Comunicação não produz legitimidade
Comunicação não produz legitimidade
A comunicação do atual governo é mesmo sofrível mas não é com porta-voz e campanhas publicitárias que Temer vai resolver seu maior problema, apontado, para ficar entre aliados, pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia: falta-lhe um elo com as ruas. E para ficar entre ex-aliados, o ex-deputado Eduardo Cunha foi ao ponto, em sua entrevista ao Estadão: “...temos um problema: o Michel foi eleito com a Dilma com um programa que ela não cumpriu. E ele também não está cumprindo. Por outro lado, ele aderiu ao programa do PSDB e do DEM, que perderam a eleição. Que o Brasil precisa de reforma previdenciária, trabalhista, não tenho dúvida. Mas é difícil fazer uma coisa muito radical, no meio de um mandato, com alguém sem a legitimidade, que não discutiu isso debaixo de um processo eleitoral.”
Na falta de legitimidade, não há porta-voz que dê jeito. E a percepção dela só vai aumentar, na medida em que Temer avançar na implementação da agenda que se propôs a executar para os que lhe deram o cargo com o golpe, especialmente para o PSDB. Cunha não sabe se ele chegará a 2018. Fernando Henrique diz que ele não lidera. A maioria dos eleitores sabe que não aprovou um programa com aposentadoria aos 65 anos, jornada de trabalho prolongada e serviços públicos sucateados pelo congelamento do gasto público. O Fora Temer tende a crescer e a aprovação ao governo a minguar mais ainda. Nestas condições, a função de porta-voz será muito ingrata. Mas sempre aparece um candidato. Ou candidata.
copiado http://www.brasil247.com/pt/247/poder
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