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Com o horário de trabalho do funcionalismo público restringido e o governo praticamente paralisado para poupar energia, a crise elétrica se torna mais evidente e deflagrou focos de violência.
Em Maracaibo, segunda maior cidade venezuelana (noroeste), os últimos dois dias foram difíceis com alguns protestos e saques em um mercado popular, em uma loja, uma padaria e outros estabelecimentos comerciais. Além disso, houve pequenos incidentes em um setor de Caracas e em três cidades do norte, relataram moradores.
Maduro ordenou que as forças policiais evitem a desordem nas ruas.
"Quem tentar a violência frente a uma circunstância como essa (...) deve receber todo o peso da lei, porque estaria cometendo graves crimes contra a segurança e a pátria", advertiu.
Os apagões programados de quatro horas diárias em boa parte do país - excluindo Caracas - começaram na última segunda-feira (25) e serão mantidos por 40 dias para encarar uma seca provocada pelo fenômeno El Niño. O reservatório da hidrelétrica Guri, que gera 70% da eletricidade do país, está a ponto de entrar em colapso.
Além do expediente reduzido no setor público, as crianças não terão aula às sextas-feiras, e lojas e hotéis - grandes consumidores - devem gerar sua própria energia.
Para aproveitar mais a luz do dia, a partir do próximo domingo (1º de maio), os relógios serão adiantados em 30 minutos. Com isso, o fuso horário volta a ter quatro horas a menos em relação ao Meridiano de Greenwich (-4h GMT).
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Referendo contra a crise
Os cortes de luz irritam uma população já castigada pela escassez de alimentos e de remédios, pela inflação alta (180,9% em 2015) e por uma violência nas ruas que praticamente impõe toques de recolher em determinadas zonas de algumas cidades, incluindo Caracas.
Em janeiro e fevereiro, o Observatório Venezuelano de Conflitividade Social (OVCS) registrou 1.014 pequenos protestos em todo o país, além de 64 saques, ou tentativas de saque.
Maduro atribui a crise atual à queda dos preços do petróleo e a uma "guerra econômica" de empresários de direita para desestabilizar seu governo. Já a oposição culpa o modelo socialista.
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"Vim assinar para acabar com essa anarquia. Faltam remédios, trabalho, educação, e ainda tem o problema elétrico. Tenho família no interior do país, e estão sofrendo com os cortes", disse à AFP Miriam Leal, de 54 anos, em um posto de coleta de assinaturas do leste de Caracas.
Ao chegar para assinar o documento, o ex-candidato à presidência em 2013 Henrique Capriles comentou que esse é um referendo "contra a crise".
A oposição teme que o governo tente adiar o referendo até 10 de janeiro de 2017, especialmente agora que o setor público se encontra semiparalisado.
Nesse dia, completam-se quatro anos do período iniciado por Hugo Chávez e que está sendo concluído por Maduro, após sua morte em março de 2013. Se o referendo acontecer depois dessa data, e Maduro for derrotado, a Constituição prevê que o vice-presidente - nomeado pelo próprio presidente - o substitua. Se for antes, haverá nova eleição presidencial.
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Capriles disse acreditar em que a oposição coletará as assinaturas "em tempo recorde, em horas", para que o referendo aconteça em novembro, ou no final de dezembro.
Se o CNE validar essas primeiras 200.000 assinaturas, a oposição fica autorizada a reunir quatro milhões de signatários (cerca de 20% do eleitorado), mínimo necessário para convocar o referendo. O presidente Maduro poderá ser afastado, caso se obtenha 7.587.532 votos mais um.
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