Eleições 2012
Setor do PSB declara apoio a Haddad e pressiona Campos
Movimento é liderado por um ex-tucano: Juscelino Gadelha. Eduardo Campos, presidente nacional socialista, já avisou que só definirá aliança em junho
Thais Arbex
Um grupo formado por dirigentes PSB de São Paulo declarou nesta
terça-feira apoio à candidatura do petista Fernando Haddad à prefeitura
da capital, em evento no centro da cidade. O movimento é uma forma de
pressionar a direção nacional do partido, em especial o presidente
Eduardo Campos, pela aliança com o PT em São Paulo. O petista foi
recebido por cerca de vinte integrantes do Movimento em Marcha, ligado
ao PSB, cuja bandeira é a defesa da "brasilidade e miscigenação".
Os representantes do movimento anunciaram que farão um megaevento no
final do mês, com todos os setores da sigla, para anunciar apoio a
Haddad. O diretório municipal, no entanto, ainda não fechou uma posição
sobre o apoio e, procurado pelo site de VEJA, o presidente municipal,
Eliseu Gabriel, foi cauteloso: “Esse é um movimento de alguns setores do
partido. Não é nada oficial.”
Mesmo os petistas pisaram em ovos ao falar sobre a aliança com o PSB.
“Essa é uma reunião importante, mas vamos respeitar o cronograma, o
debate interno e a autonomia do PSB”, disse Haddad. “Tenho certeza de
que vamos trabalhar juntos, mas temos que respeitar as instâncias e
lógicas de cada partido", afirmou o presidente municipal do PT e
coordenador da campanha petista, vereador Antônio Donato.
Curiosamente, o coordenador do grupo que defende o apoio do PSB a
Haddad é um ex-PSDB: Juscelino Gadelha, hoje secretário-geral do PSB
municipal. "É importante mostrar para a direção nacional que toda a base
do partido quer a aliança com Haddad. Estamos trabalhando com os
deputados estaduais e federais, nossos prefeitos e nossa militância em
prol de Haddad", disse Gadelha. “Buscamos nossa unidade dentro do PSB,
conversando com os companheiros que não têm o mesmo pensamento para
convencê-los que Haddad é o melhor candidato para São Paulo."
A fala é uma referência à posição de Márcio França, presidente
estadual do PSB em São Paulo e secretário de Turismo do governo Geraldo
Alckmin (PSDB). Para aumentar o cacife do partido nas negociações na
capital paulista, França lançou a possibilidade de uma candidatura
própria em São Paulo, em coligação com PCdoB ou PDT.
A lógica do PSB é simples: se o PT quer o apoio dos socialistas em São
Paulo, terá de ceder em outras cidades. Além de Recife, Fortaleza,
Macapá e Boa Vista, o PSB pede também que o PT desista das candidaturas
em Mossoró (RN) e Duque de Caxias (RJ). Segundo Gadelha, está previsto
um novo encontro entre as direções nacionais dos dois partidos. O apoio
do PT em mais duas cidades será colocado em discussão: Ferraz de
Vasconcelos e Taboão da Serra, na Grande São Paulo, ambas comandadas
pelos socialistas.
Apelo de Lula - Ainda em tratamento contra um câncer
na laringe, o ex-presidente Lula recebeu Eduardo Campos, em seu
apartamento em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, no final de
março, para tratar do apoio dos socialistas à candidatura de Fernando
Haddad à prefeitura de São Paulo. Campos saiu sem dizer nem sim nem não
ao apelo dos petistas. O governador avisou que a decisão sobre o apoio
ao PT só sai em junho.
O prazo foi reiterado por Haddad nesta terça-feira. “Definimos até o
começo de junho para consolidar nossa aliança, mas é evidente que ela só
tem sentido se for uma vontade do PSB de São Paulo”, afirmou o
pré-candidato. “A gente sente que a base do PSB quer essa aliança, mas
ela não pode ser imposta.”
A direção nacional do PT acha difícil Campos negar um apelo de Lula. O
governador foi ministro no primeiro mandato do ex-presidente e
considera o petista um fiel aliado. Os petistas acreditam também que as
aspirações nacionais do governador para 2014 pesarão na decisão. O PT
quer o PSB na aliança para reeleição de Dilma Rousseff e está disposto a
colocar Campos como candidato a vice-presidente. COPIADO : http://veja.abril.com.br/
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