Entenda - Grana que poderia voltar para previdencia e outros. Senado rejeita recursos contra lei que beneficia teles Secretaria da Mesa derruba três recursos contra projeto de lei que dá presente bilionário às operadoras - texto deve seguir para sanção de Michel Temer trata-se de um presente às teles de pelo menos 20 bilhões de reais – mas que pode chegar a 100 bilhões de reais, conforme o Tribunal de Contas da União. É que os bens atualmente usados pelas operadoras (redes, antenas, centrais telefônicas e imóveis) deveriam ser devolvidos ao controle estatal ao fim dos contratos, cuja previsão era em 2025. Relembre - Plano da Oi prevê venda das operações de telefonia móvel - ‘Fundo abutre’ Elliott quer investir R$ 10 bi na Oi Gestora americana conversa com governo e com Conselho da tele

A proposta é injusta e não atende aos interesses dos acionistas da Oi — destacou uma fonte ligada aos credores
Enquanto isso, o Conselho de Administração da operadora já conta com uma nova configuração, com Helio Costa e Demian Fiocca, indicados pelo acionista Société Mondiale, de Nelson Tanure, dono de 6,32% das ações da tele. Já o BNDES indicou Ricardo Reisen e Marcos Duarte.



Senado rejeita recursos contra lei que beneficia teles

Secretaria da Mesa derruba três recursos contra projeto de lei que dá presente bilionário às operadoras - texto deve seguir para sanção de Michel Temer

Em uma reviravolta, a Secretaria Geral da Mesa Diretora do Senado decidiu nesta segunda-feira rejeitar os recursos que exigiam a votação em plenário do projeto de lei que muda as normas de exploração da telefonia fixa no país e entrega a infraestrutura existente ao domínio definitivo das cinco concessionárias (Oi, Vivo, Claro, Algar e Sercomtel) em troca de promessas de investimento em banda larga. O texto final pode seguir ainda nesta segunda-feira para as mãos do presidente Michel Temer.
Conforme reportagem de VEJA deste fim de semana, trata-se de um presente às teles de pelo menos 20 bilhões de reais – mas que pode chegar a 100 bilhões de reais, conforme o Tribunal de Contas da União. É que os bens atualmente usados pelas operadoras (redes, antenas, centrais telefônicas e imóveis) deveriam ser devolvidos ao controle estatal ao fim dos contratos, cuja previsão era em 2025. A nova regra vai permitir que as teles fiquem com esse patrimônio com a contrapartida de que invistam um valor equivalente em seus próprios negócios de banda larga.
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O PLC 79/2016 muda as regras da Lei Geral de Comunicações para permitir a mudança no regime de concessão para autorização, considerado mais livre e lucrativo. O governo patrocina as alterações com o argumento de que elas vão destravar investimentos na expansão das redes de fibra ótica propícias ao tráfego de dados em banda larga, principalmente em áreas remotas e de baixo interesse comercial. O do argumento dos defensores da ideia é que a renúncia se justifica porque caberia Estado levar a banda larga a esses locais onde as empresas demorariam a chegar por falta de mercado consumidor. Mas, como o governo não tem recursos, abre mão de receber a infraestrutura de volta em prol das operadoras, responsáveis por fazer os investimentos numa rede que, diferentemente da de telefonia fixa atualmente, ficará para elas próprias.
A ideia por trás do projeto de lei beneficia diretamente a Oi, maior operadora do país, que tem 65 bilhões de reais em dívidas e abriu processo para recuperação judicial. O projeto de lei veio da Câmara, de autoria do deputado Daniel Vilela (PMDB-GO), mas possui as digitais da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e do governo Dilma Rousseff, que abriu as discussões do tema. Mesmo na bancada de oposição há defensores da mudança, como o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC).
A decisão da Secretaria Geral da Mesa só deve ser publicada em fevereiro, quando termina o recesso parlamentar. No entanto, os servidores do Senado preparam os trâmites burocráticos finais para encaminhar o texto à Casa Civil, a fim de que seja sancionado pelo presidente Michel Temer. O envio pode ocorrer nesta segunda ou na terça-feira, sem leitura no plenário, depois de a papelada ser assinada por um dos senadores com assento na Mesa Diretora, em caso de não ser possível colher a do presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Na semana passada, o Palácio do Planalto programou uma cerimônia de sanção para esta terça-feira.
VEJA apurou que o secretário geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, que está em férias, orientou os secretários adjuntos por telefone a rejeitar os recursos. Mas a ordem partiu de cima: “Essa decisão com certeza não veio da cabeça dele”, comentou um servidor da Mesa. “Tem muito jogo de cena nesse processo.”
Os três recursos rejeitados são dos senadores José Pimentel (PT-CE), Paulo Rocha (PT-PA) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Eles pediam que o projeto de lei fosse votado no plenário do Senado, o que atrasaria a sanção presidencial e adiaria a concessão da benesse bilionária às cinco operadoras. O projeto havia sido aprovado de forma conclusiva apenas em comissões, tanto na Câmara dos Deputados quando no Senado Federal.
Os dois primeiros recursos tiveram assinaturas removidas por pressão do vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC). Influente no setor, Viana trabalhou para que o projeto fosse discutido de forma breve e chegasse mais rápido às mãos de Michel Temer. A articulação de Viana para derrubar os recursos causou atritos na bancada do PT. A relatoria no Senado era do senador Otto Alencar (PSD-BA), um dos Estados onde a Oi tem seus maiores ativos, e aliado do ministro das Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD). Kassab foi pessoalmente ao Senado pedir pela aprovação da lei, incluída por Renan como pauta prioritária da Agenda Brasil.
Segundo recurso a ser protocolado, o liderado por Paulo Rocha, no entanto, ganhou duas assinaturas na sexta-feira, dos senadores Regina Sousa (PT-PI) e Reguffe (sem partido-DF). Em tese, ele voltaria a ser válido e ficaria com dez assinaturas ao todo. Mas a Mesa afirma que as assinaturas de Regina e Reguffe foram entregues fora do prazo legal. O documento,consultado por VEJA, foi protocolado às 19h59 de sexta-feira, tendo sido recebido por um servidor e carimbado. A entrega foi fotografada e filmada. Ao longo da sexta-feira, os funcionários da Mesa haviam afirmado, inclusive à reportagem, que o horário limite era às 20h. Porém, após orientação dada por Bandeira Filho, agora dizem que horário correto seria às 18h30, fim do expediente administrativo, porque não havia sessão no Senado.
Protocolado no mesmo dia, o terceiro recurso, em nome Vanessa Grazziotin, contém apenas quatro assinaturas de punho e não atingiu o mínimo de nove senadores – as demais eram cópias digitais que seus assessores pretendiam revalidar (procedimento que a secretaria geral se recusa a aceitar).
Para reverter o processo internamente, agora seria necessário que um senador fizesse uma questão de ordem contra a rejeição dos recursos em sessão plenária do Senado – oque só ocorrerá em fevereiro. Assessores da liderança do PT que colheram as assinaturas para os recursos, articulados com ONGs do setor e entidades de defesa do consumidor, afirmam que tentarão uma liminar na Justiça.

