FHC: Temer não lidera
247 – Em entrevista à revista Istoé deste fim de semana (leia aqui),
o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi um dos principais
articuladores do golpe parlamentar de 2016, ensaia suas primeiras ao
governo Michel Temer.
Segundo ele, Temer
controla o Congresso, mas não demonstra liderança nem capacidade de
conquistar a opinião pública. "O governo tem que ganhar mais confiança
mostrando que tem rumo. O governo Temer não tem descuidado do contato
com o Congresso, isso é importante. Agora, o grande problema que ele vai
ter que enfrentar é que o Congresso reflete também o que se chama
vagamente de opinião pública. A Dilma perdeu a opinião pública e o
Congresso. O governo Temer tem o Congresso, mas a opinião pública é que
está na dúvida. Então ele tem que dirigir-se muito mais à opinião
pública. E como não é um governo derivado de um impulso do voto e as
pessoas estão muito nervosas, o alvo continua sendo quem está no poder",
afirma FHC.
Segundo ele, Temer ainda não ofereceu qualquer perspectiva de futuro. "É
preciso que o governo Temer tenha rumo e firmeza. Tem que oferecer ao
país uma perspectiva. A minha função, quando fui ministro da Fazenda,
foi principalmente falar, explicar. Aqui, nesse momento, estamos
sentindo falta de mais explicações. Por que tem que tomar medidas e o
que vai acontecer. E desenhar o horizonte de esperança", disse FHC.
FHC diz, ainda, que o
governo Temer tem problemas sérios de comunicação e é permanentemente
questionado, especialmente em tempos de internet, que trouxe mais
informação. "É preciso que
alguém encarne esse projeto, preferentemente o presidente da República.
Ou algum ministro. Tem que explicar permanentemente cada coisa. E a
sociedade hoje é mais complicada do que há 20 anos. Hoje tem a internet,
mais informação, a angústia vem mais depressa, é preciso dar muito mais
atenção a este processo."
Não é líder
Na entrevista, FHC foi
questionado pela jornalista Débora Bergamasco se Temer foi capaz de
demonstrar alguma liderança. FHC disse que não.
"Acho que até agora não.
Até agora ele não teve condições para isso. Ele nunca foi naturalmente
isso. O presidente Temer, quando foi candidato majoritário, foi como
vice. Ele foi candidato proporcional, que é muito diferente. O que ele
tem de vantagem? Uma enorme experiência de negociação com o Congresso. E
uma formação cultural, professor de Direito e tal. E ainda presidente
do PMDB por 15 anos. Agora, vamos ver se ele dá um salto. Está faltando
no Brasil uma voz. A política precisa de palavra, quem fale. O verbo."
FHC ainda faz uma
afirmação bizarra ao dizer que PMDB – o partido de Eduardo Cunha e
tantos outros – tem papel secundário na questão da corrupção. "Aqui o Temer significa uma ruptura nisso. Na questão da corrupção, pela ordem é PT, PP e só depois o PMDB."
Como a ação movida pelo
PSDB movida contra a chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral
ficou para 2017, por decisão do ministro Gilmar Mendes, há quem aposte
no "golpe dentro do golpe", com o próprio FHC se apresentando para uma
eleição indireta no Congresso, já que ele próprio, o mais falante dos
políticos brasileiros, diz que "falta quem fale, falta o verbo".
copiado http://www.brasil247.com/pt/
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