O encontro Alckmin-Temer: finge de lá que eu finjo de cá
O Globo anuncia que Michel Temer vai oferecer seus préstimos de
“bombeiro” no incêndio que que arde no PSDB, num encontro, hoje, com o
governador paulista Geraldo Alckmin. O protocolo não permite, mas
seria...

O Globo anuncia que Michel Temer vai oferecer seus préstimos de “bombeiro” no incêndio que que arde no PSDB, num encontro, hoje, com o governador paulista Geraldo Alckmin.
O protocolo não permite, mas seria bom que os dois usassem um túnica vermelha, com um gorro da mesma cor encimado por um pompom branco.
Talvez assim houvesse uma remota chance de que acreditassem no que vão dizer um ao outro, nem que fosse um mero “Feliz 2017”.
Alckmin sabe que Temer é parte – e que parte! – do acordo Aécio-Serra-FHC que o jogou para escanteio no comando do seu partido e, em consequência, na disputa pela candidatura em 2018. Portanto, não tem nenhuma possibilidade de separá-lo dos seus adversários internos.
Temer, por sua vez, sabe que Alckmin não vai segurar a sua mão por amor e mergulhar com ele no poço de sua impopularidade. Já ensaiou isso durante a PEC dos Cortes, que a maioria ainda não entendeu bem o que significa, mas não fará na Previdência, o que todo mundo sabe o que quer dizer.
Embora a hipocrisia seja material abundante na política, hoje a teremos em alto grau de desempenho.
Alckmin em nada se considera devedor de Temer, que lançou Paulo Skaf ao governo do Estado em 2010. Era algo que poderia ter comprometido a vitória em primeiro turno do tucano e uma invasão ao que ele considera ser sua “porteira fechada”.
Nem mesmo a presença de Alexandre Morais no Ministério da Justiça o governador de São Paulo considera um crédito de Temer para com ele, porque sabe que há, ali, não apenas um vínculo pessoal mas os interesses temeristas no amplo acesso – inclusive ao que está sob segredo de Justiça – aos documentos da lava Jato, via Polícia Federal.
Temer, aparentemente, não tem, também, nada a dar a Alckmin. Sua barganha de apoio político com o grupo Aécio-Serra (sob a sombra de FHC) não tem desconto, a não ser que sua situação piore a um ponto em que o tucanato dominante concordasse em abrir mão dela, mas o que quer, ao contrário, é ampliar seu controle sobre o mingau federal, do qual até agora só comeu as bordas.
Mas é Natal, época das demonstrações de boa vontade, onde você diz “Felicidades” mesmo para aquele chato do síndico do prédio.
Mesmo que o edifício esteja descascando e soltando o reboco a olhos vistos.
O encontro Alckmin-Temer: finge de lá que eu finjo de cá
O Globo anuncia que Michel Temer vai oferecer seus préstimos de “bombeiro” no incêndio que que arde no PSDB, num encontro, hoje, com o governador paulista Geraldo Alckmin.
O protocolo não permite, mas seria bom que os dois usassem um túnica vermelha, com um gorro da mesma cor encimado por um pompom branco.
Talvez assim houvesse uma remota chance de que acreditassem no que vão dizer um ao outro, nem que fosse um mero “Feliz 2017”.
Alckmin sabe que Temer é parte – e que parte! – do acordo Aécio-Serra-FHC que o jogou para escanteio no comando do seu partido e, em consequência, na disputa pela candidatura em 2018. Portanto, não tem nenhuma possibilidade de separá-lo dos seus adversários internos.
Temer, por sua vez, sabe que Alckmin não vai segurar a sua mão por amor e mergulhar com ele no poço de sua impopularidade. Já ensaiou isso durante a PEC dos Cortes, que a maioria ainda não entendeu bem o que significa, mas não fará na Previdência, o que todo mundo sabe o que quer dizer.
Embora a hipocrisia seja material abundante na política, hoje a teremos em alto grau de desempenho.
Alckmin em nada se considera devedor de Temer, que lançou Paulo Skaf ao governo do Estado em 2010. Era algo que poderia ter comprometido a vitória em primeiro turno do tucano e uma invasão ao que ele considera ser sua “porteira fechada”.
Nem mesmo a presença de Alexandre Morais no Ministério da Justiça o governador de São Paulo considera um crédito de Temer para com ele, porque sabe que há, ali, não apenas um vínculo pessoal mas os interesses temeristas no amplo acesso – inclusive ao que está sob segredo de Justiça – aos documentos da lava Jato, via Polícia Federal.
Temer, aparentemente, não tem, também, nada a dar a Alckmin. Sua barganha de apoio político com o grupo Aécio-Serra (sob a sombra de FHC) não tem desconto, a não ser que sua situação piore a um ponto em que o tucanato dominante concordasse em abrir mão dela, mas o que quer, ao contrário, é ampliar seu controle sobre o mingau federal, do qual até agora só comeu as bordas.
Mas é Natal, época das demonstrações de boa vontade, onde você diz “Felicidades” mesmo para aquele chato do síndico do prédio.
Mesmo que o edifício esteja descascando e soltando o reboco a olhos vistos.
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