País - Sociedade Aberta
Exigimos punição
No primeiro vazamento, ocorrido em novembro de 2011, a Chevron Brasil foi punida com uma multa de R$ 60 milhões aplicada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente). A multa deve atingir o patamar de R$ 150 milhões (teto máximo), além de um Processo Criminal na Justiça Federal.
A retirada diária de petróleo pela Chevron Brasil é de 61.500 barris, o que gera uma perda de receita aproximada de US$ 7,4 milhões/dia na paralisação. A exploração do petróleo da Bacia de Campos e a da Bacia de Santos possuem, juntas, um potencial em torno de 100 bilhões de barris. Com isso, é possível atender à demanda americana por 14 anos.
A Chevron Brasil vem enfrentando outros problemas na América Latina. Ela recebeu uma punição de U$ 18 milhões e está analisando as novas perspectivas de investimentos na região em virtude do encarecimento e dificuldade na contratação de mão de obra qualificada. A falta de equipamentos também está encarecendo o Custo Brasil.
O crescimento do faturamento em 24,8% de 2010 para 2011 e do lucro líquido em 41,6% no mesmo período demonstra que as multas impostas podem estimular a falta de investimentos em ocorrências futuras de vazamento, justificando falta de equipamento e capacitação do seu pessoal. A empresa teve um crescimento significativo mesmo com o segundo semestre de 2011, que sofreu problemas em virtude da dívida interna americana, eleições nos Estados Unidos, crise na Zona do Euro e redução da produção com perspectivas de redução do PIB chinês.
O que se espera desses problemas é que mesmo uma grande empresa, como a Chevron, tenha maior rigor na fiscalização. Essa situação poderá provar que não estamos preparados para outros voos, como a exploração do pré-sal. As promessas são atendidas, e qualquer punição é vista mais como uma situação paliativa do que mesmo um efeito que faça com que as empresas se limitem nos malefícios ao meio ambiente.
Reginaldo Gonçalves é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (São Paulo).
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