Venezuela pode estar a subestimar o número de casos de Zika
A infeção pelo vírus de Zika parece estar ligada a um crescente número de casos de microcefalia
Em países como o Haiti, realizam-se fumigações para evitar a propagação de doenças como o Zika, a malária e o dengue
| REUTERS/Andres Martinez Casares
A infeção pelo vírus de Zika parece estar ligada a um crescente número de casos de microcefalia
A
Venezuela estará provavelmente a subestimar o número de casos de
infeção pelo vírus Zika no país, de acordo com médicos locais, com o
governo da vizinha Colômbia e com políticos que se opõem ao governo de
Nicolas Maduro.
A ministra da Saúde da
Venezuela, Luisana Melo, anunciou no princípio de fevereiro que tinham
sido registados 4700 casos de infeção pelo Zika no país. O país quente e
húmido poderá, no entanto, ter muitos mais casos que não estão a ser
identificados, alertam médicos.
O vírus
parece estar ligado a casos de microcefalia em bebés quando mulheres
grávidas são infetadas, e já levou a um alerta da Organização Mundial de
Saúde, que lidera a corrida para encontrar uma vacina para o Zika e
comprovar cientificamente a ligação entre a microcefalia e a infeção.
Médicos
na Venezuela afirmam que a crise económica que se vive no país limita a
disponibilidade de produtos desde repelentes de mosquitos até
medicamentos para a febre, essenciais no combate e tratamento dos
sintomas do vírus Zika. "O governo está a esconder informação", disse o
oncologista José Manuel Olivares à agência Reuters. "Se não reconhecerem a magnitude da crise, não vão agir. O número de casos de Zika vai aumentar".
O
especialista em doenças infecciosas Julio Castro estima que os casos
possam ir de 240 mil a 500 mil, baseando-se em algoritmos e na
informação de boletins de saúde divulgados ilegalmente. O Ministério da
Saúde venezuelano deixou de emitir boletins regulares há mais de um ano.
A
vizinha Colômbia, que registava mais de 20 mil casos de infeção por
Zika no princípio de fevereiro, também comentou o caso. "A situação do
Zika na Venezuela pode ser muito mais séria do que a do nosso país",
disse o ministro da Saúde Alejandro Gaviria, numa entrevista com a rádio
colombiana BLU. O governo de centro-direita da Colômbia choca
frequentemente com o governo socialista de Caracas liderado por Maduro.
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