impostos
Ex-ministro do PS sugere a António Costa que recue no novo imposto

António Costa esteve ontem em Vila Nova de Gaia e recusou-se a comentar propostas avulsas do OE 2017
| JOSÉ COELHO/LUSA
Paulo Pedroso escreve que "de nada valem guerras simbólicas". À maioria de esquerda aconselhou "prudência"
Com
António Costa a tentar baixar a temperatura do debate em torno do novo
imposto sobre imóveis, surgem vozes no PS aconselhando prudência e
insinuando mesmo que o melhor seria não avançar.
Escrevendo
no seu blogue pessoal, Paulo Pedroso, ex-ministro socialista da
Segurança Social e ex-número dois do partido (no tempo da liderança de
Ferro Rodrigues), começou por afirmar que esta polémica resulta de um
"traço da nossa identidade" que partilhamos com espanhóis, gregos e
italianos: "Na Europa do Sul somos todos patrimonialistas. Estamos
prontos a pagar impostos sobre o trabalho, o consumo, o carro, mas não
nos toquem ou ameacem tocar no património, mesmo quando não o temos.
Mesmo quando tocam nos muito ricos, que sabemos bem não sermos nós,
sentimos a ameaça."
Por isso aconselha
os fiscalistas a que "nunca esqueçam que em cada país são diferentes os
impostos aceites e tolerados, bem como os que se conseguem cobrar e não
se conseguem e que de nada valem guerras simbólicas". "Os bons impostos
são os que os cidadãos aceitam e o Estado consegue cobrar, os que sejam
vistos como legítimos, sejam fáceis de cobrar e produzam receitas
significativas. O que não cumpra estes critérios corre sempre o risco de
gerar mais problemas do que soluções." Por isso, conclui, "convém que
as maiorias de hoje não percam a prudência, mesmo quando estão
carregadas de razão no plano dos princípios".
Ontem
António Costa tentou pôr um ponto final na discussão que se iniciou no
sábado com uma intervenção da deputada do BE Mariana Mortágua dizendo
que se recusa discutir "avulsamente" propostas antes de ser conhecido o
Orçamento do Estado. "Não vamos estar a discutir avulsamente propostas
antes de ver o conjunto do Orçamento do Estado. Não vamos discutir
propostas cujo desenho não está concluído e com base em hipóteses que
tanto se podem confirmar como não [confirmar]. Aquilo que podemos dar de
garantia é que certamente não haverá qualquer alteração à tributação ao
património que seja prejudicial ao investimento e que introduza
injustiça fiscal ou que afete os rendimentos das famílias", disse o
primeiro-ministro, falando em Vila Nova de Gaia
Costa
falou do grupo de trabalho que está a preparar as medidas nesta área e
recordou que "quer uma deputada do Bloco de Esquerda quer um deputado do
PS explicaram em que ponto estavam os trabalhos". E o que por ora
acontece é que "não está definido ainda qual é a base de incidência,
sobre o que é que incide, que imóveis, imóveis de que valor, imóveis
afetos a empresas ou não afetos a empresas".
"Estamos
a falar do valor líquido do património ou por exemplo do valor das
hipotecas desse património? Estamos a falar de casas que estão
arrendadas e que constituem investimento ou estamos a falar de habitação
própria?", interrogou-se o chefe do governo, para garantir que nenhuma
destas perguntas tem para já resposta. COPIADO http://www.dn.pt/
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