A resposta de Dilma a Rosa Weber sobre o golpe e aquela que eu escreveria
Da Folha, agora à noite: Em manifestação enviada ao STF (Supremo
Tribunal Federal), a presidente Dilma Rousseff sustentou a tese de que
está em curso “um verdadeiro golpe de Estado no Brasil, formatado por...
A resposta de Dilma a Rosa Weber sobre o golpe e aquela que eu escreveria

Da Folha, agora à noite:
A resposta de Dilma a Rosa Weber sobre o golpe e aquela que eu escreveria
Da Folha, agora à noite:
Em manifestação enviada ao STF
(Supremo Tribunal Federal), a presidente Dilma Rousseff sustentou a tese
de que está em curso “um verdadeiro golpe de Estado no Brasil,
formatado por meio de um processo de impeachment ilegítimo e ofensivo à
Constituição”.
A declaração é uma resposta da petista a uma interpelação
feita por deputados da base aliada do governo interino de Michel Temer
questionado a tese de que a petista é alvo de um golpe por seu
afastamento.
A partir da manifestação da
presidente afastada, os parlamentares podem ingressar com uma ação
contra ela, como, por exemplo, de crime contra a honra.
Dilma afirma que não há configurado
crime de responsabilidade contra ela no processo de impeachment. A
petista, no entanto, evitou apontar diretamente os responsáveis pelo
golpe.
“Fica evidente de que todos os
agentes públicos e privados que de forma dolosa tenham atuado, de algum
modo, para que esse processo de impeachment tivesse andamento,
indiscutivelmente, devem ser tidos do ponto de vista histórico e
político como coautores deste golpe de Estado em curso no Brasil”,
escreveu.
Na sequência, no entanto, Dilma cita as gravações
feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado com diversos
políticos da cúpula do PMDB, reveladas nas últimas duas semanas, entre
eles, o ex-presidente José Sarney e o senador Romero Jucá (PMDB-RR).
“Estes diálogos, demonstraram
cabalmente, que a verdadeira razão deste processo de impeachment não é a
aplicação de eventuais crimes de responsabilidade a uma presidenta da
República que eventualmente os tivesse praticado. A intenção é, na
verdade, afastar uma presidente da República, pelo simples fato de ter
cumprido a lei, ou seja, ter permitido que as investigações contra a
corrupção no país avançassem de forma autônoma e republicana.”
Dilma ainda alfinetou o governo
interino de Michel Temer afirmando que “tem sido público o incômodo dos
membros e dos defensores do governo interino com a palavra ‘golpe'”.
A presidente afastada disse que não
poderia deixar de responder a interpelação, que representa uma forma de
intimidação, e chega a citar sua luta contra a ditadura militar.
“Silenciar diante desta interpelação
seria negar uma vida e submeter-se a uma tentativa de intimidação. Uma
vida que resistiu à prisão e às torturas impostas durante o período da
ditadura militar, sem abdicar das suas crenças. Uma vida, de quem se
orgulha de ser mulher e de não se curvar diante de ameaças, de
intimidações ou de arbítrios, venham de onde vierem.”
Sei não. Juridicamente, é correta, mas como eu não sou “correto”, teria respondido assim:
Senhora Ministra Rosa Weber,
Meu respeito à independência do Supremo e
à serena interpretação da lei, se outra prova precisasse, certamente
haveria de provar-se, em sua consciência, na evidência de ter, com muita
honra, indicado seu nome à Suprema Corte de meu país. Como o fiz antes,
em 2005, em mensagem do então presidente Lula, que tive a honra de
subscrever, na sua indicação a Ministra do Superior do Trabalho.
É que, a par do seu vasto conhecimento
jurídico, certamente motivou-me, naquela decisão de 2011, o fato de
considerá-la pessoa incapaz de vergar-se aos ventos do poder e a
convicção de que sua pena penderia sempre ao oprimido, não ao opressor.
Reputo-a, assim, mulher inteligente e
altiva, não aquele pastiche da condição feminina que ganhou o
depreciativo nome de “Maria-vai-com-as-outras”, para definir,
preconceituosamente, aquelas nossas irmãs que, tão acostumadas ao
“subalternismo” pelos séculos de opressão, não conseguem se insurgir
contra a convencional obediência ao que nos dizem para pensar e fazer.
Referi-me a golpe, Senhora Ministra,
porque se tratou de um processo capitaneado por alguém que, com seu
voto, foi afastado, em decisão gravíssima, da Presidência da Câmara dos
Deputados por manipular as decisões daquela Casa de modo a preservar-se
dos efeitos das falcatruas que praticou.
Afastado, repito que em decisão proferida
com o seu próprio voto, infelizmente passados quase seis meses desde
que seus malfeitos provocaram tal pedido, feito pela PGR, período no
qual conduziu – lamentavelmente sob a tolerância do STF – tudo o que
quis e como quis nas decisões legislativas para a abertura do processo
de impeachment, ao qual resistia à proposta explícita de livrar-me caso
lhe oferecesse os votos para escapar de um processo de cassação.
Tudo isso é notório e público e, por isso, não faço pouco da percepção do Judiciário de perceber o que está à vista de todos.
Não bastassem aqueles acontecimentos,
senhora Ministra, vieram os fatos supervenientes ao seu pedido de
explicações, que certamente não seria feito depois das vergonhosas
gravações que revelaram um complô de altas figuras do legislativo
sugerindo que meu afastamento seria forma de “estancar a sangria” das
investigações da Lava Jato ou, se me permite reproduzir a grosseria, ao
“acabar com essa porra”, inclusive com supostos acordos com o próprio
Supremo Tribunal Federal.
Justiça, sabe bem Vossa Excelência, é um
exercício de dignidade. Não o de ocultar-se, envergonhado, por detrás de
arranjso de palavras que serem não para revelar o nosso pensamento, mas
para escondê-lo.
Não é de minha natureza e com mais certeza, não é da sua.
Sei que o risco de perder meu cargo, como
seria se fosse o caso de Vossa Excelência perder o seu, nada
representaria diante de podermos manter os valores que nos são mais
caros do que qualquer coisa nossa honra e nossa dignidade.
COPIADO http://www.tijolaco.com.br/blog
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