Defesa de Lula nega qualquer irregularidade nas palestras em Portugal
Advogado destacou que os valores de todas as palestras do ex-Presidente brasileiro "são fixos e foram declarados"
REUTERS/Fernando Donasci
Advogado destacou que os valores de todas as palestras do ex-Presidente brasileiro "são fixos e foram declarados"
O
advogado de defesa do ex-Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da
Silva, Cristiano Zanin Martins, negou hoje que possa ter havido qualquer
irregularidade nas palestras realizadas pelo seu cliente em Portugal a
convite de empresas brasileiras.
Questionado
pela agência Lusa sobre investigações da Operação Lava Jato que
levantaram suspeita sobre eventos com Lula da Silva em diversos países,
incluindo Portugal, o seu advogado frisou que todas palestras dadas por
seu cliente após deixar o Governo brasileiro são regulares e foram
registadas.
"Não há a menor dúvida que
ele fez as palestras. Se ele fez as palestras foi remunerado. O que se
pretendeu dizer na investigação [do Ministério Público Federal contra
Lula da Silva] é que esta remuneração não foi feita como um pagamento
pelas palestras, mas sim com outra finalidade, seria porque ele [Lula da
Silva] fez tráfego de influência. Isto é um completo absurdo, afirmou.
O
advogado destacou que os valores de todas as palestras do ex-Presidente
brasileiro "são fixos e foram declarados. As palestras realmente
ocorreram, assim, qualquer acusação neste sentido fica sem sustentação
diante desta realidade".
Em março deste
ano investigadores da Operação Lava Jato colocou sobre suspeita dezenas
de palestras realizadas por Lula da Silva, que podem ter organizadas
para esconder o pagamento de favores ilícitos concedidos pelo político à
empresas brasileiras.
Uma visita de
Lula da Silva à Portugal, realizada no ano de 2014 a convite da
construtora Odebrecht, foi citada pelo advogado como um exemplo desta
suposta tentativa de criminalizar atos do ex-Presidente brasileiro.
O
evento gerou polémica porque informações divulgadas pelos órgãos de
comunicação no ano passado indicaram que Lula da Silva teria tentado
pressionar o então primeiro primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a
favorecer projetos da construtora Odebrecht em Portugal.
Passos
Coelho negou publicamente que tivesse sido procurado com esta
finalidade por Lula da Silva em 2014, afirmando que o ex-Presidente
brasileiro não teria tentado usar seu prestígio para fazer 'lobby' em
nome Odebrecht junto ao Governo português.
Convidado
pela Lusa a traçar um paralelo entre os casos do ex-primeiro-ministro
José Sócrates e de Lula da Silva, dois políticos acusados de terem
cometido crimes relacionados aos seus cargos de Governo, o advogado
brasileiro alegou não conhecer detalhes do processo de Sócrates, mas
frisou que se houve com o ex-primeiro-ministro português o mesmo que
está acontecendo com Lula da Silva seria possível ver semelhanças.
"O
que eu sei é que ele [Sócrates] chegou até a ser preso, mas não houve
nenhuma acusação comprovada. Se isto estiver correto, é o que eu li,
porém não posso afirmar porque não tenho o conhecimento dos autos dos
processos contra ele, é possível estabelecer um paralelo sim", declarou.
O
causídico prosseguiu afirmando que, caso a acusação contra Sócrates não
tenha sido provada judicialmente, haveria indícios de "uma perseguição e
até de uma privação da liberdade relativa a uma acusação que era
manifestamente improcedente".
"No caso
do ex-Presidente Lula [da Silva], vejo acusações improcedentes sendo
lançadas com o claro objetivo de tentar impedir uma participação de Lula
em um cenário eleitoral em 2018", finalizou.
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