Após retirada, Iraque mergulha em disputa entre xiitas e sunitas

Após retirada, Iraque mergulha em disputa entre xiitas e sunitas

Governo acusa vice-presidente de terrorismo, e tensão sectária aumenta

Com agências internacionais
Publicado:
Atualizado:
Tariq al-Hashemi negou denúncias e acusou premier Maliki de complô Foto: AFP
Tariq al-Hashemi negou denúncias e acusou premier Maliki de complô AFP
BAGDÁ - Bastou um dia da retirada americana do Iraque para que a estrutura política do país começasse a ruir com o aumento da tensões entre os líderes xiitas e sunitas. O sintoma mais evidente do problema que deve se instaurar em Bagdá é o fato de o político sunita mais respeitado do país, o vice-presidente Tariq al-Hashemi, ser hoje um fugitivo da Justiça e estar exilado na região semi-autonôma do Curdistão. Hashemi é acusado de terrorismo, mas denuncia o governo do premier Nouri al-Maliki de complô. Para Hashemi, os esforços para reconciliação do Iraque, que levou o país a formar um governo de colaboração entre sunitas e xiitas há pouco mais de um ano, foram destruídos.
Na segunda-feira, o governo de Bagdá expediu um mandado de prisão contra Hashemi sob acusações de que o vice-presidente mantinha uma quadrilha armada para executar autoridades e policiais. A TV estatal chegou, inclusive, a transmitir um vídeo em que homens, que diziam ser guarda-costas de Hashemi, confessavam o assassinato de iraquianos, afirmando ter recebido dinheiro do vice-presidente.
- As acusações não foram provadas, estão sou inocente até que se mostre o contrário. - disse Hashemi durante uma coletiva na cidade curda de Erbil. - Juro por Deus que não cometi nenhuma desobediência contra o povo iraquiano (...) O objetivo é claro, trata-se de calúnia política.
Com a bandeira iraquiana ao fundo, Hashemi convocou jornalistas para explicar as denúncias contra ele e questionou o timing escolhido pela Justiça: um dia após o último soldado americano cruzar a fronteira com o Kuwait. Em Erbil, capital do Curdistão, o vice-presidente anunciou que não vai retornar a Bagdá, tornando-se assim um exilado dentro do próprio país.
Minutos antes do pronunciamento em Erbil, o porta-voz do Parlamento, Osama al-Nujaifi, um dos mais respeitado líderes sunitas no Iraque, emitiu um comunicado dizendo que os vídeos com as supostas confissões do que seriam guarda-costas de Hashemi tinham um tom "sectário" e o objetivo de detonar o histórico conflito entre sunitas e xiitas. O comentário de Nujaifi sobre a crise interna no país foi vista com surpresa, já que o líder não costuma comentar as tensões religiosas e, nos últimos anos, passou a se declarar um nacionalista, aproximando-se de Maliki e outros políticos xiitas.
Medo do outro lado da fronteira
Analistas acreditam que a questão interna do Iraque vai depender do desenrolar da crise na Síria, que tem se aprofundado nas últimas semanas. Assim como o fim do regime de Saddam Hussein levou a maioria xiita ao poder de Bagdá, o colapso do governo do presidente sírio Bashar al-Assad pode culminar no fortalecimento dos sunitas, grande maioria na Síria.
As regiões iraquianas próximas às fronteiras sírias são basicamente dominadas por sunitas, o que poderia influenciar levantes. Muitas destas províncias já demostraram, anteriormente, interesse em se tornar autonômas, como o Curdistão, e, recentemente, a ideia voltou a fazer a cabeça de algum de seus moradores, em mais claro indício de descontentamento com a política de Maliki.
COPIADO : http://oglobo.globo.com/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...