Multibanco
Comerciantes podem pagar o triplo em comissões
O cliente pode escolher a marca que irá processar o pagamento nos terminais Multibanco, mas esse gesto arbitrário pode custar o triplo ao empresário.
Parte das despesas dos comerciantes em comissões bancárias passaram a estar na mão dos clientes com a alteração nos terminais Multibanco (TPA) ao terem de optar pela marca – Multibanco, Visa, Mastercard ou American Express – que irá processar o pagamento. O resultado desse gesto arbitrário e sem custos para o cliente pode ser afinal “desastroso” para o comerciante, pois pode pagar o triplo em comissões bancárias.
“Há uma enorme diferença entre TSC conforme a
marca que o cliente irá selecionar no momento do pagamento, muitas
vezes sem valorizar esse gesto, e o comerciante é que vai arcar com esse
custo”, alerta Sérgio Pereira, diretor-geral do ComparaJá. “Na hora de
contratualizar um TPA, os comerciantes devem comparar as diferentes
ofertas existentes no mercado de forma a escolher a alternativa mais
competitiva para o seu negócio, isto, olhando não só os custos de
instalação e manutenção, mas também das comissões associadas às
diferentes transações”, conclui Sérgio Pereira.
A nível prático, vejamos as simulações de
comissões para uma compra de 40€, que equivale ao valor médio das
compras pagas através de TPA em Portugal. Se o comerciante tiver um
terminal da CGD e o cliente optar pela marca Multibanco, o comerciante
vai pagar 0,30€ de comissão. A comissão sobe ligeiramente para um TPA do
BCP: a mesma opção vai custar 0,36€. Se o TPA for do BIC ou do Novo
Banco, conforme os contratos, a mesma comissão pode subir até 0,60€. Mas
a maioria dos terminais não apresenta a opção “Multibanco” em primeiro
lugar e basta o cliente não selecionar qualquer opção para o pagamento
ser processado pela Visa ou Mastercard, mesmo a débito, para a mesma
comissão poder subir para 0,94€ (BIC).
Estas diferenças percentuais em transações de
baixo valor já são mais notórias no volume anual de transações pagas
através de TPA. Em 10 mil euros de transações, a comodidade do TPA pode
custar ao comerciante, só em comissões, 75€ (CGD, multibanco) ou 235€
(Visa ou Mastercard, BIC), ou seja, mais do triplo. Em 100 mil euros de
faturação, a diferença nestes dois exemplos ascendem a 1600€.
“Alguns comerciantes já se aperceberam deste
impacto e já começam a selecionar a opção Multibanco antes de entregar o
TPA ao cliente para introdução do PIN, mas muitos estarão ainda por
alertar”, comenta Sérgio Pereira.
Antecipar a opção do cliente
A associação de hotelaria e restauração
(AHRESP) considera que há uma “ausência de informação e falta de
transparência no processamento da operação” e alertou os associados que
“a escolha por parte do consumidor da opção Visa/Mastercard poderia
incorrer em custos com taxas de operações com cartões de crédito que
podem ser o triplo das taxas com operações com cartões de débito quando o
nosso cliente está a efetuar uma operação com cartão de débito”. Por
isso, refere Pedro Carvalho, diretor do Departamento de Investigação,
Planeamento e Estudos da AHRESP, aconselharam as “empresas a alertarem
elas próprias os clientes no momento da opção a selecionar”.
De facto, o que sucede com os cartões de débito é que o banco emissor coloca as marcas que irão processar o pagamento nos TPA numa ordem “de acordo com as preferências dos seus clientes”. A marca mais barata para os comerciantes (Multibanco) não surge em primeiro lugar nos terminais, induzindo o pagamento de taxas mais elevadas por parte do comerciante se nada for selecionado pelo cliente.
De facto, o que sucede com os cartões de débito é que o banco emissor coloca as marcas que irão processar o pagamento nos TPA numa ordem “de acordo com as preferências dos seus clientes”. A marca mais barata para os comerciantes (Multibanco) não surge em primeiro lugar nos terminais, induzindo o pagamento de taxas mais elevadas por parte do comerciante se nada for selecionado pelo cliente.
Bancos justificam-se
“Os nossos cartões têm definida uma sequência
em que primeiro é apresentada a marca do ‘scheme’ internacional (Visa,
Mastercard ou American Express) e, em segundo, a marca doméstica
Multibanco”, adianta fonte do Novo Banco, que assegura ser essa “a
preferência” que os seus “clientes titulares de cartões sempre
manifestaram por marcas internacionais”.
O BCP tem comportamento idêntico: “O banco
respeita a opção do cliente quando comprou o cartão. Ou seja: se o
cliente escolheu um cartão Visa ou um Mastercard, essa é a marca que o
cartão mostra no plástico e é também a marca que o TPA apresenta no
ecrã, na 1.ª linha”.
Embora a alteração nos pagamentos com cartões
bancários, introduzida no início de julho, parta de uma diretiva
europeia e com a garantia de que não teria custos para os consumidores,
as associações reclamam que não houve informação suficiente aos
comerciantes. “Infelizmente, continuamos sem qualquer informação precisa
sobre os verdadeiros custos que incorrem as nossas empresas, uma
matéria em que o Banco de Portugal tem de intervir rapidamente, de forma
a minimizar os efeitos gravosos que estas novas alterações já estão a
provocar nas nossas empresas”, alerta Pedro Carvalho, da AHRESP.
copiado https://www.dinheirovivo.pt/economia/comerciantes

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