Corrupção Com núcleo político no alvo, Temer planeja 'chacoalhada' Plano imediato contra a crise e para se manter no cargo é mexer na equipe alvejada por denúncias

Corrupção

Com núcleo político no alvo, Temer planeja 'chacoalhada'

Plano imediato contra a crise e para se manter no cargo é mexer na equipe alvejada por denúncias


Michel Temer
Mudanças. Temer quer dar ares de “cara nova” à gestão, mas adversários veem ato como marketing
PUBLICADO EM 18/12/16 - 03h00
Brasília. Preocupado com os efeitos das delações de ex-executivos da Odebrecht, o presidente Michel Temer quer dar uma “cara nova” ao governo após a eleição para o comando da Câmara e do Senado, em fevereiro de 2017. O plano imediato de Temer para enfrentar a crise sem fim e se manter no cargo é mexer na equipe alvejada por denúncias de corrupção, substituir ministros ineficientes em áreas sociais e investir em mais medidas para alavancar o crescimento.

A permanência do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, e do secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Moreira Franco, é considerada incerta, apesar dos desmentidos oficiais. Temer, Padilha e Moreira foram citados na delação do ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht, Cláudio Melo Filho. O nome do presidente também apareceu no depoimento de Márcio Faria, outro dirigente da construtora, à força-tarefa da Lava Jato.

Com o núcleo político do governo combalido e a popularidade despencando dia após dia, o presidente pretende repaginar a Casa Civil, dando um perfil mais técnico e mais “interno” à pasta que coordena as ações da equipe. Na outra ponta, a ideia é criar uma secretaria especial no Ministério da Fazenda, hoje comandado por Henrique Meirelles, para abrigar discussões voltadas a novas iniciativas que possam reaquecer a economia e ter impacto mais rápido no bolso do consumidor.

Temer vai esperar o fim da disputa na Câmara e no Senado, daqui a 45 dias, para promover as trocas no primeiro escalão. No Planalto, seus auxiliares falam em “chacoalhão” no governo, mas adversários veem na estratégia mais uma ação de marketing, em busca de sobrevivência política, a exemplo do que a ex-presidente Dilma Rousseff fez, sem sucesso, em outubro de 2015. “Esse governo nos tirou do poder, mas o Brasil segue em crise profunda, dividido e hoje sob risco de uma convulsão social”, disse o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), que agiu para jogar água na fervura da briga entre o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o Supremo Tribunal Federal.

Além de mudanças na Casa Civil e na secretaria que cuida das concessões serem vistas nos bastidores como uma questão de tempo, substituições nos ministérios do Trabalho e da Saúde estão na bolsa de apostas.

Embora o pacote anunciado na semana passada pelo governo tenha como foco o combate ao desemprego e a redução do endividamento das empresas, a avaliação do mercado financeiro é a de que essas medidas somente terão efeito a longo prazo.


Centrão

Para conter motim, recuo em nomeação

Brasília. Na tentativa de contornar mais uma revolta na base, Michel Temer adiou a nomeação do líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA), para a Secretaria de Governo. Ele acertou com o senador Aécio Neves (PSDB-MG) que Imbassahy ocupará o lugar do ministro Geddel Vieira Lima na articulação política, mas só após a eleição da Câmara.

Temer teve de recuar do anúncio porque depende do Centrão, que reúne 13 partidos e cerca de 200 deputados, para sobreviver nesses tempos sombrios, nos quais pedidos de impeachment não faltam. Foi justamente o Centrão que se queixou da indicação de Imbassahy, pois viu ali uma manobra para beneficiar a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara, com o aval do PSDB.


Minientrevista

Marina Silva
ex-senadora (Rede)

Como a senhora avalia estes sete meses de governo Temer?

O governo ainda não foi capaz de se estabelecer. Vive praticamente o mesmo vendaval de crises que vivia a presidente Dilma. A única diferença é que no governo Dilma havia uma equipe econômica que dirigia em alta velocidade rumo ao precipício e agora tem uma equipe econômica que, com competência, tenta desviar do precipício. No entanto, a crise política pode acabar prejudicando a economia.

Por quê?

Estamos vivendo uma situação esdrúxula. Geralmente a instituição Presidência da República, com credibilidade e legitimidade, serve de superfície para que os diversos setores do governo trabalhem. O que está acontecendo é que um dos setores, no caso a economia, é que dá sustentação ao governo. A cada terremoto, como a delação da Odebrecht, o governo usa a equipe econômica para se salvar. Os vendavais não vão acabar, ainda podem levar o descrédito para a economia e vamos voltar à velha era dos pacotes quando a cada semana era lançado um pacote.

Como a Rede deve se posicionar em uma eventual eleição indireta para presidente?

A legislação eleitoral aprovada bem antes dessa crise (e travada no Congresso) estabelece que na vacância do cargo haverá nova eleição a menos que seja a seis meses do pleito. Há que se fazer um esforço para criar mecanismos que façam essa adequação. O pior dos mundos é uma eleição indireta com esse Congresso que aí está. O que o Brasil precisa neste momento é devolver para a sociedade a legitimidade para repactuar as medidas de transição na saída da crise.

Existe outro caminho?

Eu já dizia antes que a renúncia é sempre um ato pessoal, unilateral. A presidente Dilma poderia ter feito esse gesto. Não fez. O presidente Temer, no meu entendimento, se encontra na mesma situação que ela. Poderá fazê-lo. Mas isso depende de cada um. É dele. Faltam 16 dias.

Qual a opinião da senhora sobre a PEC do Teto e a reforma da Previdência?

Em 2010, quando fui candidata pela primeira vez, propus que o aumento do gasto público seria o crescimento do PIB considerando a correção da inflação. É uma diferença básica dessa proposta do governo. No caso da Previdência, não há dúvida que devemos resolver esse grave problema. Mas corrigiria arbitrariedades. Uma pessoa ter que levar quase 50 anos de contribuição contínua para fazer jus à aposentadoria integral é uma arbitrariedade. Uma outra coisa é porque apenas alguns setores vão passar pelo sacrifício? Por que não temos o princípio da equidade incluindo militares, Judiciário e Legislativo? Eu votaria, se fosse ainda senadora, pela admissibilidade das duas medidas corrigindo as arbitrariedades.
 copiado  http://www.otempo.com.br/capa/

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagem em destaque

Ao Planalto, deputados criticam proposta de Guedes e veem drible no teto com mudança no Fundeb Governo quer que parte do aumento na participação da União no Fundeb seja destinada à transferência direta de renda para famílias pobres

Para ajudar a educação, Políticos e quem recebe salários altos irão doar 30% do soldo que recebem mensalmente, até o Governo Federal ter f...