áudios
MBL foi financiado por partidos que lideraram golpe contra Dilma
São Paulo – Reportagem de hoje (27) do jornal Folha de S.Paulo revela que o Movimento Brasil Livre, liderado por Kim Kataguiri, recebeu apoio financeiro e material do PSDB, DEM, Solidariedade e PMDB, os quatro principais partidos que lideraram as mobilizações populares e políticas pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff.
Leia a reportagem original no portal UOL
- Ed Ferreira/Folhapress27.mai.2015 - Participantes da Marcha pela Liberdade, caminham na Esplanada dos Ministérios, em direção ao Congresso Nacional
Em uma gravação de fevereiro de 2016 a que o UOL
teve acesso, Renan Antônio Ferreira dos Santos, um dos três
coordenadores nacionais do MBL, diz em mensagem a um colega do MBL que
tinha fechado com partidos políticos para divulgar os protestos do dia
13 de março usando as "máquinas deles também".
Renan diz ainda que o MBL seria o único grupo que realmente estava
"fazendo a diferença" na luta em favor do impeachment de Dilma
Rousseff.
Ouça a gravação abaixo.
Renan Santos fala sobre a ligação do MBL com partidos políticos
Em nota enviada ao UOL,
Renan Santos confirmou a autenticidade do áudio e informou que o comitê
do impeachment contava com lideranças de vários partidos, entre eles,
DEM, PSDB, SD e PMDB.
"As manifestações não
são do MBL. 13 de Março pertence a todos os brasileiros, e nada mais
natural que os partidos de oposição fossem convidados a usar suas redes
de divulgação e militância para divulgar a data. Não houve nenhuma ajuda
direcionada ao MBL. Pedimos apenas que divulgassem com toda energia
possível. Creio que todos o fizeram", informa nota do MBL.
O movimento negociou também com a Juventude do PSDB ajuda financeira a
suas caravanas, como pagamento de lanches e aluguel de ônibus, e teria
tido apoio da "máquina partidária" do DEM.
Os
coordenadores do movimento, porém, negociaram e pediram ajuda a partidos
pelo menos a partir deste ano. Atualmente, o MBL continua com as
campanhas de arrecadação nos seus canais de comunicação, mas se define
como "suprapartidário". Aliás, a contribuição financeira concedida é
vinculada ao grau de participação do doador com o movimento. A partir
de R$ 30, o novo integrante pode ter direito a votos.
Já os partidos políticos que teriam contribuído com o MBL têm versões
distintas para explicar o caráter e a forma desses apoios, chegando em
alguns casos a negá-los. Conheça cada caso.
PMDB e os panfletos
O PMDB teria custeado a impressão
de panfletos para o MBL divulgar as manifestações pró-impeachment
ocorridas pelo país no último dia 13 de março. O presidente da Juventude
do PMDB, Bruno Júlio, informou ao UOL que solicitou ao presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, que custeasse R$ 20 mil em panfletos de divulgação dos atos, com a inscrição "Esse impeachment é meu". A assessoria de Moreira Franco nega.
O dirigente da JPMDB afirma que o material foi pago pelo partido e
entregue ao MBL, que distribuiu para suas sedes regionais e espalhou por
todo o país. "O MBL auxiliou na logística, distribuindo os panfletos e
colando cartazes, mas a Fundação Ulysses Guimarães pagou porque se
tratava de uma campanha nossa, da Juventude do PMDB, que nós
encampamos", explica.
O lema "Esse impeachment
é meu", no entanto, pertence ao MBL, que estampou a frase em camisetas,
faixas e cartazes, além de tê-lo utilizado em discursos e vídeos
gravados por suas lideranças.
Procurada, a
assessoria do atual secretário-executivo do PPI (Programa de Parcerias e
Investimentos) do governo interino, Moreira Franco, disse, no primeiro
momento, que o ex-ministro da Aviação Civil do governo Dilma não se
recordava se teria pago ou não pela impressão. Posteriormente, negou que
o pagamento tenha ocorrido e afirmou que nem Moreira Franco nem o PMDB
jamais trabalharam em parceria com o MBL.
Questionado sobre o apoio, o MBL não confirmou o custeio dos panfletos,
disse apenas que o PMDB fazia parte da comissão pró-impeachment.
