Social-democrata Schulz apresenta na Alemanha plano anti-Merkel
AFP / John MACDOUGALL
Ex-presidente do
Parlamento Europeu e candidato à chancelaria alemã, o social-democrata
Martin Schulz, em Berlim, em 18 de março de 2017
Em um congresso extraordinário do SPD em Berlim, Schulz assumirá de forma oficial as rédeas do partido social-democrata e explicará seu plano de batalha para as eleições legislativas de setembro.
Schulz, de 61 anos, ex-presidente do Parlamento Europeu, será empossado neste domingo como presidente do SPD, sucedendo no cargo o atual vice-chanceler e ministro das Relações Exteriores alemão, Sigmar Gabriel.
- De vento em popa nas pesquisas -
Desde que foi designado como candidato do SPD à chancelaria (liderança do governo) nas eleições legislativas de 24 de setembro, as pesquisas são animadoras para Martin Schulz diante de uma Angela Merkel que busca com os conservadores um quarto mandato.
Nacionalmente, o partido de Schulz está empatado com o da chanceler, próximo aos 30%.
Além disso, o responsável social-democrata recebeu neste domingo um importante aval do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que mantém relações complicadas com Angela Merkel, embora seja de centro-direita.
"Tanto Martin Schulz quanto Angela Merkel têm as qualidades para ser chanceler", disse neste domingo ao jornal Bild.
A chanceler se mostra serena. "A concorrência é estimulante", afirmou na sexta-feira, apesar de uma pessoa próxima afirmar, em particular, que "a situação é difícil".
A hipótese de uma derrota de Merkel, junto com as críticas à chegada de mais de um milhão de refugiados à Alemanha, parecia inimaginável há poucos meses. O SPD, sócio minoritário na coalizão dos conservadores em nível federal, ficava próximo aos 20% de intenção de votos.
- "Robin Hood" -
Mas a decisão de Schulz de deixar o Parlamento Europeu, onde ficou por cinco anos, e fazer campanha no lugar de Sigmar Gabriel, pouco popular, mudou a situação.
AFP / Tobias SCHWARZ
Ex-presidente do
Parlamento Europeu e candidato à chancelaria alemã, o social-democrata
Martin Schulz, em Berlim, em 19 de março de 2017
Sua história de vida e origens modestas, junto com um discurso de esquerda, lhe dão uma aura popular que suaviza seu perfil "de Bruxelas", uma incontestável vantagem num momento em que o euroceticismo ganha adeptos na Europa.
"Minha intenção de aplicar políticas que tornem um pouco melhores as condições de vida das pessoas que trabalham duro encontra bastante apoio", disse nesta semana Schulz, que quer continuar as reformas no mercado de trabalho feitas pelo ex-chanceler do SPD Gerhard Schröder entre 2003 e 2005.
A esquerda radical não descarta uma eventual coalizão com o SPD depois das eleições. Os conservadores e a classe patronal falam em "populismo".
Essa guinada à esquerda valeu a Martin Schulz o apelido dado pela imprensa alemã de "Robin Hood do SPD".
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