Excluídos do Bolsa Família deixam interior em busca de uma vida melhor nas capitais do Brasil
21 de dezembro de 2016
Cícero da Silva saiu de Girau do
Ponciano e hoje cata latinhas; Laís pede esmolas para sustentar filhas
COMENTE Cícero da Silva cata latinhas em Maceió após deixar Girau do
Ponciano FOTO: PEDRO FERRO Em uma casa de taipa no município de Girau do
Ponciano, no interior de Alagoas, uma família de cinco pessoas comia
21
dez
Cícero da Silva cata latinhas em Maceió após deixar Girau do Ponciano
FOTO: PEDRO FERRO
FOTO: PEDRO FERRO
O homem de 50 anos se tornou mais um excluído do Programa Bolsa Família, após ter seu cadastro bloqueado, por falta de documentos. Um invisível para o governo, que está vivendo abaixo da linha da pobreza, em Maceió, local que veio tentar a sorte de ter uma vida melhor. O maior pente-fino da história do programa do Governo Federal já bloqueou ou cancelou 19 mil benefícios em Alagoas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA).
Excluídos do Bolsa Família deixam interior em busca de uma vida melhor
FOTO: PEDRO FERRO
FOTO: PEDRO FERRO
Hoje, ele cata latinhas e garrafas nas ruas da capital, a fim de vender para empresas de reciclagem, além de cortar árvores e capinar em residências dos bairros de Maceió. Ele diz que consegue faturar cerca de R$ 25,00 à R$ 30,00 reais por dia, trabalhando de domingo a domingo.
O município de Girau tem Índice de Desenvolvimento Humano baixo, segundo o Atlas do IDH. Até o ano de 2000, metade da população da cidade era analfabeta. Hoje, não há uma pesquisa que mostre os números corretamente, do nível de analfabetismo dos habitantes do local.
Casos como o de Cícero têm se tornando constante em Alagoas. Como ele, Laís dos Santos saiu de São Luís do Quitunde, no Litoral Norte do estado, a fim de conseguir dar uma vida melhor para os filhos em Maceió.
Ela tem 21 anos e fica todos os dias na porta de estabelecimentos comerciais e agências bancárias para conseguir dinheiro. Com as duas filhas, ela pede dinheiro ou comida, além de materiais para a higiene da filha de dois anos, que ainda usa fraudas. A jornada em busca da sustento começa às sete da manhã e, enquanto ela está à porta do banco, seu marido está no centro de Maceió ou no Jaraguá, descarregando caminhões para ganhar um “trocado”.
“Meu benefício foi cortado. Mesmo assim quando tentei resolver, os documentos não eram suficientes e algo estava errado. Não entendi muito bem porque não tenho muito conhecimento dessas coisas. A alternativa foi tentar a vida em Maceió”, desabafa Laís.
Laís dos Santos pede esmolas para sustentar a família em Maceió
FOTO: PEDRO FERRO
FOTO: PEDRO FERRO
Segundo o economista Felippe Rocha o corte do benefício para famílias do interior de Alagoas pode causar danos à economia do estado.
“Quem recebe o auxílio, geralmente, está na subsistência. Retirando este benefício pode ser impactante para a economia por conta de que aquela agricultura familiar, como é o caso de maioria das pessoas que recebem o Bolsa Família, pode virar êxodo rural e impactar no aumento de preços”, informou.
Ainda segundo Felippe, a busca pelo emprego na capital, muitas vezes, é ilusória e pode aumentar o número de analfabetos. “Sem auxílio, essas pessoas vem pra capital e buscam trabalho, mas não encontram. Porque o mercado hoje pede qualificação e boa parte não tiveram uma formação. Com isso, aqueles que têm filhos colocam a criança para ajudar no trabalho e isso vai formando mais analfabetos e pessoas sem qualificação”, expôs.
Excluídos do Bolsa Família deixam interior em busca de uma vida melhor
FOTO: PEDRO FERRO
FOTO: PEDRO FERRO
Já o cientista social, Aurélio Santos, explica que o Bolsa Família é necessário para o auxílio das famílias, principalmente no momento de crise e o que a falta do benefício pode causar.
“A maioria das pessoas que recebem o Bolsa Família estão no interior. Estima-se que em todo o país, 20% dos beneficiários não têm acesso a escola ou emprego e, consequentemente, sem qualificação profissional. E quem recebe e tem acesso ao colégio, largaria a escola e tentaria trabalhar. Ou seja, o sub emprego iria ficar cada vez mais barato. Se o país tivessem escolas e ensino de qualidade, aprimorar e qualificar pessoas que não possuem acesso ao estado. Construir novas escolas, também com isso, o Bolsa Família iria começar deixar de ser necessário e iríamos construir uma geração mais qualificada, aumentando o valor da mão de obra e um maior sustento familiar. Podendo até provocar a marginalização de muitos”, explica Aurélio.
O Gazetaweb tentou entrar em contato com a Secretaria de Estado da Assistência e do Desenvolvimento Social (Seades), mas não obteve êxito.
Excluídos do Bolsa Família deixam interior em busca de uma vida melhor
FOTO: PEDRO FERRO
FOTO: PEDRO FERRO
Fonte: GazetaWeb
copiado http://www.pirambunews.com.br/
Nenhum comentário:
Postar um comentário