Sistema Galileo, semelhante ao GPS, é vitória europeia na Terra e no céu
11h03
- Stephane Corvaja/ ESA/ AFP17.nov.2016 - Foguete Ariane 5 com quatro satélites do sistema Galileo é lançado em Kourou, na Guiana Francesa
Desde o lançamento do projeto, em 1999, os Estados Unidos começaram a questionar a iniciativa. Depois do atentado de 11 de setembro de 2001, as pressões americanas aumentaram. Em dezembro do mesmo ano, o então vice-ministro da Defesa dos Estados Unidos, Paulo Wolfowitz, enviou uma mensagem aos ministros de Defesa da UE externando "preocupações" sobre as interferências que Galileo poderia ter sobre o GPS militar americano (que é criptografado) no caso de operações militares da Otan.
A intenção do Pentágono de obstruir o acesso ao GPS civil durante a invasão do Iraque em 2003, para impedir sua utilização pelos inimigos, como já ocorrera na guerra do Kosovo (1999) e na guerra do Kuait (1998-1999), mostrou a vulnerabilidade da Europa e do resto do mundo ao controle dos Estados Unidos sobre o sistema de geolocalização americano que também orienta as atividades civis do planeta inteiro.
A UE decidiu então acelerar a preparação de Galileo. Porém, no interior da UE, havia divergências. Enquanto a França e a Alemanha apoiavam o projeto, o Reino Unido, a Holanda e outros países mais próximos dos Estados Unidos exprimiam suas reservas. No meio tempo as tensões diminuíram facilitando o entendimento entre europeus e americanos. Em 2004, as duas partes negociaram um acordo de compatibilidade entre os dois sistemas de navegação. Ainda houve problemas entre os europeus a respeito da participação de cada país na construção e no financiamento dos 30 satélites que estarão girando numa órbita situada a 23 km da Terra em 2020.
Galileo consolida vários desafios. Num momento em que no Brasil e em vários países do mundo, a começar pelos Estados Unidos, a intervenção do Estado na economia é vilipendiada e considerada obsoleta, deve ser registrado que o financiamento dos 13 bilhões de euros investidos em Galileo provém do orçamento público da UE. Mas é sobretudo a independência estratégica da UE, prelúdio de um futuro sistema de defesa europeu autônomo com relação aos Estados Unidos, que suscitará restrições entre os americanos e, sobretudo, na administração Trump. Talvez um twitter do futuro presidente escancare, desde logo, a rivalidade entre europeus e americanos no espaço.
COPIADO http://noticias.uol.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário