Se todas as
acusações e denúncias dirigidas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
forem realmente verdadeiras, o seu afastamento do mandato e da
presidência da Casa, determinado pelo ministro Teori Zavascki do Supremo
Tribunal Federal (STF), foi tardiamente concretizado.Cunha vem
se envolvendo em suspeitas de irregularidades há muitos anos, e não está
sozinho nesta trajetória. É citado em casos como da Cehab, Cedae,
RioPrevidência e Furnas.
As acusações atuais contra Cunha -
responsável por conduzir o processo de impeachment da presidente Dilma
na Câmara - são tão graves que o procurador-geral da República, Rodrigo
Janot, se referiu a ele como um "delinquente". Em sua definição,
delinquente significa quem infringe uma lei ou normas morais, pessoa que
praticou um delito; criminoso. Entre os sinônimos de delinquente estão
bandido, réu, matador, malfeitor, homicida, facínora, criminoso,
celerado, assassino, sicário. Como pode um delinquente - se Cunha
realmente for - conduzir um processo de impeachment de um presidente da
República?
A decisão do STF é importante. Contudo, é também
fundamental para o resgate da dignidade do país que a Justiça mire seu
alvo não apenas nos criminosos do presente, mas também nos do passado.
Não adianta a hipocrisia de mandar prender quatro ou cinco. Para limpar o
país, é preciso que todos os criminosos sejam presos. Caso contrário,
os do passado acabam voltando. As
acusações contra Cunha - responsável por conduzir o processo de
impeachment de Dilma na Câmara - são tão graves, que o procurador
Rodrigo Janot se referiu a ele como um "delinquente"Na
Espanha, o banqueiro Mario Conde, que foi preso nos anos 1990 por
desvio de milhões de euros no caso Banesto e cumpriu 11 anos de cadeia,
foi detido mês passado por operações de transferência maciça de capitais
da Suíça, Reino Unido e de outros países para contas suas na Espanha. É
um exemplo claro de acusados do passado que voltam a agir, e que acabam
se tornando um deplorável exemplo para o povo, já cansado de tantos
roubos e desmandos. Na Espanha, esta desesperança deve se refletir nas
próximas eleições, em junho. E no Brasil, com 10 milhões de
desempregados, com servidores públicos sem salário, com uma imensa massa
de pessoas na linha da pobreza... quais as consequências desses
péssimos exemplos?
Levantando essas questões, o Jornal do Brasil não está pregando o pessimismo. O país é que não aguenta mais este estado de anomia. O JB,
na verdade, cumpre a sua missão de trazer à tona a voz de seus
leitores. A voz de brasileiros que não suportam mais ver o país ter sua
dignidade massacrada por quem diz representar o povo.
O que se
espera do Brasil? Que ele vire uma Venezuela? Mas aqui não há 30 milhões
de habitantes. Há 210 milhões. Não somos uma, somos sete Venezuelas.
Não adianta "meia sola" de ações judiciais. Tem que ser sola inteira.
Não adianta prender "delinquentes" empreiteiros e depois manda-los para
casa, como prêmio pelo acordo de delação. Enquanto esses ladrões ficam
soltos, e com o milionário produto de seus roubos, seus empregados
acabam sendo os únicos punidos, engrossando a massa de desempregados e
desamparados do país. Estes sim, têm seus bens "sequestrados" pela falta
de trabalho, e pagam pelo crime cometido por seus patrões.
É
preciso que se dê uma resposta ampla e irrestrita para os brasileiros
que pedem por Justiça. Mas não uma Justiça seletiva e tardia. O Brasil
espera uma Justiça completa, total, íntegra e absoluta, em todos os
Poderes. copiado http://www.jb.com.br/pais/n
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