O vice-presidente do Iraque, Tarek al-Hachemi, disse neste domingo à AFP que não
confia na Justiça iraquiana e que analisa a possibilidade de exílio, após ser alvo de um mandado de prisão por suposta atividade terrorista.
Refugiado na região autônoma do Curdistão (norte) e hospedado na residência de Jalal Talabani, presidente iraquiano, Hachemi admite que alguns de seus seguranças podem ter cometido atentados, mas desmentiu qualquer conhecimento destes fatos.
Perguntado se planeja ir a Bagdá para ser julgado, Hachemi respondeu à AFP: "É claro que não", por que falta segurança na capital e o sistema judiciário está dominado pela política.
"A maioria dos meus homens foi presa. Como posso voltar a Bagdá com segurança?" - perguntou Hachemi em Qalachwalan. "Além do mais, o Conselho Judicial iraquiano está sob o controle do governo central e isto é um grande problema".
"Diante de tudo isto, pedi para ser julgado no Curdistão (...). Aqui a Justiça não sofre influência política".
A ordem de prisão contra o vice-presidente sunita agravou a crise entre o primeiro-ministro xiita, Nuri al-Maliki, e o grupo parlamentar Iraqiya, ao qual Hachemi pertence.
Hachemi, que já deu várias entrevistas nos últimos dias para denunciar Maliki, garantiu à AFP que permanece na função de vice-presidente, e que poderá viajar ao exterior com as prerrogativas do cargo.
A Turquia já adiantou que receberá Hachemi se houver um pedido de asilo político, mas estimou que o vice-presidente deve continuar no Iraque.
"Não tenho planos para sair do Iraque no momento, exceto se minha segurança estiver ameaçada", declarou o vice iraquiano à AFP. "Se isto ocorrer, vamos analisar o que fazer".
Hachemi assumiu a vice-presidência do Iraque em 2006, cargo que foi ratificado no acordo de divisão do poder após as eleições de 2010.
Segundo Hachemi, agora corresponde a Maliki e a seus aliados políticos reduzir a tensão para superar a "grave crise" atual.
"A situação agora é mais complexa do que antes. Se fracassarmos, penso que o Iraque cairá novamente na tirania e todos os iraquianos sairão perdendo".
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