Recesso vira aliado de Temer para esfriar a crise política
Desafio será manter a base unida. Reforma ministerial pode ser desenhada. Legislativo e Judiciário só trabalham até esta semana
Recesso parlamentar vira aliado de Temer para esfriar crise política
Governo quer aproveitar para fazer balanços e definir estratégias para manter aprovações de medidas duras do ajuste fiscal. Seria um curto período de trégua que vem a calhar, no momento em que Temer enfrenta as maiores dificuldades em sete meses de governo. O desafio é manter a base unida e reforma ministerial pode ser desenhada.
Presidente Michel Temer durante evento oficial em Brasília
Crédito: Beto Barata/PR
Crédito: Beto Barata/PR
Em meio à grave crise política, baixa
popularidade e com uma economia que não dá sinais claros de recuperação,
o governo Temer vê no calendário um importante aliado. O Palácio do
Planalto aposta no recesso do Congresso e do Judiciário que tem início
nesta semana para esfriar a temperatura e tentar colocar em ordem o
turbilhão de acontecimentos dos últimos dias.
Seria, na avaliação de interlocutores do
presidente, um curto período de trégua que vem a calhar no momento em
que Michel Temer enfrenta as maiores dificuldades nos seus sete meses de
governo. O desafio é manter a base unida.
Uma reforma ministerial pode ser
desenhada nesse período, para garantir ao PSDB mais espaço e para
definir a situação de ministros implicados em delações, como Eliseu
Padilha da Casa Civil.
Mas a oposição não acredita nessa
trégua. A aposta é que a Lava-jato continuará a todo o vapor. Num gesto
pouco comum, a equipe do ministro Teori Zavascki, do STF, vai trabalhar
durante o mês de janeiro para deixar encaminhado todo o material da
delação dos executivos da Odebrecht. A tendência é que Teori homologue
ou não os acordos já na volta do recesso, no início de fevereiro. São
mais de 800 depoimentos.
O recesso paralisa as atividades, mas
nos bastidores, as articulações políticas não vão ser interrompidas. O
principal foco será a eleição do novo presidente da Câmara, que preocupa
o governo porque coloca em rota de colisão a base aliada.
O motivo é o racha que pode ser causado
com a insistência de Rodrigo Maia em disputar a reeleição e a
insatisfação dos partidos do centrão, que querem a todo custo comandar a
Casa nos próximos dois anos.
COPIADO http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/po
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