Solidariedade e DEM
A assessoria de imprensa do Solidariedade confirmou a parceria em nota ao UOL:
"O apoio do Solidariedade ao MBL foi com a convocação da militância
para as manifestações do impeachment, carro de som nos eventos e
divulgação dos atos em nossas redes."
Já o DEM
informou que atuou em conjunto com o MBL, mas negou qualquer tipo de
ajuda financeira ou apoio material ao movimento. "O Democratas se uniu
aos movimentos de rua em favor do impeachment. Não houve nenhum tipo de
apoio financeiro, apenas uma união de forças com os movimentos de rua,
dentre eles o MBL", disse o partido.
PSDB
Em gravação feita no dia 5 deste mês a que o UOL
teve acesso, o secretário de Mobilização da Juventude do PSDB do Rio de
Janeiro, Ygor Oliveira, dá detalhes a seus colegas de partido sobre uma
"parceria com o MBL" para financiar uma manifestação que veio a ocorrer
no dia 11 de maio, em Brasília, durante a votação no Senado que
resultou no afastamento de Dilma Rousseff da Presidência da República.
Ouça a gravação.
Ygor Oliveira, da Juventude do PSDB-RJ, fala de parceria com MBL
Oliveira confirmou ao UOL a
autenticidade da mensagem, mas disse que a "parceria" acabou por não se
concretizar. "Isso foi um rascunho de uma parceria, que acabou não
dando certo", afirmou.
Ele disse também que essa fora a primeira iniciativa conjunta entre a Juventude do PSDB e o MBL, e que não pretende realizar outras: "Foi o primeiro projeto conjunto (de financiar a viagem de manifestantes a Brasília), e por ora não existe nenhuma outra iniciativa em vista."
Procurado pela reportagem, o MBL confirmou a "aproximação ao PSDB", mas não informou se a parceria com o partido para pagar o lanche e o transporte de manifestantes no dia 11 de maio efetivamente se concretizou.
Em nota, Renan Santos, coordenador nacional do movimento e filiado ao PSDB entre os anos 2010 e 2015, afirmou que "o MBL não criminaliza a política nem os políticos. A aproximação com as lideranças (políticas) foi fundamental para pavimentar o caminho do impeachment."
Ele disse também que essa fora a primeira iniciativa conjunta entre a Juventude do PSDB e o MBL, e que não pretende realizar outras: "Foi o primeiro projeto conjunto (de financiar a viagem de manifestantes a Brasília), e por ora não existe nenhuma outra iniciativa em vista."
Procurado pela reportagem, o MBL confirmou a "aproximação ao PSDB", mas não informou se a parceria com o partido para pagar o lanche e o transporte de manifestantes no dia 11 de maio efetivamente se concretizou.
Em nota, Renan Santos, coordenador nacional do movimento e filiado ao PSDB entre os anos 2010 e 2015, afirmou que "o MBL não criminaliza a política nem os políticos. A aproximação com as lideranças (políticas) foi fundamental para pavimentar o caminho do impeachment."
UOL
O texto traz áudios em que se negocia o apoio financeiro a atividades do grupo, como a impressão de folhetos, cartazes, camisetas e a organização de manifestações pelo impeachment. O movimento negociou também com a Juventude do PSDB ajuda financeira a suas caravanas, como pagamento de lanches e aluguel de ônibus, e teria tido apoio da "máquina partidária" do DEM.Quando fundado, o movimento se definia como apartidário e sem ligações financeiras com siglas políticas. Em suas páginas em redes sociais, fazia campanhas para receber ajuda financeira das pessoas, sem ligação com partidos. O movimento fornecia uma conta bancária pessoal de seu coordenador, Kim Kataguiri.
Em um dos áudios, Renan Santos, um dos líderes do MBL, confirma como o movimento se articulou com os partidos políticos. Questionado sobre o apoio, o MBL não confirmou o custeio dos panfletos, disse apenas que o PMDB fazia parte da comissão pró-impeachment.
Um dos personagens citados é Moreira Franco, braço direito de Michel Temer, que teria ajudado a custear 20 mil panfletos para o MBL por meio da Fundação Ulysses Guimarães, com o lema "esse impeachment é meu" - Moreira negou à reportagem da Folha ter feito pagamentos ao MBL.
A reportagem também traz imagens que comprovam a proximidade entre integrantes do MBL e políticos que hoje simbolizam a corrupção, como Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Com reportagens do UOL e Brasil247
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