05/05/2012 10h23
- Atualizado em
05/05/2012 10h23
Dois caranguejos aparecem em cima de equipamento de contenção de óleo.
Acidente em novembro liberou 382 mil litros de petróleo no Campo de Frade.
Na coletiva, Batista disse que três peritos, contratados pela Chevron, entre eles uma mulher, analisaram as imagens. “Foram baixados os robôs. De repente, em cima de um dos contêineres (equipamentos de contenção de óleo), de um desses dispositivos para colher a exsudação, havia lá uma coisa que parecia um bicho. Eram três peritos e a perita disse: ‘Olha: aí está!’”, exclamou Nilo Batista, na coletiva. “Estava achando um corpo de delito de um dano ambiental. A lente se aproximou e eram dois caranguejos, em plena atividade, com a lentidão que caracteriza esses animais. Mas eram dois caranguejos. Existe essa filmagem”, disse Nilo Batista, dirigindo-se aos jornalistas. “Aquilo é uma zona oligotrófica (pobre em nutrientes). Se vocês virem essas imagens, vocês verão que não foi afetada a vida marinha”, afirmou.
no dia 8 de novembro (Foto: Divulgação)
Média mensal de óleo coletado é de seis barris
A Chevron também informou que, atualmente, “conforme informado às autoridades, já foram instalados 80 sistemas de contenção no Campo Frade, sobre 77 pontos de afloramento de óleo residual”. A companhia informou que “continua monitorando o local com dois sobrevoos diários”. “No sobrevoo realizado no dia 3 de maio, não foram identificados bolhas, filetes ou manchas de óleo no Campo Frade.”
saiba mais
Ainda de acordo com a petroleira, “a média mensal” de óleo coletado no
Campo de Frade, pouco mais de cinco meses após o acidente, “é de cerca
de seis barris, que estão sendo coletados por meio dos sistemas
submarinos”. Os seis barris informados equivalem a 954 litros de óleo. A
Chevron ainda afirma: “É importante ressaltar que a fonte do vazamento
ocorrido em novembro foi contida em quatro dias e o que existe hoje é o
afloramento, cada vez menor, de óleo residual sendo coletado por meio
dos sistemas submarinos.”Em meados de dezembro de 2011, a Chevron informou que cerca de meio barril (80 litros) de óleo residual ainda vazava por dia, em 17 pontos de exsudação ativos. Segundo a assessoria de comunicação da petroleira, havia seis equipamentos de contenção sobre os seis pontos de exsudação com maior fluxo, ao longo das fissuras no fundo do mar.
Chevron identificou novo vazamento em 2012
No dia 15 de março deste ano, a Chevron informou um novo vazamento de óleo, localizado em uma fissura de 800 metros. Segundo a empresa, a nova mancha encontrada foi resultado do vazamento de cinco litros de óleo. “Não temos nenhuma evidência de que tem a ver com o outro acidente (de novembro de 2011). Está afastado três quilômetros do local do primeiro vazamento, a cerca de 1,3 mil metros de profundidade. Não estávamos produzindo, nem injetando na área”, afirmou Rafael Jaen Williamson, diretor de assuntos corporativos da companhia. Ele afirmou, no entanto, que ainda não havia explicações para a causa do novo vazamento.
O procurador da República Eduardo Santos de Oliveira, da 1ª Vara Federal de Campos, pede duas indenizações, cada uma de R$ 20 bilhões, pelos danos causados pelos vazamentos. “É brincadeira dizer que não houve poluição, se o óleo vaza para o mar. Poluição é qualquer alteração nas propriedades físico-químicas do corpo hídrico. Há laudos dizendo que houve mortandade aquática, na flora e na fauna. No EIA/Rima (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) apresentado já consta que o acidente ocorrido, na proporção que foi, poderia ocasionar mortandade na flora e na fauna aquática”, afirmou Oliveira, em coletiva de imprensa também no dia 21 de março. “Todos (os acusados) respondem por crimes ambientais, mais crimes ao patrimônio, de usurpação de bens da União. Alguns deles vão responder por falsidade ideológica”, acrescentou o procurador.
‘Talvez óleo não pare de vazar’, afirmou procurador
“É realmente incompreensível como se chega a esse número de R$ 20 bilhões, porque os danos, se existiram, foram mínimos. Não houve qualquer ser humano afetado. Não se comprometeu a saúde de ninguém. Não houve, muito menos, a morte de qualquer baleia, ou golfinho, qualquer tartaruga, ou ave”, rebateu o advogado Oscar Graça Couto, que defende a Chevron na área cível. “Na verdade, não houve uma sardinha que tenha morrido por conta do incidente. Isso revela o quão irrazoável é a pretensão de, nessas circunstâncias, cobrar da empresa R$ 20 bilhões. Não está caracterizado, nem de longe, o fenômeno de poluição, que pressupõe a contaminação de águas e comprometimentos de fauna e de flora. Nenhum desses aspectos existe até agora, e tudo leva a crer que continuarão não existindo”, concluiu Graça Couto.
“Nós estamos diante de um acidente no qual, talvez, não seja mais possível parar de vazar óleo até o reservatório acabar. É uma situação calamitosa. Vai vazar até que se esgote a capacidade da rocha reservatória”, enfatizou Eduardo Oliveira. “Tudo indica que não houve somente um ‘kick’, e que tenha vazado somente óleo para dentro do poço, mas que tenha vazado através de fraturas no solo marinho. Não sabemos se o Campo de Frade está comprometido por muitos e muitos anos. Caso o campo não possa mais seja mais utilizado, isso causa um enorme prejuízo econômico à União”, finalizou o procurador da República.
tópicos:
- Rio de Janeiro COPIADO : http://g1.globo.com/
Nenhum comentário:
Postar um comentário