Plano da Oi prevê venda das operações de telefonia móvel

Operadora quer se desfazer de uma série de ativos para levantar caixa e pagar credores

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Logomarca da Oi - Agência O Globo

RIO - A Oi enviou ontem à Justiça o seu plano de recuperação judicial. Com dívidas de cerca de R$ 65 bilhões, a tele criou quatro opções de pagamento, específicas para cada uma das classes dos credores, que somam 66.705 nomes. O plano prevê a venda de uma série de ativos para fazer caixa. Em laudo elaborado pela Ernst & Young, a tele carioca lista como opção a venda de suas operações de telefonia móvel, suas empresas na África, as companhias de call center, empresas de rede, imóveis e a rede de fibra óptica em São Paulo.
Caso consiga levar adiante o plano de venda de ativos, a tele deverá concentrar esforços nas operações fixas, como a de banda larga. Desde antes de entrar em recuperação, a operadora já apostava na estratégia de se desfazer de ativos para obter caixa.
O plano apresentado à Justiça prevê condições específicas para cada classe de credor. Para os investidores que compraram títulos emitidos pela empresa no exterior (os chamados bondholders), no total de R$ 34 bilhões, a Oi criou uma proposta de emissão de novas ações e um desconto de cerca de 70% no valor da dívida, conforme antecipou O GLOBO. A proposta foi deliberada e aprovada ontem pelo Conselho de Administração da Oi.
Pela proposta, a Oi vai emitir um pacote de valores mobiliários (que pode ser formado por novos títulos de dívidas, por exemplo) para os bondholders. Esse pacote de valores mobiliários terá ao menos um título de valor de face de até R$ 10 bilhões. E, se a Oi não resgatar esse título em até três anos, a dívida dos bondholders será transformada em 85% do capital da companhia.
CARÊNCIA DE DEZ ANOS
No caso dos bancos, a proposta prevê o alongamento da dívida em até 17 anos, com carência de dez anos. Nesse caso, segundo a proposta, o pagamento terá um teto de R$ 9,3 bilhões — os bancos contam com dívidas de R$ 14 bilhões. Neste caso, os juros variam entre a Taxa Referencial (TR) mais 1% ao ano e 8% anuais. Em dólar, a forma de pagamento está limitada a US$ 1,872 bilhão, com taxa de juros de 1,25% ao ano.
No caso do BNDES, que tem garantia real, a dívida foi alongada em 15 anos, com carência de dez anos — o pagamento de juros é o previsto em contrato. Na dívida com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), órgão regulador do mercado de telefonia, no valor de R$ 10 bilhões, a Oi está propondo converter as multas em obrigações de investimentos em infraestrutura e benefícios aos consumidores.
SOCIÉTÉ: LIMINAR DA BOVESPA
Segundo fontes, a Société Mondiale, que tem o empresário Nelson Tanure em seu comitê de investimentos, obteve ontem liminar da Câmara de Arbitragem da BM&FBovespa em que afirma que a competência para apreciar qualquer questão relacionada às assembleias convocadas pela Société é da Câmara de Arbitragem da Bovespa e não do Tribunal de Justiça do Rio. A Société havia marcado assembleias para quinta-feira com o objetivo de alterar os membros do Conselho de Administração da Oi indicados pelos portugueses da Pharol (ex-controladora da Portugal Telecom). Na prática, diz a fonte, as assembleias podem ocorrer.

