Presidente grego lidera última opção para formar Governo e evitar eleições

 

O presidente grego Karolos Papoulias recebe o primeiro-ministro grego Yorgos Papandréu. EFE/Arquivo.






Atenas, 12 mai (EFE).- O presidente da Grécia, Karolos Papoulias, fez neste sábado a última tentativa para formar um Governo dentro do fragmentado panorama político e anunciou que no domingo se reunirá com os líderes dos partidos parlamentares para tentar convencê-los a formar uma aliança que evite novas eleições.
O líder do partido social-democrata Pasok, Evangelos Venizelos, renunciou perante Papoulias à tentativa de formar o Governo, somando-se assim aos fracassos dos conservadores da Nova Democracia (ND) e dos esquerdistas da Syriza após as eleições de domingo passado.
Venizelos explicou ao presidente que a ND e o Pasok contam com o respaldo da pequena formação centro-esquerdista Dimar para participar de um Gabinete que mantenha o país na eurozona e renegocie os compromissos de austeridade com a União Europeia.
"Só Syriza não respondeu de maneira afirmativa e proponho centrar os esforços nisso", pediu o líder social-democrata ao chefe do Estado, ao considerar imprescindível que este partido, segunda força política da Grécia, se envolva no Governo.
Além disso, a Dimar condicionou sua entrada a uma hipotética coalizão que também conte com a participação da Syriza.
No entanto, a Syriza insistiu na sua recusa mediante um comunicado neste sábado e afirmou que não vê razões para pactuar com a ND e o Pasok, os partidos que deram seu sinal verde às medidas de austeridade impostas pela União Europeia.
"As declarações de Venizelos após devolver ao presidente o mandato de formar um Governo mostram que três partidos - Pasok, Nova Democracia e Esquerda Democrática (Dimar) - se puseram de acordo para a formação de um Governo que aplicará o memorando com a UE", manifestou a formação de esquerda.
"A Syriza não vê motivos para participar deste Governo", sentenciou a segunda formação mais votada no domingo e que as últimas enquetes situam como ganhadora no caso de novas eleições.
Papoulias, por sua vez, declarou que os avanços conseguidos por Venizelos geram "um pouco de otimismo", mas reconheceu que há muito a fazer para conseguir um acordo de Governo.
Além disso, ele lembrou a importância de que Grécia conte com um Governo estável, já que a partir da próxima semana acontecerão reuniões do Eurogrupo e do Ecofin (Ministros de Economia e Finanças da UE), uma cúpula europeia e uma convenção da Otan.
Segundo anunciou o escritório da Presidência, o chefe do Estado começará as negociações com os líderes políticos neste domingo, às 6h no horário de Brasília.
Primeiro ele receberá conjuntamente os líderes dos três partidos mais votados: Antonis Samaras da ND (108 cadeiras), Alexis Tsipras, da Syriza (52 cadeiras) e Venizelos do Pasok (41 cadeiras).
Posteriormente, acontecerão encontros com os líderes dos outros quatro partidos parlamentares: o direitista Gregos Independentes (33 cadeiras), o Partido Comunista (26 cadeiras), o neonazista Amanhecer Dourado (21 cadeiras) e Dimar (19 cadeiras).
A convocação dos partidos separadamente se deve à recusa de vários dirigentes a se sentar na mesma mesa que o partido neonazista, algo que a imprensa grega afirma que incomoda o próprio Papoulias, que em sua adolescência lutou contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial.
Se a iniciativa presidencial não alcançar nenhum acordo, a Grécia terá que realizar novas eleições em um prazo mínimo de três semanas após a constituição do Parlamento no dia 17 de maio, por isso que a data deste novo pleito seria certamente 10 ou 17 de junho.
Enquanto isso, o presidente deveria formar um Governo interino dirigido por um alto magistrado eleito entre os que presidem a Corte Suprema, o Conselho de Estado e o Tribunal de Contas.
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