Andaluzia
Fraude dos governos PSOE calculada em 741 milhões
Susana Díaz, a presidente da Andaluzia, admite que o processo ERE a embaraça
| Reuters/Vincent West
Líder da Junta reafirma confiança nos antecessores. PP quer que Pedro Sánchez e Susana Diáz peçam perdão aos espanhóis
A
última semana em Espanha foi mais uma vez marcada por novos e antigos
casos de corrupção ligados ao PP. Mas o PSOE também não escapou a esta
maré, ao ver o Ministério Público anunciar as penas que tenciona pedir
no processo ERE, o maior deste género a envolver socialistas, no qual
são arguidos dois antigos presidentes da Junta da Andaluzia e que
envolve uma fraude avaliada em 741 milhões de euros.
O
Ministério Público pediu na quinta-feira para José Antonio Griñán seis
anos de prisão e 30 anos de inibição de exercer cargos públicos por um
crime continuado de desfalque e outro de prevaricação e 10 anos de
inibição de exercer cargos públicos para Manuel Chaves por prevaricação.
"Acredito
firmemente na honradez e honestidade tanto de Pepe Griñán como de
Manolo Chaves", afirmou ontem Susana Díaz, a presidente da Junta da
Andaluzia, falando sobre os seus antecessores. A também líder do PSOE
andaluz sublinhou que ambos já assumiram as responsabilidades políticas
pelo caso ERE, processo que, admite, a embaraça. "Outros não o fazem",
disparou Díaz, referindo-se ao caso de Rita Barberá, a ex-autarca de
Valência que esta semana entregou o seu cartão de militante do PP mas se
manteve como senadora. A 15 de junho de 2015, Griñán renunciou ao cargo
de senador e dez dias depois Chaves abandonou o posto de deputado.
O
escândalo dos ERE, revelado em 2011, afeta a Junta da Andaluzia,
governada pelo PSOE desde 1980. Na sua origem está a investigação do
caso de corrupção na empresa Mercasevilha, onde se detetou que existiam
situações de pré-reformas supostamente fraudulentas.
Na
quinta-feira, o Ministério Público apresentou a sua acusação contra 26
políticos e técnicos da Junta da Andaluzia. No documento, é dito que
Chaves, que liderou a região entre 1990 e 2009, ignorava os detalhes de
algumas ajudas e de alterações orçamentais aprovadas pelo Conselho do
Governo. Já a Griñán é atribuído um conhecimento mais detalhado como
Conselheiro de Economia da Junta andaluz, cargo que ocupou antes de
assumir a liderança do governo em 2009. Os procuradores recriminam-no
também por não ter dado início a nenhum procedimento para devolver os
fundos públicos.
Segundo as contas
feitas pelo Ministério Público, e divulgadas agora, o esquema lesou as
finanças públicas em 741 milhões de euros, valor que os acusados terão
de devolver em caso de condenação. Griñán, em conjunto com outros 18
altos funcionários, terá de devolver 438 milhões, por ter conhecimento
das ilegalidades desde que era Conselheiro de Economia.
O
facto de a decisão dos procuradores relativa a este caso surgir na
mesma semana em que o PP esteve no centro das atenções por causa de
casos de corrupção é para vários dirigentes socialistas, ouvidos pelo El
Mundo, nada mais que o governo de Mariano Rajoy a usar o Ministério
Público para desviar as atenções. Também a comissão executiva regional
do PSOE da Andaluzia mostrou "surpresa" pelo timing do Ministério
Público, pois "tinha até 15 de outubro" para anunciar a sua decisão.
Do
lado do PP, Rafael Merino, porta-voz adjunto do partido, exigiu ao
líder do PSOE, Pedro Sánchez, e à presidente da Andaluzia, Susana Díaz,
que "peçam perdão aos espanhóis" pelo caso ERE.
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