‘Fundo abutre’ Elliott quer investir R$ 10 bi na Oi

Gestora americana conversa com governo e com Conselho da tele

por



Logomarca da Oi - Agência O Globo

RIO - Em processo de recuperação judicial, a Oi está perto de conseguir um novo sócio. Trata-se do “fundo abutre” americano Elliott Management, do bilionário Paul Singer. De acordo com fontes, os representantes do fundo já estiveram em Brasília apresentando seus planos ao governo e aos integrantes do Conselho de Administração da Oi. Nas conversas, o fundo, com sede em Nova York, disse pretender capitalizar a tele carioca em até R$ 10 bilhões.
O fundo Elliott ficou famoso após protagonizar uma batalha com a Argentina durante o processo de renegociação de dívida. O Elliott é considerado um fundo abutre, pois compra títulos de empresas ou países em situação financeira frágil para obter ganhos financeiros. Quando a Argentina anunciou o calote, em 2001, o fundo comprou títulos por baixo preço e entrou na Justiça. O fundo já havia feito o mesmo com o governo peruano nos anos 1990.
— Brasília viu com bons olhos a proposta apresentada pelo Elliott. O mais curioso desse processo é que o fundo começou o caminho por Brasília, e já conseguiu o apoio. O governo quer uma solução rápida para a Oi , pois é a principal concessionária de telecomunicações do país (em banda larga e telefonia fixa) e sua rede gerencia todo o sistema de comunicações do governo, como as fronteiras, exército e hospitais — disse uma fonte do setor.
APORTE AJUDARIA SITUAÇÃO DA TELE
O Elliott Management Corporation administra uma carteira bilionária.
— Por enquanto só há conversas. Ainda não apresentaram uma proposta firme — disse uma outra fonte que não quis se identificar.
A chegada de um novo sócio já está contemplada no plano de recuperação judicial apresentado pela Oi à Justiça no início de setembro. Com dívidas de cerca de R$ 65 bilhões, a Oi ainda prevê a venda de diversos ativos.
— A entrada de um novo sócio capitalizando a companhia com R$ 10 bilhões ajudaria a situação da Oi, dependendo das condições do negócio, que ainda não foram formalizadas. Mas obviamente esses recursos não seriam suficientes para solucionar o problema como um tudo — destacou outra pessoa próxima a negociação.
Por isso, uma das propostas mais polêmicas é a venda de parte de suas operações móveis no Brasil. Hoje, a Oi é a quarta maior operadora de celular do país, atrás de Vivo, Claro e TIM.
— As conversas com Elliott começaram antes da apresentação do plano de recuperação judicial. O desafio da Oi é sair desses processo com sustentabilidade. É um desafio operacional. No caso da venda de ativos, é essencial continuar com uma operação convergente, com a telefonia móvel, mas a operação móvel não precisa ser como é hoje — destacou uma fonte.
Em setembro, a Oi apresentou ofertas específicas para cada uma das quatro classes de credores. No caso dos donos de títulos emitidos pela tele no exterior, a proposta prevê uma redução de até 70% no valor da dívida. Para os bancos, haveria alongamento do débito em até 17 anos, com carência de dez anos. Para o BNDES, que tem garantia real, a dívida seria alongada em 15 anos, com carência de dez anos. Em relação ao que deve à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que regula o setor, a Oi quer converter as multas em obrigações de investimentos em rede. O plano, porém, deve passar por ajustes, já que será alvo de questionamento dos credores nas próximas semanas.
— A proposta é injusta e não atende aos interesses dos acionistas da Oi — destacou uma fonte ligada aos credores.
Enquanto isso, o Conselho de Administração da operadora já conta com uma nova configuração, com Helio Costa e Demian Fiocca, indicados pelo acionista Société Mondiale, de Nelson Tanure, dono de 6,32% das ações da tele. Já o BNDES indicou Ricardo Reisen e Marcos Duarte.
COPIADO  http://oglobo.globo.com/economia/fu

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