Novas obras com custo por escola 15 vezes inferior ao da Parque Escolar
Já estão certas 90 intervenções e previstas 217 mas o valor médio das empreitadas é pouco superior a um milhão de euros
Natacha Cardoso / Global Imagens
Já estão certas 90 intervenções e previstas 217 mas o valor médio das empreitadas é pouco superior a um milhão de euros
Os
"mapas" de intervenções em escolas do 2.º e 3.º ciclo e secundário -
que já deram origem a 90 projetos acordados ou a assinar brevemente
entre o Ministério da Educação e as autarquias - contemplam obras em 217
estabelecimentos. Mais do que as cerca de 200 secundárias reabilitadas
pela Parque Escolar entre 2007 e este ano. Mas acabam aqui as
semelhanças entre um programa e o outro. O orçamento total do novo plano
é de 236 milhões. Ou seja: menos de 1,1 milhões de euros por
empreitada. Já o custo médio das anteriores reabilitações de
secundárias, segundo dados divulgados em 2012, chegou aos 15,45 milhões.
Portanto, quase quinze vezes mais.
Naturalmente,
a natureza das obras será também totalmente distinta. Enquanto o
programa da Parque Escolar contemplou renovações integrais dos
estabelecimentos - e de acordo com relatórios do Tribunal de Contas
envolvendo vários excessos nos primeiros anos - as novas intervenções
apontam a resolver problemas básicos.
Nesta
fase dos projetos, financiados maioritariamente por fundos
comunitários, a prioridade serão intervenções ao nível da "eficiência
energética". E só no futuro poderão ser contemplados outros tipos de
intervenções.
O rigor é determinado
pelo facto de estarem em causa verbas da União Europeia, enquanto as
obras da Parque Escolar foram financiadas essencialmente através de
empréstimos do Banco Europeu de Investimentos, com o passivo da empresa a
chegar perto dos mil milhões de euros em 2012.
No novo programa, integrado nos "Pactos Territoriais para o Desenvolvimento e Coesão do Acordo de Parceria PORTUGAL 2020", os fundos comunitários que respondem por 85% do valor total. A exceção são Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve, onde essa parcela é de apenas 50%. Em ambos os casos, o valor restante é dividido entre as autarquias e o Ministério da Educação, neste último através de verbas do Orçamento do Estado. No total, a contrapartida nacional é de 44,8 milhões de euros. Um valor que nem pagaria três secundárias nos tempos das obras que foram uma das marcas do governo de José Sócrates e da ministra da Educação Maria de Lurdes rodrigues.
No novo programa, integrado nos "Pactos Territoriais para o Desenvolvimento e Coesão do Acordo de Parceria PORTUGAL 2020", os fundos comunitários que respondem por 85% do valor total. A exceção são Lisboa e Vale do Tejo e o Algarve, onde essa parcela é de apenas 50%. Em ambos os casos, o valor restante é dividido entre as autarquias e o Ministério da Educação, neste último através de verbas do Orçamento do Estado. No total, a contrapartida nacional é de 44,8 milhões de euros. Um valor que nem pagaria três secundárias nos tempos das obras que foram uma das marcas do governo de José Sócrates e da ministra da Educação Maria de Lurdes rodrigues.
Autarcas contestam, mas pouco
O
alívio para as contas públicas tem porém um risco associado: a ameaça
da União Europeia de cortar fundos estruturais ao país, caso não sejam
cumpridas as metas assumidas em relação ao défice. E a obrigação de
assumirem uma parcela da despesa também não é claramente do agrado de
todos os autarcas.
Numa tomada de
posição , em junho, o Conselho Diretivo da Associação Nacional dos
Municípios Portugueses (ANMP) contestou o modelo de financiamento - não
pelos valores envolvidos mas por considerar que "a contrapartida pública
nacional é da responsabilidade do governo central e não das
autarquias". O certo é que muitas acabaram por assinar os acordos - e
estão previstas mais assinaturas para a próxima semana - , vendo nesta
repartição de despesa uma forma de começarem a resolver problemas
antigos das suas escolas.
Entre elas, a
Câmara da Amadora, que tem quatro escolas já abrangidas. "Enquanto
presidente de câmara, acho que nesta área da educação, como na saúde, no
momento que o País atravessa, é importante juntarmos esforços, criarmos
sinergias, para conseguirmos fazer as coisas", disse ao DN Carla Maria
Nunes Tavares, autarca socialista desta cidade.
O
valor já aprovado, que servirá para resolver questões "que têm a ver
com a eficiência energética, como a substituição de caixilharias e a
remoção de fibrocimento", supera os dois milhões de euros para as quatro
escolas, sendo que a autarquia acabará por investir cerca de 500 mil
euros. "O facto de o ministério assumir 25% vai-nos permitir, não
suportando sozinhos os 50% [da parcela nacional], fazer mais
intervenções do que aquelas que tínhamos previstas", diz.
O
concelho tem seis escolas secundárias, das quais apenas três foram
recuperadas pela PArque Escolar. E a autarquia também já candidatou as
outras três, que deverão ser contempladas numa fase posterior do
programa.
Quanto ao futuro da Parque
Escolar - cujas obras que supervisionava foram redimensionadas - o
ministério garante ao DN que não está em causa: "Além da gestão das
escolas que integram as suas atribuições, está a retomar as empreitadas
interrompidas por decisão do XIX Governo".
COPIADO http://www.dn.pt/

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