Brasil
Ministros do STF reabrem discussão de impeachment
Corte tende a manter rito, e ação deve voltar a andar na CâmaraSupremo reabre discussão de impeachment antes de seguir na Câmara
Especialistas opinam sobre a tendência de se manter o rito do processo
Hoje, os ministros do STF tendem a confirmar o entendimento fixado em dezembro. Com isso, Cunha não terá mais motivos para atrasar a instalação do processo de impeachment. Cunha promete fazer o caso andar assim que o STF bater o martelo.
O rito fixado pelo STF representou duas importantes vitórias para a presidente Dilma Rousseff. A primeira foi a decisão de anular a sessão da Câmara que elegeu integrantes para a comissão do impeachment, a maioria de oposição. Será preciso realizar nova eleição, com voto aberto e indicações de líderes de partidos políticos, sem a possibilidade da candidatura de chapa avulsa.
A segunda vitória do governo foi a declaração de que o Senado tem poderes para arquivar o processo, mesmo que a decisão tomada antes pela Câmara seja no sentido oposto.
A tendência é de que o relator do recurso, ministro Luís Roberto Barroso, mantenha o voto dado em dezembro, que foi seguido pela maioria dos colegas.
Procurados pelo GLOBO, cientistas políticos e economistas analisaram o momento político e as perspectivas do processo de impeachment. Leia a palavra dos especialistas:
Carlos Melo
Carlos Melo é cientista político e professor do Insper
Clemens Nunes
“Sou menos otimista que o mercado financeiro no curto prazo. O mercado aposta numa solução relativamente rápida e menos traumática dessa crise política. Eu enxergo um processo um pouco mais lento e com muitas idas e vindas. Um processo de impeachment pode ter algumas consequências para a economia. Podemos ir para um abismo mais profundo do que vimos até agora, se o governo apostar em medidas mais à esquerda, como acelerar o gasto público, usar parte das reservas do país para investimentos e injetar crédito na economia, numa tentativa de reagir ao impeachment. Num cenário de afastamento da presidente mais rápido, teremos muita volatilidade até lá e, dificilmente, a economia real melhore este ano. Este ano está perdido para a economia. A abertura de um processo de impeachment não vai melhorar o PIB nem a expectativa de inflação para 2016. Pensando no que pode vir depois, em caso de um afastamento da presidente, o que vai determinar a trajetória da economia é a capacidade de se construir uma agenda fiscal e microeconômica mínima que seja aprovada para destravar o investimento”.
copiado http://oglobo.globo.com/
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