Deputado que iniciou destituição de Dilma Rousseff perde o mandato
Eduardo Cunha deu início ao processo de impeachment e agora diz ser vítima de uma vingança política. O deputado, que é réu no processo Operação Lava Jato, foi acusado de mentir num depoimento na câmara baixa
Eduardo Cunha discursa na câmara baixa onde a sua destituição foi discutida
| REUTERS/Adriano Machado
Eduardo
Cunha deu início ao processo de impeachment e agora diz ser vítima de
uma vingança política. O deputado, que é réu no processo Operação Lava
Jato, foi acusado de mentir num depoimento na câmara baixa
O
deputado brasileiro Eduardo Cunha, que aceitou a denúncia que deu
início ao processo de destituição da ex-Presidente Dilma Rousseff,
perdeu o mandato na Câmara dos Deputados (câmara baixa) do Brasil na
segunda-feira à noite.
A sessão
terminou com 450 manifestações a favor da cassação (perda de mandato),
10 votos contra e nove abstenções. A Câmara dos Deputados brasileira é
formada por 513 deputados.
Antes de o
seu afastamento ser decidido, Eduardo Cunha disse no plenário que o
processo contra si faz parte de um julgamento político porque aceitou a
denúncia contra Dilma Rousseff (de quem foi um dos maiores inimigos
políticos), levando à mudança de Governo no Brasil.
"Quando
presidi à Câmara, 53 pedidos de 'impeachment' entraram nesta casa. Eu
recusei 40, aceitei um e 12 não deliberei. [...] Estou pagando com meu
mandato o preço do processo do 'impeachment'. Estou sendo cobrado por
ter conduzido um processo que outro [deputado] não teria condição de
fazer naquele momento. Este é o preço que estou pagando para o Brasil
ficar livre do Partido dos Trabalhadores (PT)", declarou.
Eduardo
Cunha foi condenado pelos outros deputados por ter quebrado o decoro
parlamentar ao mentir num depoimento perante uma comissão da câmara
baixa que investigava crimes na empresa estatal Petrobras.
Neste
depoimento, em março de 2015, Eduardo Cunha afirmou que não possuía
contas no estrangeiro. Pouco depois, porém, o Ministério Público Federal
do Brasil divulgou documentos enviados pelo Ministério Público da Suíça
que indicavam que possuía contas secretas naquele país.
O
processo de cassação do político brasileiro durou mais de 11 meses,
sendo o mais longo a tramitar na câmara baixa do Congresso brasileiro.
Além de perder o cargo, Eduardo Cunha ficará inelegível até 2026.
Sem
mandato parlamentar, Eduardo Cunha também deixa de ter "foro
privilegiado", um direito previsto na Constituição do Brasil que
determina que pessoas com esta prerrogativa só podem ser julgadas pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
O
ex-deputado já é réu em dois processos da Operação Lava Jato,
relacionada com esquemas de corrupção, e agora poderá ser julgado pelo
juiz Sérgio Moro, magistrado responsável, na primeira instância, pelos
processos ligados aos crimes cometidos na Petrobras.
Após
o final da sessão, Eduardo Cunha voltou a afirmar aos jornalistas que
foi vítima de uma vingança política perpetrada no meio de um processo
eleitoral, já que em outubro todos os municípios do país realizam
eleições e os seus aliados não o apoiariam com medo da rejeição popular.
Também
acusou o Governo atual, do Presidente Michel Temer, o PT e a Rede
Globo, a maior empresa de comunicação social do Brasil, de realizarem
uma campanha conjunta para fazer com que perdesse o mandato.
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