Repercussão do pedido de Janot Governo teme atraso de votações se houver prisão
Gestão Temer se preocupa, mas crê que Supremo negará pedido
A ordem do presidente interino, Michel Temer, é evitar comentários
oficiais sobre os pedidos de prisão da Procuradoria-Geral da República
contra líderes do PMDB, mas reservadamente o governo teme que eles
possam prejudicar votações de interesse do governo no Congresso caso
sejam aceitos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Um auxiliar lembrou que o governo tem pressa em votar medidas importantes para a economia, e as prisões poderiam atrasar este processo.
Além disto, assessores de Temer avaliam que, pelas gravações divulgadas até agora envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) não haveria motivo para decretar a prisão dos três líderes peemedebistas. Segundo eles, os diálogos gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado não representariam uma "tentativa de obstrução da Justiça".
A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a prisão de Calheiros e Sarney por suposta tentativa de interferir na Operação Lava Jato. Também foi pedida a prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por avaliar que a determinação de suspendê-lo do mandato e da Presidência da Câmara não surtiram efeito –ele continuaria tentando atrapalhar as investigações da operação.
A expectativa dentro do governo é que os pedidos sejam rejeitados pelo plenário do STF, mas a orientação é não fazer avaliações públicas para evitar qualquer interpretação de que o Palácio do Planalto estaria querendo interferir nos trabalhos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
É a primeira vez que a PGR pede a prisão de um presidente do Congresso e de um ex-presidente da República.
Nesta linha, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou nesta terça-feira (7) que apenas Janot pode responder sobre os pedidos que fez ao STF para prender quatro dos principais caciques do PMDB.
TEORI
O caso será analisado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo. No caso de Renan, Sarney e Jucá, a base para os pedidos de prisão tem relação com as gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado envolvendo os peemedebistas.
As conversas sugerem uma trama para atrapalhar as investigações do esquema de corrupção da Petrobras.
Os pedidos de prisão foram divulgados nesta terça (7) pelo jornal "O Globo" e confirmados pela Folha. Em relação a Sarney, o pedido é de prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, em razão de sua idade -86 anos.
Janot também pediu ao STF o afastamento de Renan da Presidência do Senado.
Gestão Temer se preocupa, mas crê que Supremo negará pedido
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