Planalto apostava em Renan para ganhar tempo no processo de impeachment Maranhão diz que tomou decisão para ‘salvar a democracia’ Aliado de Temer diz que decisão de Maranhão não preocupa: ‘Ato nulo’

Planalto apostava em Renan para ganhar tempo no processo de impeachment


Fernanda Krakovics - O Globo

BRASÍLIA - A expectativa do Palácio do Planalto e do PT era que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), aguardasse decisão do plenário da Câmara e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a anulação, pelo presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), da tramitação do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. O governo não considerava o despacho do deputado capaz de sustentar a nulidade do processo, mas esperava ganhar tempo.
Após reunião com a presidente Dilma; o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo; os ministros Jaques Wagner (chefia de gabinete) e Ricardo Berzoini (Governo), no final da manhã, senadores do PT seguiram para a residência oficial do Senado para conversar com Renan. Os petistas receberam um balde de água fria ao serem avisados pelo peemedebista, que era considerado um aliado do governo, de que ele não seguraria o processo.
— Quando a gente chegou lá o Romero Jucá já estava — disse um dos senadores, referindo-se ao senador Romero Jucá (PMDB-RR), um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer.
De acordo com senadores petistas, na breve conversa com Dilma, no final da manhã, ela estava cautelosa, na linha do discurso que havia feito em solenidade momentos antes.
— Nossa alegria durou pouco — disse um funcionário do Planalto, logo após a decisão de Renan.

Maranhão diz que tomou decisão para ‘salvar a democracia’

Maranhão diz que tomou decisão para ‘salvar a democracia’
Maranhão diz que tomou decisão para ‘salvar a democracia’ Foto: André Coelho 02-06-2015 / Agência O Globo
Leticia Fernandes e Isabel Braga - O Globo

BRASÍLIA — Em um breve pronunciamento, o presidente interino da Câmara, deputado Waldir Maranhão (PP-MA), disse nesta segunda-feira que decidiu anular parte do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff para "corrigir vícios" que, no futuro, poderão ser "insanáveis".
— A nossa decisão foi com base na Constituição, nos regimentos para que possamos corrigir em tempo vícios que certamente poderão ser insanáveis no futuro - disse.
Cercado por deputados governistas, Maranhão afirmou também que sabe que o momento é delicado, mas que tomou a decisão pois ele tem o dever de "salvar a democracia".
— Tenho consciência do quanto esse momento é delicado. É um momento que temos o dever de salvarmos a democracia pelo debate. Não estamos nem estaremos brincando de fazer democracia.

Aliado de Temer diz que decisão de Maranhão não preocupa: ‘Ato nulo

O Globo
BRASÍLIA — O ex-ministro Eliseu Padilha, um dos principais aliados do vice-presidente Michel Temer, afirmou, nesta segunda-feira, que a decisão do presidente interino da Câmara Waldir Maranhão de anular o processo de impeachment não preocupa porque não tem validade.
— Essa decisão não significa nada — disse Padilha.
Questionado se Temer pretende tomar alguma medida, o ex-ministro respondeu:
— Não se faz nada contra o que é nulo. Ato nulo não gera nenhum efeito
Padilha disse que conversou com Temer sobre a decisão de Maranhão.
— Essa posição não é apenas minha. É nossa.
O aliado ainda acusou o presidente interino da Câmara de ter tomado a decisão de anular o impeachment porque o governo o beneficiou com cargos.
— Ele nomeou o sobrinho para Condevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) na semana passada.

 copiado http://extra.globo.com/n

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