, um dia após a cerimônia formal de retirada dos americanos do Iraque realizada em Bagdá, após quase nove anos de conflito iniciado em março de 2003.
Após o final do ano, a embaixada dos EUA pretende manter apenas 157 soldados para o treinamento das forças iraquianas, e um grupo de fuzileiros navais para proteger a missão diplomática. Durante o pico do conflito, que durou quase nove anos, o total das tropas chegou a quase 170 mil soldados.
Dar fim à guerra foi uma das promessas que ajudaram Barack Obama a chegar à Presidência em 2008, e permite que a Casa Branca foque no Afeganistão e na crise econômica doméstica. No entanto, críticos acusam Obama de usar o fim da guerra para dar força à sua campanha para a reeleição em 2012.
A violência no Iraque vinha caindo, após alcançar um pico entre 2006 e 2007. Com a saída das últimas tropas dos EUA do país, a preocupação é de que as forças de segurança do Iraque não consigam conter os conflitos sectários, levando a uma instabilidade política grande o suficiente para gerar uma guerra civil.
+ Canais COPIADO \: http://www1.folha.uol.com.br/mundo
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